Se você chegou até aqui, é porque a mente brilhante de Ari Aster te fisgou de novo, não é? E com o burburinho em torno de ‘Eddington’, é mais do que natural que você esteja curioso para saber o que rolou no final e, claro, ter ‘Eddington‘ explicado de cabo a rabo. Prepare-se, porque o mais novo filme do diretor de ‘Beau Tem Medo’ não é para os fracos de coração e mergulha de cabeça em um abismo de reviravoltas chocantes e uma boa dose de polêmica. Se você ainda não assistiu, cuidado: este artigo está recheado de spoilers!
‘Eddington’: Uma Análise da Tensão Política e Social Que Explode na Tela
‘Eddington’ nos transporta para uma pequena cidade no Texas, em pleno 2020. Imagine o cenário: a pandemia rolando solta, protestos borbulhando por todo o país e um clima de incerteza no ar. É nesse caldeirão que Ari Aster posiciona sua nova obra, transformando a cidade de Eddington em um verdadeiro barril de pólvora pronto para explodir. E a faísca? Uma eleição para prefeito de tirar o fôlego, com Pedro Pascal no papel de Ted e Joaquin Phoenix como Joe.
O filme não tem medo de tocar em feridas abertas. Seus temas políticos são escancarados, explorando um leque enorme de ideologias e ideais que colidem de forma brutal. Conspirações malucas e ressentimentos pessoais se tornam o combustível para atos terríveis, tudo em nome de “proteger a cidade” ou “ajudar a causa”. É um filme sombrio, que termina com muito sangue, muitas balas e uma mensagem potente sobre a sociedade americana. Vamos desvendar como ‘Eddington’ termina e o que tudo isso realmente significa.
O Ponto de Virada: Quem Mata Ted em ‘Eddington’ e Por Quê?
A grande reviravolta de ‘Eddington’ acontece lá pela metade do filme, quando Joe, num acesso de fúria que mudaria tudo, cruza a linha e assassina Ted e seu filho. Esse ato é o estopim de uma sequência de eventos que culmina no final brutal que deixou muita gente de queixo caído. Mas, afinal, o que levou Joe a esse ponto sem volta?
Tudo começa quando Joe acusa publicamente (e falsamente!) Ted de ter abusado sexualmente de Louise, sua ex-namorada. A partir daí, a vida de Joe desmorona. Louise o abandona e se junta ao culto de Vernon, um líder carismático que vamos detalhar mais à frente. Joe então decide confrontar Ted em um evento de arrecadação de fundos, mas é humilhado e esbofeteado.
Depois de matar um homem deslocado que invadiu o bar de Ted e esconder o corpo, Joe se infiltra na propriedade de Ted e o mata (junto com seu filho Eric) com um rifle de precisão. Joe tenta incriminar o crime como obra de manifestantes, fazendo declarações públicas agressivas contra as organizações de protesto. Essa fúria e suas ações subsequentes transformam Joe em um vilão de verdade em ‘Eddington’, levando-o até mesmo a assassinar um adolescente que apenas o confrontou.
Para escapar da responsabilidade, Joe vai além do uso político da morte de Ted: ele trai uma de suas poucas relações genuínas e saudáveis, incriminando Michael, seu pupilo e amigo de seu pai falecido. É uma virada sombria para Joe, que prepara o terreno para o clímax sangrento do filme. Entender essa sequência é crucial para ter ‘Eddington’ explicado em sua totalidade.
O Atirador Mascarado: O Mistério e o Caos em ‘Eddington’
Um dos elementos mais intrigantes de ‘Eddington’ é a figura do atirador mascarado que surge na cidade, semeando o caos. Relatórios de vídeo mostram atiradores mascarados causando tumulto em nome de “organizações liberais” como a ANTIFA, influenciando Joe e aterrorizando seu deputado, Guy. No entanto, eles não são como os manifestantes comuns, cujas ações públicas bem-intencionadas não chegam a impactar a cidade de forma tão direta.
O atirador é introduzido se exercitando em um avião particular, o que sugere que ele é um provocador pago. Ele parece ser enviado para espalhar o caos em lugares como Eddington, explicando sua presença no clímax do filme. Embora sua identidade e quem o contratou nunca sejam revelados, o atirador mascarado tem um impacto gigantesco na narrativa.
Ele atrai Joe e Guy para uma armadilha usando Michael (que havia sido capturado) como isca. O homem mascarado mata Guy em uma explosão que deixa uma mensagem codificada da ANTIFA em chamas. Em seguida, ele persegue Joe pela cidade no meio da noite, falhando em matá-lo apenas pela intervenção de Brian.
O atirador nunca é totalmente identificado, mas os momentos finais do filme sugerem que a cultura em geral aceitou o atirador pelo que ele aparentava ser. Descrito como um terrorista alinhado à ANTIFA, sua morte impulsiona Joe e Brian ao estrelato de uma forma que se encaixa na verdadeira mensagem temática de ‘Eddington’.
Outras Mortes Chocantes e Seus Significados em ‘Eddington’
Enquanto a morte de Ted é o grande ponto de virada de ‘Eddington’, outras mortes notáveis moldam a segunda metade do filme, tornando o final ainda mais brutal. A primeira delas é a do homem deslocado que vaga pela cidade, assassinado a sangue frio por Joe. Este é o momento crucial em que Joe transita de um personagem moralmente conflituoso para uma pessoa genuinamente má, solidificando a jornada que ‘Eddington’ nos propõe a acompanhar.
O ataque de Joe a Ted também resulta na morte de Eric, que desempenha um papel pesado no arco de Brian. Brian é visto lamentando a perda de seu amigo e teme que sua tentativa de irritar Michael para atacar Eric tenha sido o que o levou à morte. Isso, por sua vez, inspira Joe a incriminar Michael.
Embora Michael e Joe sejam apenas feridos na explosão provocada pelo atirador mascarado, Guy não escapa ileso. Na verdade, o deputado mais volátil de Joe é removido do filme depois de acionar uma mina terrestre plantada pelo atirador mascarado, restando apenas partes desmembradas de seu corpo. É um momento de choque que reforça a brutalidade do filme.
Uma das mortes mais trágicas em ‘Eddington’ é a do Oficial Butterfly Jimenez. Um oficial da reserva próxima, Butterfly lidera sua própria investigação sobre a morte de Ted e eventualmente descobre que Joe o matou. No entanto, Joe acidentalmente fere Butterfly durante o tiroteio com o atirador mascarado, e o atirador mata Butterfly com um tiro na cabeça destinado a Joe. Uma ironia cruel do destino que aprofunda o impacto de ‘Eddington’.
A última grande morte em ‘Eddington’ é a do atirador mascarado, que finalmente é despachado depois de ferir gravemente Joe com uma faca na cabeça. Antes que ele possa perceber, o atirador é confrontado por Brian. Brian usa uma pistola para atirar repetidamente no atirador, matando-o na hora e salvando a vida de Joe. Essa sequência é a cereja do bolo para quem busca ‘Eddington’ explicado em seus detalhes mais sangrentos.
O Destino de Joe: Poder, Tragédia e a Crítica Social em ‘Eddington’
Joe não consegue a vida que queria ou tinha antes. Como resultado de seus ferimentos, ele fica em um estado vegetativo. Embora seja eleito prefeito, a mãe de Louise, Dawn (com quem Joe tinha uma relação tensa durante todo o filme), se torna sua cuidadora e sua voz para o público. É um desfecho agridoce e doloroso para o protagonista de ‘Eddington’.
Dawn usa essa plataforma para impulsionar suas próprias acusações extremas e ideologias políticas, traindo as intenções originais de Joe e fechando o acordo anterior de Ted com uma grande empresa para transformar a cidade em um setor focado em tecnologia. Isso acontece apesar dos medos dos novos eleitores de Joe de que isso danificaria o meio ambiente local. É uma virada irônica que mostra como o poder corrompe.
De certa forma, é irônico ver Joe obter o poder e o respeito que desejava, ao custo do amor e da vida que tinha antes. Além da nova incapacidade de Joe de falar ou cuidar de si mesmo, há outros momentos persistentes que são devastadores para ele. Dawn e Joe ficam de coração partido ao ver um vídeo de Louise com Vernon, aparentemente grávida do filho dele.
Enquanto isso, um Michael amargurado parece estar investigando Joe. O destino de Joe é revoltante e comovente em igual medida. Em alguns níveis, é justo ver Joe obter o poder e o respeito que desejava, ao custo do amor e da vida que tinha antes. Depois de assassinar Ted e Eric, parece um castigo adequado. É também uma virada genuinamente trágica para um homem com quem a audiência pode ter simpatizado inicialmente, seu desejo de controle custando-lhe tudo. Essa complexidade é o que torna ‘Eddington’ tão impactante e digno de ser explicado.
Vernon e as Teorias da Conspiração: A Mensagem de ‘Eddington’
O papel de Austin Butler como Vernon pode ser menor na trama geral de ‘Eddington’, mas ele representa uma parte importante dos temas do filme. Vernon é um líder de culto New Age que Dawn encontrou em sua exploração de várias teorias da conspiração na internet. Ele é um orador carismático que parece acreditar que abusadores sexuais estão se escondendo à vista de todos, um paralelo assustador com certas correntes atuais.
Apesar do horror e choque repentinos de Dawn com as acusações sutis contra o falecido pai de Louise, Louise passa a acreditar nos argumentos de Vernon sobre memórias reprimidas. Isso, juntamente com seu crescente distanciamento de Joe, exacerbado por sua campanha política, leva Louise a abandonar sua família e se juntar a Vernon.
Por um lado, Vernon se encaixa nos temas políticos gerais e na sátira de ‘Eddington’, servindo como um claro substituto para movimentos como o QAnon. Sua fé performática lembra muitos líderes espirituais que ganharam destaque durante a pandemia, fazendo afirmações ousadas sobre o estado do mundo. Ele é a representação perfeita do perigo das informações distorcidas, um ponto crucial para entender ‘Eddington’ explicado em seu contexto social.
Vernon também é a vitrine mais clara do filme sobre o poder das teorias da conspiração. Dawn pode acreditar em dezenas de teorias, mas se ofende com uma que finalmente parece tocar em sua própria vida – e fica de coração partido quando sua própria filha acredita nela. Isso notavelmente não a impede de proferir suas próprias teorias, destacando as falhas humanas no cerne de ‘Eddington’.
‘Eddington’ Explicado: A Verdadeira Crítica à Sociedade Americana
‘Eddington’ tem uma visão dura sobre a sociedade americana, destacando as hipocrisias e falhas de todos os tipos de pessoas em todo o espectro político e social. Há paródias da política liberal performática, a natureza confrontadora de alguns manifestantes que levam o conflito adiante, e um momento claro em que a multidão liberal se afasta do andarilho deslocado.
No entanto, as críticas mais duras de ‘Eddington’ podem ser vistas apontando para pessoas abertamente conservadoras como Joe e Dawn, que usam os medos dos outros e várias teorias da conspiração para tentar impulsionar seus próprios ideais e desejos. Eles podem ganhar a eleição e obter favores, mas traíram sua moral e cometeram atos hediondos para chegar lá.
A crítica social mais dura de ‘Eddington’ está em Brian. Apresentado como um adolescente comum que tenta usar a política liberal para impressionar Sarah, uma garota de quem ele gosta, Brian se torna cada vez mais performático e “apaixonado” em sua crescente crença na justiça social. No entanto, isso só se estende até que ele descobre que Eric se envolveu com Sarah.
É quando os instintos egoístas do adolescente voltam, com Brian alertando Michael sobre esse relacionamento (aparentemente na esperança de que Michael, que supostamente havia namorado Sarah anteriormente, o atacasse). Depois que ele salva Joe, Brian muda na hora e adota uma retórica conservadora inflamada que vai contra tudo o que ele estava defendendo cenas antes. Essa reviravolta é fundamental para ter ‘Eddington’ explicado em sua essência.
Isso, notavelmente, rende a Brian respeito da direita, uma posição lucrativa como podcaster conservador e até mesmo um relacionamento romântico perfeito para as redes sociais. Em ‘Eddington’, a política, a crença e a integridade podem ser descartadas por uma vitória rápida ou uma tomada de poder. Tudo isso se encaixa na dura crítica de ‘Eddington’ à política moderna na América.
E aí, deu para ter ‘Eddington’ explicado em todos os seus detalhes mais sombrios? O filme de Ari Aster é um soco no estômago, uma obra que não tem medo de mostrar o lado mais feio da natureza humana e da sociedade. Com personagens complexos, reviravoltas brutais e uma crítica social afiada, ‘Eddington’ é um filme para assistir, digerir e debater. Ele nos força a confrontar as consequências de nossas ações e a forma como a política pode nos consumir, deixando um rastro de destruição. Um verdadeiro prato cheio para quem ama um cinema que provoca e faz pensar!
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