Andrew Stanton explica como o conceito de ‘abraçar o tempo’ justifica ‘Toy Story 6’ após finais definitivos. Analisamos por que a obsolescência tecnológica e o envelhecimento de Bonnie são os conflitos centrais da franquia daqui em diante.
Pixar tem um problema crônico com finais felizes: eles não duram. Em 2010, a cena da despedida do Andy na porta do colégio em ‘Toy Story 3’ parecia o encerramento definitivo. Em 2019, Woody cruzando a estrada sob a luz do sol ao lado de Bo Peep em ‘Toy Story 4’ soava como o último frame lógico da franquia. Mas Andrew Stanton acabou de explicar o motivo de Toy Story 6 não ser apenas uma possibilidade lucrativa, mas uma necessidade narrativa. A resposta está em um conceito: abraçar o tempo.
Em entrevista à Entertainment Weekly sobre o próximo ‘Toy Story 5’, Stanton soltou a frase que reestrutura a franquia: ‘O que quebrou meu cérebro foi que podemos abraçar o tempo. Outras histórias não têm esse luxo’. É o tipo de observação que só um roteirista com décadas de casa na Pixar, acostumado com a mecânica de ‘Procurando Nemo’ e ‘Vida de Inseto’, consegue fazer. E ele tem razão. A maioria das franquias luta desesperadamente para congelar o relógio e evitar que seus heróis envelheçam. A magia dos brinquedos faz o oposto: o relógio é o vilão e o motor da trama.
A força do tempo real na ficção de brinquedos
Pense na concorrência. James Bond tem 60 anos de cinema e continua na casa dos 40. Os personagens de ‘The Simpsons’ estão congelados em uma eterna bolha dos anos 90. A franquia ‘Toy Story’, não. O tempo passa de forma brutal e real. O salto entre o terceiro e o quarto filme não foi apenas um artifício para contar uma história nova; ele refletiu os anos passados na vida real. Quando Stanton diz que ‘abraçar o tempo’ é um luxo, ele está apontando para a tragédia fundamental de ser um brinquedo: você é imortal, mas seu dono não. É exatamente essa cadência que justifica a existência de Toy Story 6. A passagem do tempo não é um obstáculo a ser contornado com maquiagem digital ou ignorância cronológica — é o próprio conflito.
Stanton revelou que passou dois meses apenas refletindo sobre o ‘ciclo de vida de um brinquedo’, incluindo os aspectos mais mundanos, e concluiu que há material para dois longas adicionais. Isso não é um roteirista forçando uma continuação para justificar o salário. É um narrador que olhou para a premissa original e percebeu que ela é uma fonte inesgotável de dor e esperança, desde que você tenha a coragem de fazer o relógio girar.
O futuro de Bonnie e a ameaça da obsolescência
Em ‘Toy Story 5’, veremos Bonnie — a criança central da franquia desde que Andy lhe passou os brinquedos — ganhando um tablet chamado Lilypad. O choque entre o brinquedo de plástico e o entretenimento digital já é um território emocional volátil. Mas o que acontece quando Bonnie cresce de vez? Stanton sugere que as próximas histórias podem continuar com ela ou mudar o foco. Considerando que 16 anos se passaram desde o terceiro filme no mundo real, o envelhecimento de Bonnie é o dado impossível de ignorar.
Um eventual Toy Story 6 terá que lidar com a adolescência ou a vida adulta de Bonnie, ou talvez com a passagem da tocha para uma terceira criança. É aí que a premissa de ‘abraçar o tempo’ se prova arriscada. Recontar a dor do abandono de Andy com Bonnie seria repetitivo? Sim, se for apenas uma cópia. Mas se a franquia evoluir para questionar o que significa ser descartado não por um filho que cresce, mas por um mundo que se digitaliza inteiramente, o ciclo ganha uma camada nova e profundamente contemporânea. O brinquedo não perde apenas para a idade; perde para a obsolescência tecnológica.
O alinhamento raro entre bilheteria e arte
É ingenuidade ignorar o aspecto financeiro. Se ‘Toy Story 5’ ultrapassar a marca de 1 bilhão de dólares nas bilheterias — como os dois anteriores fizeram —, a continuação é praticamente garantida pela Disney. A própria Pixar está em uma fase de forte apelo em sequências, com ‘Incríveis 3’ e ‘Viva – A Vida é uma Festa 2’ no forno, enquanto seus projetos originais recentes têm sofrido para encontrar público. A diferença crucial aqui é que, dessa vez, a ganância corporativa parece estar alinhada com a lógica artística.
O próprio Stanton já avisou que ‘Toy Story 5’ será seu último trabalho na cadeira de diretor da franquia. Aos 60 e poucos anos, ele assume o papel de Vice-Presidente de Criatividade do estúdio e promete continuar aconselhando os filmes até estar ‘em uma cadeira de balanço em algum lugar’. É um movimento sábio. A garantia de que a franquia sobrevive não está em prender o criador original à obrigação de dirigi-la, mas em garantir que a ‘gramática’ dele — essa noção de que o tempo é o personagem principal — seja ensinada aos próximos diretores.
A promessa de Stanton de que os filmes continuarão servindo como finais provisórios, e não como ganchos óbvios, é reconfortante. ‘Toy Story 3’ e ‘4’ funcionam como encerramentos. Se ‘5’ também funcionar como tal, teremos uma trilogia de despedidas perfeitas. Mas aí entra a crueldade da premissa: para os humanos, as despedidas são definitivas. Para os brinquedos, são apenas a espera pelo próximo dono. Enquanto o tempo passar, a história merece ser contada.
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Perguntas Frequentes sobre ‘Toy Story 6’
‘Toy Story 6’ já está confirmado pela Pixar?
Não oficialmente. No entanto, Andrew Stanton indicou que há material narrativo suficiente para dois filmes além do quinto, tornando a continuação uma questão de tempo e sucesso de bilheteria.
Quem vai dirigir ‘Toy Story 6’?
Andrew Stanton anunciou que ‘Toy Story 5’ será seu último filme como diretor na franquia. O sexto longa deverá ter um novo diretor, embora Stanton siga como consultor criativo no estúdio.
O que acontece com Bonnie em ‘Toy Story 5’?
Bonnie ganhará um tablet chamado Lilypad. Isso introduz o conflito entre brinquedos físicos e o entretenimento digital, antecipando a dor da obsolescência que pode ser o tema central dos próximos filmes.
Por que ‘Toy Story 6’ faz sentido após o final de ‘Toy Story 4’?
Porque a premissa central da franquia é a imortalidade do brinquedo contra a mortalidade de seus donos humanos. Enquanto o tempo passar e as crianças crescerem, haverá espaço para novas histórias de despedida e reencontro.
Quando ‘Toy Story 5’ estreia?
A estreia de ‘Toy Story 5’ está prevista para junho de 2026. Um eventual sexto filme dependerá do cronograma de produção e do sucesso desse lançamento.

