Se você quer saber o que assistir na Max, esta seleção foge do óbvio: analisamos o peso moral de ‘A Qualquer Custo’, o realismo ainda mais assustador de ‘Contágio’ e a tentativa de ‘Destruição Final 2’ de ir além da catástrofe. Três filmes que entregam mais do que a sinopse promete.
Rolar catálogo virou um esporte de resistência, e a Max costuma vencer pelo cansaço seletivo: menos volume que outras plataformas, mais chance de tropeçar em algo que realmente valha duas horas. Se você está buscando o que assistir na Max neste fim de semana, estes três títulos seguem um fio em comum pouco óbvio. Não são escolhas unidas pelo gênero, mas pelo que existe além da premissa: um faroeste sobre falência moral, um thriller de pandemia que ficou mais perturbador depois de 2020 e um filme de catástrofe que tenta imaginar o dia seguinte, não só a explosão.
Por que ‘A Qualquer Custo’ é mais que um filme de assalto no Texas
A sinopse vende ‘A Qualquer Custo’ como perseguição: dois irmãos assaltam agências de um banco no interior do Texas enquanto um ranger veterano fecha o cerco. Só que o roteiro de Taylor Sheridan, antes de ele consolidar sua obsessão pela América rural em séries como ‘Yellowstone’, está interessado em outra coisa. O verdadeiro crime aqui não é apenas o roubo; é o modo como o colapso econômico empurra gente comum para um beco moral sem saída.
Toby, vivido por Chris Pine com uma contenção rara na carreira, não tem o impulso errático do irmão Tanner, que Ben Foster transforma em pólvora humana. A dupla funciona porque Sheridan não romantiza nenhum dos dois. Eles assaltam bancos, sim, mas o filme insiste em enquadrar ao fundo placas de dívida, terrenos vazios, cidades secas e fachadas abandonadas. O oeste contemporâneo de David Mackenzie não é o da conquista; é o da exaustão.
A melhor síntese disso está na sequência do tiroteio depois do assalto que sai do controle. A montagem abandona qualquer glamour de filme de ação, o som dos disparos entra seco, quase áspero, e a câmera treme o suficiente para tirar da cena qualquer heroísmo. Não há triunfo, só desgaste. Jeff Bridges, excelente como o ranger Marcus Hamilton, entende isso e interpreta o personagem como um homem que persegue criminosos e, ao mesmo tempo, reconhece que o mundo que produziu aqueles criminosos já está falido.
É por isso que ‘A Qualquer Custo’ merece entrar na conversa sobre o que assistir na Max. Ele funciona como neo-western, como thriller e como retrato econômico de uma América abandonada. Para quem gosta de faroeste revisionista, é uma ponte natural entre ‘Onde os Fracos Não Têm Vez’ e o universo moral de Sheridan. Para quem quer apenas ação, talvez pareça mais melancólico do que o esperado.
Depois de 2020, ‘Contágio’ deixou de ser ficção confortável
Em 2011, ‘Contágio’ impressionava pela precisão procedural. Hoje, impressiona pela memória involuntária que ativa. Steven Soderbergh e o roteirista Scott Z. Burns construíram um thriller epidemiológico com a frieza de um relatório de crise; depois da Covid-19, essa frieza passou a soar menos estilizada e mais documental.
O que assusta não é só a velocidade de transmissão do vírus fictício, mas a lucidez com que o filme entende comportamento humano. A corrida aos mercados, o colapso da confiança pública, a circulação de desinformação travestida de denúncia, a transformação de medo em oportunismo: tudo isso ganhou um peso novo porque deixou de ser hipótese. Jude Law, com seus dentes artificiais e energia de falso profeta digital, encarna com desconfortável precisão o tipo de figura que prospera quando a ciência vira campo de batalha moral.
Há um detalhe técnico decisivo no impacto do filme: Soderbergh filma superfícies como se fossem ameaças. Maçanetas, copos, cartões, barras de apoio, toque de mãos. A montagem cria pequenas correntes de contágio visual que transformam gestos banais em gatilhos de ansiedade. É um trabalho de mise-en-scène e desenho de som muito mais sofisticado do que o rótulo de ‘filme sobre vírus’ sugere. O silêncio hospitalar, os ruídos ambientes e a música usada com parcimônia ajudam a produzir uma tensão menos explosiva e mais insidiosa.
Dentro da filmografia de Soderbergh, sempre interessado em sistemas, fluxos e engrenagens institucionais, ‘Contágio’ parece quase uma continuação temática de sua curiosidade por mecanismos invisíveis. Só que aqui o sistema em pane é o tecido social. Assistir agora é desconfortável por um motivo simples: o filme não errou no diagnóstico do patógeno humano.
Se a sua dúvida é o que assistir na Max para ver algo forte de verdade, ‘Contágio’ entrega uma experiência que mudou com o mundo. Não é entretenimento leve, nem pretende ser. É recomendado para quem suporta rever, pela ficção, medos muito recentes.
‘Destruição Final 2’ tenta corrigir a maior limitação do cinema-catástrofe
Filmes de desastre costumam viver de contagem regressiva. O planeta vai acabar, a cidade vai ruir, o avião vai cair, e o roteiro se organiza em torno dessa pergunta simples: quem chega vivo ao fim? O problema é que, depois do fim, quase sempre não há filme. ‘Destruição Final 2’ tenta escapar dessa armadilha ao deslocar o interesse da ameaça imediata para a vida possível depois do impacto.
Gerard Butler retorna ao universo de ‘Destruição Final: O Último Refúgio’ sem a obrigação de repetir a mesma fórmula de bunker, corrida e sacrifício. Agora, a família Garrity emerge para um mundo devastado, e a narrativa passa a lidar com deslocamento, fronteiras improvisadas e reconstrução precária. É menos um espetáculo sobre destruição e mais uma história de sobrevivência social.
Isso não significa sofisticação total. O filme ainda carrega diálogos expositivos, soluções dramáticas convenientes e a inclinação típica do gênero para transformar trauma coletivo em jornada familiar. Mas há mérito na tentativa de ampliar a escala emocional da franquia. Quando a catástrofe já aconteceu, sobra a parte mais rara no blockbuster: administrar ruína. Essa mudança de foco dá ao longa um interesse que faltava a muitas produções semelhantes.
Também ajuda o fato de que o streaming favorece esse tipo de continuação. Sem a cobrança de parecer um evento de cinema, ‘Destruição Final 2’ funciona melhor como capítulo de maratona, especialmente se visto em sequência com o filme anterior. O contraste entre o pânico imediato do original e a desolação lenta da continuação evidencia a evolução da fórmula. Não é uma reinvenção do gênero, mas é uma variação mais pensada do que o título sugere.
Para quem gosta de cinema-catástrofe, vale pela curiosidade de ver um blockbuster interessado não apenas no impacto, mas no rescaldo. Para quem busca algo mais realista ou menos melodramático, é o mais irregular dos três títulos desta seleção.
O que ver na Max depende do tipo de desconforto que você quer comprar
Os três filmes justificam a recomendação por caminhos diferentes. ‘A Qualquer Custo’ é o mais completo e o melhor dos três, porque usa a carcaça de thriller para falar de dívida, herança e violência estrutural. ‘Contágio’ talvez seja o mais perturbador, já que a realidade tratou de validar quase tudo o que o filme imaginou. ‘Destruição Final 2’, por sua vez, entra pela curiosidade de mexer numa fórmula que normalmente para na explosão.
Se a pergunta é o que assistir na Max neste fim de semana, a resposta mais honesta é esta: comece por ‘A Qualquer Custo’ se quiser o filme mais forte, vá de ‘Contágio’ se estiver disposto a encarar um espelho desconfortável do pós-2020, e deixe ‘Destruição Final 2’ para quando bater vontade de um apocalipse menos sobre o fim do mundo e mais sobre o que sobra dele.
Para ficar por dentro de tudo que acontece no universo dos filmes, séries e streamings, acompanhe o Cinepoca também pelo Facebook e Instagram!
Perguntas Frequentes sobre o que assistir na Max
Qual desses filmes é o melhor para começar na Max?
‘A Qualquer Custo’ é a melhor porta de entrada. É o mais consistente dos três, combina suspense com comentário social e agrada tanto quem gosta de thriller quanto quem procura algo mais denso.
‘Contágio’ é pesado demais para quem viveu a pandemia de perto?
Pode ser, sim. O filme ficou mais impactante depois de 2020 porque várias situações lembram experiências reais de isolamento, desinformação e medo coletivo. Se você busca algo leve, talvez não seja a melhor escolha para o momento.
Preciso ver ‘Destruição Final: O Último Refúgio’ antes de ‘Destruição Final 2’?
Não é obrigatório, mas ajuda bastante. Ver o primeiro filme antes torna mais claro o contraste entre a corrida para sobreviver ao impacto e a reconstrução mostrada na continuação.
‘A Qualquer Custo’ é faroeste tradicional?
Não exatamente. É um neo-western, ou seja, atualiza temas clássicos do faroeste para a América contemporânea, trocando disputa por território por crise econômica, dívida e colapso social.
Esses três filmes são boas opções para ver em sequência no fim de semana?
Sim, mas com expectativa ajustada. ‘A Qualquer Custo’ é o mais equilibrado, ‘Contágio’ é o mais tenso emocionalmente e ‘Destruição Final 2’ funciona melhor como sessão de gênero para fechar a maratona sem exigir o mesmo nível dramático dos outros dois.

