‘Super Crooks’: o anime que superou o fracasso de ‘O Legado de Júpiter’

Descubra como o ‘Super Crooks anime’ resolveu a crise de tom de ‘O Legado de Júpiter’ ao focar na mecânica do assalto, e por que o fracasso do live-action cancelou os planos do universo Mark Millar na Netflix.

Se você quer subversão no universo dos super-heróis adultos hoje, o caminho é o Prime Video. A plataforma dominou o nicho: ‘The Boys’ destrói a política com sátira, ‘Invencível’ esmaga ossos com drama psicológico. A Disney+ até tenta reagir prometendo uma 2ª temporada de ‘Demolidor: Renascido’ com classificação TV-MA, mas o trono ainda é alheio. A Netflix, claro, quis um pedaço dessa fatia. Jogou milhões num ambicioso projeto baseado nos quadrinhos de Mark Millar e o resultado foi um desastre. Porém, no meio desse naufrágio de roteiro e egos, sobreviveu a melhor coisa da franquia: o Super Crooks anime.

A crise de identidade que afundou ‘O Legado de Júpiter’

A crise de identidade que afundou 'O Legado de Júpiter'

O erro da série live-action não foi o orçamento, foi de identidade. A premissa de Mark Millar é intrinsecamente complexa — o Utopian (Josh Duhamel), um pastiche do Superman, passa a vida pregando que heróis não devem matar, mas tem sua própria vida salva quando seu filho, Paragon, quebra essa regra para executar o agressor. No papel, isso promete um debate moral denso. Na tela, virou melodrama de novela.

O show nunca deu conta de decidir o que queria ser. Cometeu o mesmo pecado de ‘Hancock’ em 2008: quica entre a desconstrução cínica do gênero e o heroísmo tradicional sem commitir com nenhum dos dois. Onde ‘The Boys’ pisa fundo na lama desde o primeiro minuto e assume sua natureza corrosiva, ‘O Legado de Júpiter’ ficava paralisada pela própria grandiosidade. Tentava debater o legado ético de uma família, mas falhava em construir personagens que merecessem nosso investimento emocional.

Por que o Super Crooks anime encontrou o tom que o live-action perdeu

Foi exatamente nesse ponto de indecisão que o spin-off animado surgiu como uma aula de roteiro e ritmo. Dirigido por Motonobu Hori e animado pelo Studio Bone — a mesma casa de ‘Mob Psycho 100’ e ‘My Hero Academia’ — a obra respirava alívio onde a série principal sufocava. Baseado na parceria de Millar com o artista Leinil Francis Yu de 2012, a história acompanha Johnny Bolt, um criminoso de pequeno porte que monta uma equipe de vilões para o assalto do século.

O acerto do anime está na troca de foco: ao abandonar o drama geracional da família Sampson pela mecânica clássica de um filme de assalto, a obra encontra seu tom instantaneamente. Os anti-heróis aqui não passam horas choramingando sobre o fardo do poder; eles querem dinheiro. A ambiguidade moral existe, mas é tratada com o ritmo ágil e o humor afiado que faltaram ao live-action. As personalidades colidem de forma orgânica — basta ver a dinâmica do time usando superpoderes como ferramentas de crime, não como fardos existenciais. É a mesma energia de ‘Great Pretender’, mas com visuais de quadrinhos de herói. E o detalhe mais crucial: diferentemente de ‘Diabolical’, o spin-off de ‘The Boys’ que serve como complemento, o Super Crooks anime funciona perfeitamente como obra standalone. Você não precisa ver o live-action para entender o mundo — e, francamente, não deveria.

O que o fracasso de 200 milhões custou ao universo da Netflix

O lado mais trágico dessa história não é a qualidade inferior do live-action, mas o que o seu fracasso causou nos bastidores. A Netflix não cancelou apenas uma série; ela executou um universo inteiro. Quando os números da audiência não justificaram o investimento astronômico e as críticas apontaram a crise de identidade do show, o estúdio cortou as pernas da franquia sem hesitar.

A vítima mais dolorosa dessa decisão foi o projeto de uma versão live-action de ‘Super Crooks’, que já estava nos planos antes mesmo da estreia da série original. O anime provou de forma inequívoca que o chamado ‘Millar-verse’ tinha potencial inexplorado, energia e capacidade de entreter. No entanto, o medo financeiro era latente demais para tentar de novo. O fracasso de ‘O Legado de Júpiter’ selou o destino de toda a franquia, enterrando a possibilidade de vermos a equipe de Johnny Bolt em carne e osso.

Fica a lição amarga de como a indústria de streaming opera: um fracasso colossal pode arrastar junto um produto superior só porque compartilham o mesmo DNA. O Super Crooks anime é a prova de que às vezes a solução para um universo confuso é parar de tentar ser uma reflexão épica e focar na diversão pura. Se você curte a desconstrução de ‘The Boys’ e a violência de ‘Invencível’, mas quer algo focado na adrenalina do crime, dê uma chance ao anime. Vá direto ao assalto e esqueça o legado.

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Perguntas Frequentes sobre o ‘Super Crooks anime’

Onde assistir ao anime ‘Super Crooks’?

‘Super Crooks’ está disponível exclusivamente na Netflix desde dezembro de 2021. É uma produção original da plataforma.

Preciso ver ‘O Legado de Júpiter’ para entender ‘Super Crooks’?

Não. Embora compartilhem o mesmo universo dos quadrinhos de Mark Millar, o anime funciona como uma história independente (standalone). Você pode pular o live-action sem perder nenhum contexto.

Quem é o estúdio de animação de ‘Super Crooks’?

O anime foi animado pelo Studio Bone, o mesmo renomado estúdio responsável por ‘Mob Psycho 100’ e ‘My Hero Academia’, sob a direção de Motonobu Hori.

‘Super Crooks’ vai ter 2ª temporada?

Oficialmente, não há planos para uma 2ª temporada. Com o cancelamento de todo o universo Mark Millar na Netflix após o fracasso de ‘O Legado de Júpiter’, a continuação do anime é considerada improvável.

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Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

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