A intenção por trás da ‘nova Miranda’ em ‘O Diabo Veste Prada 2’

Em ‘O Diabo Veste Prada 2’, a nova assistente Amari Mari não é acidente: o roteiro de Aline Brosh McKenna a constrói como a sucessora intencional de Miranda Priestly. Entenda como Simone Ashley incorpora essa gramática do poder e por que isso salva o filme da nostalgia vazia.

Sequências que demoram duas décadas costumam apostar na nostalgia fácil. Reunir o elenco original, repetir as manias dos personagens e esperar que o público morda a isca com base no afeto. Mas O Diabo Veste Prada 2 parece trilhar uma via mais arriscada e fascinante. Em vez de apenas ressuscitar o fantasma da Miranda Priestly do passado, o roteiro está ocupado em gestar a Miranda do futuro.

Como o roteiro constrói a herdeira do trono em ‘O Diabo Veste Prada 2’

Como o roteiro constrói a herdeira do trono em 'O Diabo Veste Prada 2'

A nova primeira-assistente, Amari Mari (interpretada por Simone Ashley), não espelha a autoridade de Miranda por acidente ou como mero fã-service. Segundo a própria Ashley, foi uma decisão intencional da roteirista Aline Brosh McKenna. Nos bastidores, a piada interna era clara: Amari está destinada a ser ‘a próxima Miranda’. Isso muda completamente a dinâmica esperada para a personagem. A função da assistente na Runway sempre foi absorver o abuso para proteger a chefe, mas aqui, o vínculo sugere um aprendizado de trono. Amari não está apenas sobrevivendo ao inferno; ela está fazendo um estágio para se tornar o próprio demônio.

A gramática do poder e a herança de Aline Brosh McKenna

McKenna não é uma novata apostando na sorte. Ela assina o roteiro do filme original de 2006 e tem no currículo trabalhos como Cruella — um estudo profundo sobre como uma mulher marginalizada constrói uma persona impenetrável para sobreviver na indústria da moda. A diferença crucial na construção de Amari é que ela não é um clone barato. Ashley evitou a armadilha de imitar os trejeitos de Meryl Streep. Em vez de copiar, ela observou a mestra e, como afirmou, ‘escorou’ as características de autoridade quando sentiu que era certo. É a diferença entre um pastiche preguiçoso e uma assimilação de linguagem corporal. O olhar gélido, a postura ereta, a economia de palavras — são códigos de poder que Amari absorve e adapta para a sua geração.

De ‘Bridgerton’ a Runway: o preparo de Simone Ashley

De 'Bridgerton' a Runway: o preparo de Simone Ashley

Quem acompanha a carreira de Simone Ashley sabe que ela tem o preparo exato para essa ambiguidade. Em Bridgerton, sua Kate Bridgerton era toda rigidez e controle, escondendo vulnerabilidades atrás de uma fachada de imponência que desmoronava apenas em privado. Em Sex Education, sua Olivia Hanan operava na superfície do status social. Amari Mari parece a síntese desses arquétipos: a mulher que percebeu que, no jogo de poder, você não entra na sala já gritando; você entra absorvendo o ar da sala. E poucas salas são mais asfixiantes que a da Runway.

O abismo do mercado midiático e a defesa do legado

Esse detalhe da construção da personagem ganha um peso dramático enorme quando olhamos para o contexto da trama. O cenário midiático de 2026 é hostil demais comparado ao de 2006, e a Runway está tentando se manter à tona. Emily Charlton (Emily Blunt) já pulou do navio e agora comanda uma empresa de luxo — que pode ser a salvação da revista —, enquanto Andy Sachs (Anne Hathaway) retorna com um novo título. No meio desse tabuleiro corporativo, quem fica na trincheira ao lado de Miranda, protegendo o legado de décadas? Amari. A ‘nova Miranda’ não é apenas uma piada de bastidores; ela é a garantia de que o império sobrevive mesmo quando a fundação racha. A nova assistente é o escudo humano de Miranda para um mundo que a própria Miranda já não domina por completo.

O Diabo Veste Prada 2 chega aos cinemas em 1º de maio de 2026 com um elenco de retorno que inclui Stanley Tucci e uma escalação de nomes novos (de Lucy Liu a B.J. Novak). Mas o verdadeiro barato do filme pode não estar nas velhas glórias, mas na semente que McKenna plantou. Se Amari Mari é de fato a sucessora do trono, a sequência tem o potencial de ser algo raro: um filme que olha para o passado não com saudosismo, mas com a frieza de quem precisa garantir o futuro. A pergunta que fica não é se Miranda ainda manda, mas se ela ensinou sua substituta a ser ainda mais implacável.

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Perguntas Frequentes sobre ‘O Diabo Veste Prada 2’

Quando estreia ‘O Diabo Veste Prada 2’ nos cinemas?

A estreia de ‘O Diabo Veste Prada 2’ está marcada para 1º de maio de 2026 nos cinemas.

Quem interpreta a nova assistente Amari Mari em ‘O Diabo Veste Prada 2’?

A personagem Amari Mari é interpretada por Simone Ashley, conhecida por seu papel como Kate em ‘Bridgerton’.

Anne Hathaway e Emily Blunt retornam em ‘O Diabo Veste Prada 2’?

Sim, ambas retornam. Anne Hathaway volta como Andy Sachs e Emily Blunt como Emily Charlton, junto com Meryl Streep e Stanley Tucci.

Quem escreveu o roteiro de ‘O Diabo Veste Prada 2’?

O roteiro é de Aline Brosh McKenna, a mesma escritora do filme original de 2006 e de outras obras como ‘Cruella’.

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Lucas Lobinco
Lucas Lobinco
Sou o Lucas, e minha paixão pelo cinema começou com as aventuras épicas e os clássicos de ficção científica que moldaram minha infância. Para mim, cada filme é uma nova oportunidade de explorar mundos e ideias, uma janela para a criatividade humana. Minha jornada não foi nos bastidores da produção, mas sim na arte de desvendar as camadas de uma boa história e compartilhar essa descoberta. Sou movido pela curiosidade de entender o que torna um filme inesquecível, seja a complexidade de um personagem, a inovação visual ou a mensagem atemporal. No Cinepoca, meu foco é trazer uma perspectiva única, mergulhando fundo nos detalhes que fazem um filme valer a pena, e incentivando você a ver a sétima arte com novos olhos.Tenho um apreço especial por filmes de ação e aventura, com suas narrativas grandiosas e sequências de tirar o fôlego. A comédia de humor negro e os thrillers psicológicos também me atraem, pela forma como subvertem expectativas e exploram o lado mais sombrio da psique humana. Além disso, estou sempre atento às novas vozes e tendências que surgem na indústria, buscando os próximos grandes talentos e as histórias que definirão o futuro do cinema.

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