‘Welcome to Derry’ 2ª temporada: criadores de ‘Dark’ entram na produção

A entrada dos criadores de ‘Dark’ no writing room de ‘Welcome to Derry’ não é coincidência. Explicamos como a 2ª temporada vai abraçar a viagem no tempo e por que isso é mais fiel a Stephen King do que parece.

Existe um tipo de conexão que só faz sentido depois que você enxerga o fio invisível. Durante anos, fãs de ‘Dark’ e de ‘It: A Coisa’ apontaram semelhanças — cidade pequena, crianças desaparecendo, um mal ancestral que corrompe tudo. Era fácil tratar como coincidência, afinal Stephen King sempre foi influência declarada de quase todo mundo. Mas a notícia que chegou agora muda o jogo: os criadores de ‘Dark’, Baran bo Odar e Jantje Friese, entraram no writing room de ‘Welcome to Derry’ para a 2ª temporada. E isso não é um detalhe de bastidor — é a confirmação de que a série da HBO vai abraçar de vez a viagem no tempo como estrutura narrativa.

Eu assisti ‘Dark’ três vezes. A primeira, confesso, com um caderno ao lado para tentar acompanhar a árvore genealógica de Winden. A segunda, para prestar atenção nos detalhes que escapam na primeira passada. A terceira, para entender a tese central da série: o tempo não é uma linha, é um nó. E é exatamente essa tese que ‘Welcome to Derry 2ª temporada’ parece pronta para adotar — não como referência sutil, mas como espinha dorsal.

O que ‘Dark’ realmente roubou de Stephen King (e o que ela transformou)

O que 'Dark' realmente roubou de Stephen King (e o que ela transformou)

Quando ‘Dark’ estreou em 2017, todo mundo comparou com ‘Stranger Things’. Fazia sentido: cidade pequena alemã, criança sumindo, grupo de jovens investigando. Mas quem assistiu até o final sabe que a comparação era injusta. Enquanto ‘Stranger Things’ é uma carta de amor aos anos 80, ‘Dark’ é um tratado niilista sobre destino, luto e sofrimento cíclico. E os próprios criadores nunca esconderam as influências: em entrevista à Dazed Digital, Baran bo Odar e Jantje Friese citaram ‘Twin Peaks’ e o romance ‘It: A Coisa’ de Stephen King como pilares.

A dívida é visível na estrutura. Winden, assim como Derry, é uma cidade que parece pacata até você arranhar a superfície. Crianças começam a sumir, os adultos escondem segredos, e uma força antiga corrompe tudo por baixo. Mas aqui está a diferença crucial: em ‘Dark’, o monstro não é um palhaço cósmico. O monstro é o próprio tempo. A série transforma a viagem temporal em algo aterrorizante não porque mostra paradoxos confusos, mas porque revela que suas escolhas já foram feitas — você só está cumprindo um roteiro que não escreveu.

Essa é a sacada que Baran bo Odar e Jantje Friese levam para Derry. E é exatamente o que a 1ª temporada de ‘Welcome to Derry’ preparou, mesmo que muitos não tenham percebido na hora.

O final da 1ª temporada abriu a porta — e os criadores de ‘Dark’ acabaram de atravessá-la

No desfecho da primeira temporada, ‘Welcome to Derry’ estabeleceu algo que os livros e filmes de ‘It: A Coisa’ sempre trataram nas entrelinhas: Pennywise existe fora da percepção linear do tempo. Para ele, passado, presente e futuro são a mesma coisa. Isso não é um detalhe lore — é uma chave narrativa. Se o palhaço não obedece à cronologia, por que a série obedeceria?

Quando a notícia vazou (via Nexus Point News) de que os criadores de ‘Dark’ se juntaram ao time de roteiristas, eu tive aquele arrepio que só quem é obcecado por narrativa entende. Não é um acaso. É um plano. A HBO não contratou dois caras talentosos para ‘dar uma olhada’ no roteiro. Chamou os caras que fizeram da viagem no tempo uma filosofia para transformar a estrutura da série.

E aqui está o ponto que ninguém está discutindo: ‘Welcome to Derry’ já tinha anunciado que pretende ter três temporadas, cada uma cobrindo um ciclo de 27 anos de Pennywise. Isso é a estrutura de ‘Dark’ em estado puro — múltiplas eras entrelaçadas, personagens se encontrando em versões diferentes de si mesmos, causas e efeitos se embaralhando. A pergunta que fica é: será que vamos ver o mesmo personagem criança em uma temporada e adulto na outra? Será que a série vai mostrar o mesmo evento de três perspectivas temporais diferentes?

Por que isso é mais ousado do que parece (e mais fiel a King do que você imagina)

Por que isso é mais ousado do que parece (e mais fiel a King do que você imagina)

Quem leu o livro de ‘It: A Coisa’ sabe que Stephen King sempre flertou com a ideia de que Derry é um lugar onde o tempo se comporta de forma estranha. Mas o autor nunca levou isso ao extremo — sua prioridade sempre foi a perda da inocência infantil e o confronto com um mal cósmico. A série da HBO tem a oportunidade de fazer o que o romance não fez: transformar a ciência (ou pseudociência) do tempo em motor narrativo.

Isso não é trair o material original. É expandir uma porta que King deixou entreaberta. Em ’11/22/63′, o próprio autor já tinha usado viagem no tempo como dispositivo central. E quem assistiu ‘Dark’ sabe que Baran bo Odar e Jantje Friese não fazem viagem no tempo de forma gratuita — eles usam o conceito para explorar culpa, repetição e a impossibilidade de escapar dos próprios erros. Imagina isso aplicado a Derry, uma cidade que literalmente esconde um mal que desperta a cada 27 anos.

Outro ponto que me anima: a atmosfera. ‘Dark’ tem uma fotografia gelada, uma paleta de cores que transita entre o âmbar das memórias e o azul do presente, e uma trilha sonora que parece um batimento cardíaco acelerando. Se a 2ª temporada de ‘Welcome to Derry’ adotar essa linguagem visual, o resultado será algo que nunca vimos em adaptações de King: terror que não vem apenas do susto, mas da sensação de inevitabilidade.

O que esperar da 2ª temporada (e para quem ela vai funcionar)

Se a entrada dos criadores de ‘Dark’ significar o que eu acho que significa, prepare-se para uma série que vai exigir atenção. Não vai ser o tipo de narrativa que você assiste com o celular na mão. Vai haver linhas do tempo se cruzando, personagens que aparecem em eras diferentes, e revelações que só fazem sentido se você lembrar de um detalhe do episódio 2 da primeira temporada.

Isso é uma escolha ousada para uma série de Stephen King no streaming. Vai afastar parte do público que quer só sustos e palhaço assustador. Mas vai criar um nicho apaixonado — o mesmo nicho que transformou ‘Dark’ em cult. E, sinceramente, depois de tantas adaptações genéricas de King, eu prefiro uma série que arrisca e erra do que uma que entrega o mesmo de sempre.

Fica a pergunta: você está pronto para ver Derry como Winden? Porque se a HBO entregar o que essa contratação promete, ‘Welcome to Derry’ vai deixar de ser uma adaptação fiel para se tornar algo maior — uma fusão entre o terror de King e a filosofia de ‘Dark’. E eu, pelo menos, não vejo a hora de me perder nesse labirinto.

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Perguntas Frequentes sobre ‘Welcome to Derry’ 2ª temporada

Onde assistir ‘Welcome to Derry’?

‘Welcome to Derry’ está disponível exclusivamente no Max (antiga HBO Max). A 1ª temporada já está completa e a 2ª temporada está em produção.

‘Welcome to Derry’ é baseado em qual livro de Stephen King?

A série é uma prequela do romance ‘It: A Coisa’ (1986). Ela expande a história da cidade de Derry e do mal que desperta a cada 27 anos, mas não adapta diretamente o livro.

Quantas temporadas ‘Welcome to Derry’ terá?

A HBO planejou três temporadas, cada uma cobrindo um ciclo de 27 anos de Pennywise. Isso permite explorar diferentes eras de Derry e aprofundar a mitologia do palhaço.

Preciso ter assistido aos filmes de ‘It’ para entender ‘Welcome to Derry’?

Não. A série funciona como uma história independente, mas conhecer os filmes ou o livro enriquece a experiência, especialmente para captar referências e conexões com a mitologia original.

Os criadores de ‘Dark’ vão dirigir episódios da 2ª temporada?

Não foi confirmado. Baran bo Odar e Jantje Friese se juntaram ao time de roteiristas, mas a direção dos episódios ainda não foi anunciada. A expectativa é que eles influenciem principalmente a estrutura narrativa.

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Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

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