‘The Last of Us’ 3: o que a mãe de Lev revela sobre a fé Seraphita

Em ‘The Last of Us 3’, a escalação de Li Jun Li como Miriam permitirá explorar a fé Seraphita antes do conflito. Entenda como a série vai superar a limitação de perspectiva do jogo e mostrar a tragédia familiar de Lev e Yara em tempo real.

Quando jogamos ‘The Last of Us Part II’, a história de Lev e Yara nos atinge com um impacto brutal — mas apenas nas consequências. Conhecemos os irmãos já em fuga, marcados pelo trauma e pela violência. Agora, com a escalação de Li Jun Li para viver Miriam, a mãe dos dois, The Last of Us 3 está prestes a fazer o que o jogo não podia: mostrar a família antes da ruptura. E isso reescreve a fundação daquela tragédia.

Por que a perspectiva de Abby escondia a mãe de Lev

Por que a perspectiva de Abby escondia a mãe de Lev

Existe uma limitação estrutural inerente aos videogames que a série da HBO está aprendendo a transformar em sua maior vantagem. No jogo, somos presos à perspectiva de Abby. Quando ela está prestes a ser executada pelos Seraphitas e Lev surge com seu arco para salvar a irmã, o encontro é pura sobrevivência. Aquele momento é eletrizante, mas narrativamente cego. A gente só vê o resultado de uma fuga desesperada.

Lembro de controlar Abby atravessando aquele acampamento destruído, encontrando Lev chorando após o confronto fatal com a mãe. O jogo nos dá o luto, o choque, o silêncio insuportável daquele garoto. Mas a cena do crime? O momento em que a fé bate de frente com o amor maternal? Fica fora do quadro. A câmera do jogo não podia ir para lá. A da série pode.

A lógica da escalação: Li Jun Li não foi contratada para ser um cadáver

Vamos falar de lógica de escalação. Você não contrata uma atriz do calibre de Li Jun Li, que se destacou em produções densas como ‘Babylon’, para interpretar um corpo inerte no chão de uma ilha. A escalação dela como Miriam é a prova cabal de que Craig Mazin e Neil Druckmann vão expandir significativamente esse papel.

Fizemos isso antes na série. Joe Pantoliano foi escalado como Eugene, um personagem morto antes dos eventos do jogo, e ganhou uma despedida emocionalmente complexa que enriqueceu toda a mitologia de Jackson. Miriam promete algo ainda mais denso. Ela não é apenas uma vítima do apocalipse; ela é o ponto de colisão entre a devoção religiosa e o instinto familiar. Dar vida a ela antes da fuga de Lev e Yara significa que teremos uma perspectiva interna da seita que o jogo jamais permitiu.

A ilha antes do fogo: como a série vai mostrar a rotina Seraphita

A ilha antes do fogo: como a série vai mostrar a rotina Seraphita

No jogo, a ilha dos Seraphitas é um cenário de guerra em chamas. Conhecemos a seita pelo seu extremismo: os apitos assobiando ordens de execução, as lâminas cruas, o fanatismo cego dos soldados em combate. É o retrato de um culto no momento do seu colapso bélico.

Mas ‘The Last of Us’ sempre brilhou ao mostrar a normalidade dentro do caos. Vimos as refeições compartilhadas em Jackson, a hierarquia e a estrutura de poder no estádio dos W.L.F. Faltava-nos a rotina dos Seraphitas. Como é um dia comum naquela ilha antes de os W.L.F. atacarem? Como a fé no Profeta é praticada na paz? A mãe de Lev e Yara é o veículo perfeito para essa resposta. Ela nos dará uma visão de dentro, mostrando que, para muitos, o Profeta não era uma voz de guerra, mas de salvação.

Quando o dogma pesa mais que o sangue: a escolha de Miriam

A tragédia central da família de Lev não é apenas o preconceito da seita contra a identidade de gênero dele, embora isso seja o estopim. A tragédia verdadeira, a que desestrutura a família, é a impossibilidade da mãe de separar a fé da instituição. Lev e Yara conseguem fazer o corte mental: eles enxergam a beleza original nos ensinamentos do Profeta, mas rejeitam a corrupção dos anciões que se recusam a aceitar Lev. A mãe, não.

Miriam está tão entrincheirada naquela estrutura de crença que comete o erro irrevogável: escolhe o julgamento dos anciões em detrimento do bem-estar do próprio filho. Quando Lev raspa a cabeça em protesto, ele não está apenas desafiando a seita; está forçando a mãe a escolher um lado, e ela escolhe o errado. Ver essa dinâmica se construindo na tela, assistindo ao amor ser sufocado pelo dogma em tempo real, vai dar um peso emocional ao destino dela que o jogo só conseguiu sugerir através do trauma posterior de Lev.

A expansão dessa história na série não é um mero acréscimo de tela. É uma correção de rota narrativa. O jogo nos fez sentir a dor do órfão; a série vai nos fazer sentir a perda da família inteira. E quando aquele confronto final finalmente acontecer, não será apenas um plot point trágico. Será o clímax de uma desintegração que nós acompanhamos, passo a passo, desde o início.

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Perguntas Frequentes sobre ‘The Last of Us 3’ e os Seraphitas

Quem é a mãe de Lev e Yara em ‘The Last of Us’?

No jogo, a mãe de Lev e Yara (agora nomeada como Miriam na série) é uma Seraphita devota que tenta forçar Lev a aceitar as tradições da seita após ele raspar a cabeça. O confronto resulta na morte dela, um evento que persegue Lev pelo resto da narrativa.

Por que Lev foge dos Seraphitas em ‘The Last of Us Part II’?

Lev foge porque a seita exige que ele assuma o papel tradicional de mulher, cortando o cabelo e se vestindo de acordo, o que vai contra sua identidade de gênero masculina. Ao raspar a cabeça como sinal de protesto e afirmação, ele é considerado um herege e sentenciado à morte pelos anciões.

Quem é Li Jun Li na 3ª temporada de ‘The Last of Us’?

Li Jun Li foi escalada para interpretar Miriam, a mãe de Lev e Yara, na 3ª temporada da série da HBO. A atriz é conhecida por seus papéis em ‘Babylon’ e ‘Chicago PD’.

‘The Last of Us 3’ vai mostrar a ilha dos Seraphitas antes da guerra?

Tudo indica que sim. A escalação de uma atriz de destaque para a mãe de Lev sugere que a série expandirá o tempo de tela da família antes da fuga, mostrando o cotidiano, a fé e a rotina da seita no período que antecede o ataque dos W.L.F.

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Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

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