Da NX-01 à Enterprise-G, conheça todas as naves que carregaram o nome mais icônico da Frota Estelar. Um guia cronológico completo com classes, capitães e momentos históricos de cada versão da USS Enterprise.
Se existe um nome que atravessa gerações na ficção científica, é o da USS Enterprise. Mais do que uma nave, ela é um personagem — talvez o mais constante de toda a franquia ‘Jornada nas Estrelas’. Desde os primórdios da exploração espacial humana até as fronteiras do século 25, cada versão da Enterprise carregou não apenas tripulações, mas também o peso simbólico de ser a nau capitânia da Federação Unida dos Planetas. Este guia cronológico percorre todas as versões canônicas da USS Enterprise, conectando cada uma à sua era, à sua classe e ao capitão que a comandou, mostrando como o design e o papel da nave evoluíram junto com a própria franquia.
A origem: XCV-330 e a Enterprise NX-01
Antes da Federação existir, o nome Enterprise já vagava pelo espaço. A série ‘Jornada nas Estrelas: Enterprise’ nos apresentou a nave que iniciou tudo, mas uma pintura em um episódio da segunda temporada, ‘First Flight’, revelou a existência da USS Enterprise XCV-330 — uma sonda primitiva com um corpo tubular cercado por anéis orbitais. É um design que parece mais um brinquedo de laboratório do que uma nave estelar, mas sua inclusão no cânon é um aceno inteligente: o nome sempre esteve ligado à exploração, mesmo antes de a humanidade ter tecnologia para realmente explorar.
A Enterprise NX-01, lançada em 2150 sob o comando do Capitão Jonathan Archer, foi a primeira nave terrestre capaz de atingir o Warp 5. Isso não é um detalhe técnico qualquer — era a diferença entre ser uma espécie que engatinhava no espaço e uma que podia finalmente estender a mão para outras civilizações. A NX-01 tinha um design mais elegante que as naves posteriores, com a sessão de disco se afinando suavemente nas naceles. Ela não era a mais poderosa, mas era a mais importante: foi a bordo dela que a humanidade estabeleceu as alianças que levariam à criação da Federação. Quando a série termina, a nave é aposentada, não por obsolescência, mas porque o mundo que ela ajudou a criar já era grande demais para ela.
A clássica: USS Enterprise NCC-1701 e sua era de ouro
Quando a Federação foi formada, o nome Enterprise ficou adormecido por décadas até o lançamento da Constitution Class USS Enterprise NCC-1701 em 2245. Esta é a nave que define o imaginário popular: a que o Capitão Christopher Pike comandou em ‘Star Trek: Strange New Worlds’ e que James T. Kirk levou para a lenda. A 1701 original passou por duas fases distintas. A primeira, vista na série clássica, tem naceles vermelhas vibrantes e um exterior mais iluminado — diferenças sutis que os fãs mais atentos notam entre a era de Pike e a de Kirk. A segunda fase veio com a refit, apresentada em ‘Jornada nas Estrelas: O Filme’, que modernizou o interior e deu à nave um visual mais imponente, preparando-a para os longas.
Mas o que realmente importa sobre a 1701 não é o design — é o que ela representa. Durante os dois mandatos de cinco anos de Kirk, a Enterprise enfrentou Romulanos, Klingons, deuses egípcios e todo tipo de anomalia espacial. A nave era o lar de uma tripulação que se tornou família, e sua destruição no final de ‘Jornada nas Estrelas III: À Procura de Spock’ foi um dos momentos mais chocantes da história da franquia. Quando Kirk ordena a autodestruição para impedir que os Klingons a capturem, não é apenas uma nave que explode — é um ícone. A cena, com a Enterprise se despedaçando em chamas sobre o planeta Genesis, ainda ecoa como um dos sacrifícios mais poderosos do cinema de ficção científica.
As sucessoras: NCC-1701-A, -B e -C
Após a destruição da 1701, Kirk recebeu uma nova nave: a USS Enterprise NCC-1701-A, em 2286. Quase idêntica à original, a -A era um presente envenenado — cheia de problemas técnicos, como visto em ‘Jornada nas Estrelas V: A Última Fronteira’. Kirk foi seu único capitão, e a nave foi desativada em 2293 após ‘Jornada nas Estrelas VI: A Terra Desconhecida’. A -A não teve o brilho da antecessora, mas sua existência serviu para mostrar que o nome Enterprise era maior que qualquer capitão. Anos depois, ‘Jornada nas Estrelas: Picard’ revelou que ela virou peça de museu — um destino digno para uma nave que carregou o peso de uma lenda.
A Enterprise-B, lançada no mesmo ano em ‘Jornada nas Estrelas: Generations’, foi uma nave de transição. Da classe Excelsior, ela tinha um design mais aerodinâmico, com a sessão de disco achatada e sem o pescoço que ligava os cascos. A -B é famosa por um único evento: o desaparecimento de Kirk durante seu voo inaugural, quando ele sacrificou sua vida para salvar a nave de uma anomalia espacial. A partir daí, a história da -B é um mistério — só sabemos que serviu por 36 anos, um recorde impressionante. Ela é a prova de que nem toda Enterprise precisa ser lendária para ser importante.
A Enterprise-C, da classe Ambassador, aparece em apenas um episódio de ‘Jornada nas Estrelas: A Nova Geração’ — ‘Yesterday’s Enterprise’ — mas sua importância é colossal. Comandada pela Capitã Rachel Garrett, a -C foi destruída em 2344 defendendo o posto klingon de Narendra III contra um ataque romulano. Esse sacrifício foi o catalisador da aliança entre a Federação e os Klingons, uma aliança que moldaria a política da galáxia por décadas. A -C é um lembrete de que a Enterprise nunca foi apenas uma nave de exploração — ela também é uma nave de guerra, pronta para dar a vida por aquilo em que acredita.
A era de Picard: USS Enterprise NCC-1701-D
Quando ‘Jornada nas Estrelas: A Nova Geração’ estreou em 1987, a Enterprise-D era a maior nave que já havia carregado o nome. Da classe Galaxy, ela era um monstro de quase 700 metros, com um design que quebrava a tradição: a sessão de disco era oval, e o casco secundário era largo e achatado, em vez de tubular. A -D não era apenas uma nave — era uma cidade espacial, com famílias, escolas e jardins a bordo. Isso refletia a filosofia da era de Jean-Luc Picard: a exploração não era uma missão militar, mas uma jornada de descoberta e diplomacia.
A Enterprise-D é, para mim, a versão definitiva da nave. Não porque seja a mais bonita ou a mais poderosa, mas porque foi a que mais viveu. Durante sete temporadas de ‘A Nova Geração’, a -D enfrentou os Borg, os Romulanos, os Ferengi, e até mesmo uma guerra civil klingon. Ela era um personagem por si só — a cena em que Picard diz ‘Faça assim’ para a nave, ou quando ela é destruída em ‘Generations’, são momentos que definem a relação entre capitão e nave. Mas a -D teve uma segunda chance: em ‘Jornada nas Estrelas: Picard’, Geordi La Forge a restaurou meticulosamente, reconstruindo cada sistema com um cuidado quase religioso. Ela salvou a galáxia mais uma vez antes de se aposentar no Museu da Frota. Ver a -D voltar à ação foi um dos momentos mais emocionantes da temporada final de ‘Picard’ — uma prova de que a nave mais amada da franquia nunca perde seu brilho.
A era moderna: NCC-1701-E e -F
Após a destruição da -D, a franquia precisava de uma nave que refletisse os tempos mais sombrios do pós-Dominion. A Enterprise-E, da classe Sovereign, foi comissionada em 2372 sob o comando de Picard. Seu design é visivelmente mais agressivo: o casco secundário é minimizado, e as naceles estão alinhadas com a sessão de disco, criando uma silhueta alongada e afiada. A -E é a nave de ‘Jornada nas Estrelas: Primeiro Contato’, onde viaja no tempo para impedir que os Borg assimilem a Terra. É uma Enterprise de guerra, e isso se reflete em sua estética — mas também em sua história. Picard comandou a -E em ‘Insurreição’ e ‘Nêmesis’, mas sua aposentadoria é um mistério: o que aconteceu com a -E após o comando de Worf? Essa lacuna no cânon é uma das maiores frustrações para os fãs, que especulam desde teorias de destruição em batalha até um hipotético descomissionamento silencioso.
A Enterprise-F, da classe Odyssey, surgiu do jogo ‘Star Trek Online’ e foi canonizada em ‘Jornada nas Estrelas: Picard’. Lançada em 2386, ela teve uma vida curta e pouco documentada — sabemos que vários capitães a comandaram, e que sua aposentadoria prematura foi parte das celebrações do Frontier Day em 2401. A -F é uma nave de transição, e sua participação em ‘Picard’ é tragicamente breve: a Almirante Shelby a comanda em seu voo final, apenas para ser morta pelos Borg. A -F representa o fim de uma era — a era das grandes naves de exploração — e sua aposentadoria abre espaço para algo novo.
O renascimento: USS Enterprise NCC-1701-G
O final de ‘Jornada nas Estrelas: Picard’ trouxe a Enterprise de volta às suas raízes. A Enterprise-G, da classe Constitution III (ou Neo-Constitution), foi lançada em 2402, após uma extensa reforma da USS Titan-A. É uma nave que homenageia o design clássico da 1701, mas com tecnologia moderna — uma ponte entre o passado e o futuro. E o mais importante: sua capitã é Seven of Nine, uma ex-Borg que se tornou uma das figuras mais complexas da franquia. Com Raffi Musiker como primeira-oficial e Jack Crusher a bordo, a -G é uma nave com um futuro promissor, pronta para continuar o legado de diplomacia, heroísmo e exploração.
A escolha de Seven como capitã não é apenas simbólica — é uma declaração de que a Enterprise sempre foi sobre pessoas, não apenas sobre tecnologia. Seven passou de uma vítima dos Borg a uma líder da Frota Estelar, e sua Enterprise carrega essa história de redenção. A -G é a prova de que o nome Enterprise nunca será aposentado; ele sempre encontrará uma nova tripulação, uma nova missão, uma nova era.
O legado contínuo da Enterprise
Dez naves, uma lenda. A USS Enterprise é mais do que uma nave espacial — é um símbolo daquilo que a humanidade pode alcançar quando olha para as estrelas com coragem e curiosidade. Cada versão reflete não apenas a tecnologia de sua era, mas também os valores de sua época. A NX-01 era sobre o primeiro passo; a 1701, sobre o estabelecimento de um império de exploração; a -D, sobre a maturidade da Federação; a -G, sobre a renovação. O nome Enterprise continuará a voar, porque a franquia entende que algumas coisas são eternas. E, no coração de cada fã, a Enterprise não é apenas uma nave — é um lar.
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Perguntas Frequentes sobre a USS Enterprise
Quantas naves Enterprise existem no cânon de Star Trek?
No cânon oficial, são 10 naves com o nome Enterprise: XCV-330, NX-01, NCC-1701, -A, -B, -C, -D, -E, -F e -G. Cada uma representa uma era diferente da Frota Estelar.
Qual foi a primeira Enterprise da Frota Estelar?
A primeira nave oficial da Frota Estelar com esse nome foi a USS Enterprise XCV-330, uma sonda primitiva que aparece apenas em uma pintura no episódio ‘First Flight’ da série ‘Enterprise’. A primeira nave de exploração real foi a NX-01, comandada pelo Capitão Jonathan Archer em 2150.
Qual Enterprise foi destruída e como?
Três Enterprises foram destruídas no cânon: a NCC-1701 original, autodestruída por Kirk em ‘Jornada nas Estrelas III’ para evitar captura; a NCC-1701-C, destruída em batalha contra os Romulanos em Narendra III; e a NCC-1701-D, que caiu em ‘Generations’ após uma falha nos sistemas de contenção do warp.
Quem comanda a Enterprise-G?
A Enterprise-G é comandada pela Capitã Seven of Nine, com Raffi Musiker como primeira-oficial e Jack Crusher a bordo. A nave foi reformada da USS Titan-A e lançada em 2402, no final de ‘Jornada nas Estrelas: Picard’.
Onde assistir as séries com as Enterprises?
As séries clássicas e modernas de Star Trek estão disponíveis no Paramount+ no Brasil. A Netflix também já teve algumas, mas atualmente o Paramount+ é o principal streaming da franquia.

