Analisamos todas as 14 séries do Scooby-Doo com critérios claros — animação, dinâmica da gangue e fidelidade à proposta original. Do clássico imortal de 1969 ao desastre de ‘Velma’, este ranking não foge das polêmicas e explica cada posição.
Existe um tipo de franquia que parece imune ao tempo. ‘Scooby-Doo’ atravessou mais de cinco décadas, sobreviveu a mudanças de emissora, a crises de audiência e até a um reboot adulto que quase destruiu sua reputação. Mas o que separa uma grande série do Scooby-Doo de uma esquecível? Não é só a qualidade da animação ou o carisma dos dubladores. É a dinâmica da gangue, a fidelidade à proposta original — mistério leve com sustos que nunca são reais — e a coragem de experimentar sem perder a identidade.
Depois de assistir (e reassistir) todas as séries do Scooby-Doo — sim, todas as 14, incluindo as que mereciam ter ficado na gaveta —, eu montei este ranking definitivo. Usei critérios claros: qualidade da animação, química entre os personagens, fidelidade ao espírito original e, claro, o fator diversão. E não vou fugir de polêmicas: tem série amada que eu coloquei lá embaixo e tem série odiada que eu defendi. Vem comigo.
14. ‘Scooby-Doo e Scooby-Loo’ (1980–1982): o fundo do poço
Se você acha que o Scrappy-Doo é insuportável em pequenas doses, imagine em episódios de sete minutos onde ele é o centro das atenções. Essa segunda encarnação de ‘Scooby-Doo e Scooby-Loo’ (que na verdade é a terceira, mas a primeira de 1979 está só um pouco acima) reduziu a gangue a Scooby, Salsicha e o sobrinho irritante. Fred, Velma e Daphne? Nem aparecem. A fórmula original — quatro adolescentes e um cachorro resolvendo mistérios — foi substituída por esquetes curtas que parecem sobras de outros programas.
Assisti a alguns episódios por pura obrigação profissional e confesso: é um teste de resistência. A animação é reciclada — há cenas inteiras reutilizadas de episódios anteriores com apenas novos diálogos por cima —, as piadas são repetitivas e o Scrappy grita ‘Poder do Scrappy!’ tantas vezes que você começa a questionar suas escolhas de vida. O único mérito é histórico: essa série manteve a franquia viva num período de baixa audiência. Mas como produto audiovisual, é o elo mais fraco de toda a linhagem.
13. ‘Velma’ (2023–presente): o erro que ninguém pediu
Precisamos ser honestos: ‘Velma’ é um desastre em vários níveis, mas não pelos motivos que a turma do ‘cancelamento’ grita. O problema não é a diversidade — ter uma Velma sul-asiática bissexual, uma Daphne asiático-americana adotada e um Norville negro é, em teoria, ótimo. O problema é que a série usa essa diversidade como escudo para justificar um roteiro preguiçoso, cheio de humor autodepreciativo e referências que envelhecem mal.
E o elefante na sala: não tem Scooby. Uma série do Scooby-Doo sem o cachorro é como um filme do Batman sem o Batman. A tentativa de ser ‘adulta’ resulta em piadas de sexo e violência gratuita que não funcionam nem como comédia nem como drama. Assisti à primeira temporada inteira (sofri, mas assisti) e posso afirmar: a única coisa que ‘Velma’ subverte é a paciência do espectador. A animação é estilizada mas sem alma, e os personagens são tão insuportáveis que você torce para o vilão vencer. É a prova de que subverter uma franquia amada exige mais do que cinismo — exige entender por que ela era amada em primeiro lugar.
12. ‘Scooby-Doo e Scooby-Loo’ (1979–1980): o começo do fim
Antes de virar o lixo de 1980, o Scrappy-Doo foi introduzido nesta série de 1979 como uma tentativa desesperada de salvar a audiência. E funcionou — por um tempo. O sobrinho valentão de Scooby injetou energia nova, e sua personalidade ‘vamos pegar o monstro!’ era um contraponto inteligente à covardia de Salsicha e Scooby. Mas o problema é que o Scrappy funciona como tempero, não como prato principal.
Aqui ele ainda divide espaço com a gangue completa, e os mistérios seguem a fórmula clássica. Mas já dá para sentir a mudança: as histórias ficam mais curtas, o foco se desloca para as trapalhadas do trio, e Fred e Velma começam a desaparecer. É uma transição desconfortável — você percebe que algo está errado, mas ainda tem episódios decentes. O problema é que o caminho para o abismo de 1980 já estava pavimentado.
11. ‘The Scooby-Doo Show’ (1976–1978): a fórmula desgastada
Terceira encarnação da franquia, ‘The Scooby-Doo Show’ é o exemplo clássico de ‘mais do mesmo’ sem o brilho original. A Hanna-Barbera claramente estava reciclando ideias: os episódios seguem exatamente a mesma estrutura de ‘Scooby-Doo, Where Are You!’, mas com menos carisma. A novidade aqui é a introdução do primo de Scooby, o Scooby-Dum, um personagem tão sem graça e com um sotaque caipira estereotipado que foi rapidamente aposentado.
O que salva a série é a presença ocasional de celebridades convidadas e a dinâmica ainda intacta da gangue completa. Mas comparado ao original, falta aquela centelha de novidade. Os mistérios são previsíveis, os vilões são genéricos e a animação, embora competente, não traz nada de novo. É uma série que existe porque a franquia precisava continuar, não porque tinha algo a dizer. Para fãs completistas, tem seu valor histórico; para o público geral, é perfeitamente esquecível.
10. ‘The New Scooby-Doo Mysteries’ (1983–1984): um interlúdio incompleto
Depois do desastre de 1980, esta série tentou um meio-termo: trouxe Daphne de volta ao time, mas ainda deixou Fred e Velma de fora na maior parte do tempo. O resultado é uma série que nunca decide o que quer ser. Os episódios que focam em Daphne, Salsicha, Scooby e Scrappy têm momentos de diversão — a dinâmica entre Daphne e Salsicha é subexplorada na franquia, e aqui ganha algum espaço —, mas a ausência da gangue completa pesa.
É revelador que, quando Fred e Velma finalmente retornam nos últimos episódios, a série instantaneamente melhora. A química dos cinco é insubstituível, e qualquer tentativa de fragmentá-la resulta em algo capenga. ‘The New Scooby-Doo Mysteries’ é o que eu chamo de ‘série de transição’: não é ruim, mas também não é memorável. Fica no limbo entre o clássico e o experimental, e acaba sendo esquecida com razão.
9. ‘Be Cool, Scooby-Doo!’ (2015–2018): o choque visual que esconde um coração clássico
Quando ‘Be Cool, Scooby-Doo!’ estreou, a reação imediata foi de horror. A animação estilo ‘papel recortado’ com personagens deformados parecia um insulto à memória do traço clássico. Eu mesmo demorei três episódios para superar o choque. Mas quando você aceita a proposta, descobre uma das séries mais engraçadas da franquia.
O tom é deliberadamente cômico, com piadas rápidas e metalinguagem que funcionam para adultos sem alienar crianças. A gangue está completa, os mistérios seguem a fórmula (vilões de máscara, mansões mal-assombradas), mas o texto é afiado. Velma vira uma nerd obsessiva, Salsicha um filósofo acidental, e Fred um líder tão confiante que beira o absurdo. É uma releitura que respeita a essência enquanto brinca com as convenções. Se você superar o visual, vai encontrar uma das séries mais consistentes das últimas décadas.
8. ‘Salsicha e Scooby Atrás das Pistas’ (2006–2008): o legado de um mestre
Esta série tem um peso histórico inegável: foi o último projeto de Joseph Barbera, que morreu durante a produção. E isso transparece — não no sentido de pieguice, mas de ousadia. ‘Salsicha e Scooby Atrás das Pistas’ (título brasileiro para ‘Shaggy & Scooby-Doo Get a Clue!’) reinventa completamente a premissa: Salsicha herda uma fortuna e um laboratório secreto de um tio inventor, e precisa enfrentar uma organização maligna.
É uma mudança radical que afasta a gangue e foca quase exclusivamente na dupla. A animação em 3D é datada, e o roteiro aposta em ação e tecnologia em vez de mistérios clássicos. Para fãs puristas, é uma heresia. Mas há um charme na química entre Salsicha e Scooby, e a série tem momentos genuinamente engraçados. Não é o que a maioria quer de uma série do Scooby, mas como experimento, tem seu valor. Fica no meio do ranking porque, apesar dos riscos, nunca entrega totalmente — falta o coração da gangue.
7. ‘Os Novos Filmes do Scooby-Doo’ (1972–1973): a era das celebridades
A primeira continuação do clássico original, ‘Os Novos Filmes do Scooby-Doo’ (ou ‘The New Scooby-Doo Movies’) é uma cápsula do tempo dos anos 70. Cada episódio trazia uma celebridade convidada — de Sonny & Cher a Dick Van Dyke, passando por Don Knotts e até o Batman e o Robin. A ideia era capitalizar a popularidade da época, e o resultado é um show deliciosamente cafona.
O problema é que as participações especiais muitas vezes engolem a trama. Em vez de um mistério coeso, você tem um desfile de estrelas fazendo piadas internas. Mas há um charme inegável nessa bagunça. A animação é caprichada para o padrão da época, e ver a gangue interagindo com figuras históricas da cultura pop tem um apelo nostálgico. Não é a melhor série, mas é uma das mais divertidas de assistir hoje — principalmente para rir das referências datadas.
6. ‘Scooby-Doo e Convidados’ (2019–2021): a versão moderna do mesmo truque
Quase cinquenta anos depois, a franquia repetiu a fórmula de celebridades com muito mais competência. ‘Scooby-Doo e Convidados’ (ou ‘Scooby-Doo and Guess Who?’) traz um leque impressionante de estrelas: Mark Hamill, Ricky Gervais, Weird Al Yankovic, e até personagens como Batman e Sherlock Holmes. A diferença é que aqui os convidados são integrados à trama de forma orgânica, sem roubar o protagonismo da gangue.
A animação é limpa, os mistérios seguem a fórmula clássica e a química dos cinco está intacta. É uma série que não inova, mas que executa o básico com excelência. O episódio com Mark Hamill, onde ele dubla a si mesmo e ainda faz referência ao Coringa, é um dos melhores momentos da franquia recente. Se não fosse pela falta de ousadia, estaria mais alto no ranking. Mas como entretenimento garantido, cumpre seu papel.
5. ‘Os 13 Fantasmas do Scooby-Doo’ (1985): o ocaso brilhante
Esta é a série mais curta da franquia — apenas 13 episódios — e também uma das mais queridas pelos fãs dedicados. A premissa é deliciosamente absurda: Scooby, Salsicha, Daphne, Scrappy e o garoto de rua Flim-Flam precisam capturar 13 fantasmas que escaparam de uma arca mágica. É a única série que abraça totalmente o sobrenatural, sem a desculpa de ‘vilões de máscara’.
O tom é mais sombrio e aventureiro, com uma mitologia própria que culmina em um cliffhanger — o 13º fantasma nunca foi capturado na série. Isso só foi resolvido 35 anos depois, no filme ‘Scooby-Doo! e a Maldição do 13° Fantasma’ (2019). A série tem um charme único: a dinâmica entre Daphne e Flim-Flam é ótima, e o design dos fantasmas é criativo. É uma pena que tenha sido cancelada tão cedo — era uma direção ousada que valia a pena explorar.
4. ‘O Pequeno Scooby-Doo’ (1988–1991): a infância que conquistou todos
Quem diria que uma versão infantilizada da gangue se tornaria um dos capítulos mais amados da franquia? ‘O Pequeno Scooby-Doo’ (ou ‘A Pup Named Scooby-Doo’) reimagina os personagens como crianças de 10 anos resolvendo mistérios em sua cidade natal, Coolsville. A estética é inspirada nos desenhos dos anos 30, com cores vibrantes e um humor mais pastelão.
O que funciona aqui é a liberdade criativa: como são crianças, os mistérios são mais leves e absurdos, com direito a vilões como o Fantasma Fantástico e a Bruxa Malvada. Velma é uma cientista mirim obcecada por evidências, Salsicha um medroso adorável, e Fred um líder convencido. A série também expande o lore — conhecemos os pais da gangue e a irmãzinha de Daphne. É pura diversão, com um coração gigante. Para quem cresceu nos anos 90, é a porta de entrada perfeita para o universo Scooby.
3. ‘Salsicha e Scooby Atrás das Pistas’ (2002–2004): o retorno à fórmula clássica
Depois de anos de experimentos questionáveis, ‘What’s New, Scooby-Doo?’ (conhecida no Brasil como ‘Salsicha e Scooby Atrás das Pistas’) trouxe a gangue de volta ao que importa: mistérios semanais, vilões mascarados e a química perfeita dos cinco. A animação em 2D digital é limpa e moderna, mas respeita o design clássico dos personagens.
O grande acerto é o roteiro: os episódios são bem estruturados, com pistas reais e soluções que fazem sentido (dentro da lógica da franquia, claro). A série também modernizou a gangue — Velma usa laptop, Daphne é mais aventureira, e Salsicha continua obcecado por comida. Há uma energia contagiante que remete ao original de 1969, mas com ritmo contemporâneo. É a série que eu recomendaria para qualquer pessoa nova no universo Scooby: é a essência pura, sem firulas.
2. ‘Que Legal, Scooby-Doo!’ (2010–2013): a obra-prima moderna
‘Scooby-Doo! Mystery Incorporated’ (ou ‘Que Legal, Scooby-Doo!’ no Brasil) é, sem exagero, a melhor série da franquia desde o original. E é também a mais ousada. Aqui, a gangue enfrenta não apenas vilões semanais, mas um arco de temporada envolvendo uma maldição antiga, uma sociedade secreta e o desaparecimento de uma civilização inteira. Os personagens têm desenvolvimento real: Fred descobre a verdade sobre seus pais, Daphne lida com sentimentos não correspondidos, e Velma enfrenta um relacionamento tóxico.
O tom é mais sombrio e complexo, com referências a H.P. Lovecraft e ao horror cósmico. A animação é espetacular, com um design que mistura o clássico com um toque moderno. E o final — sem spoilers — é um dos mais corajosos da história da animação infantil. É uma série que recompensa quem presta atenção, com easter eggs e conexões que só aparecem em uma segunda assistida. Se você quer ver o Scooby-Doo como uma obra de arte, é aqui.
1. ‘Scooby-Doo, Where Are You!’ (1969–1970): o clássico imortal
Não poderia ser diferente. A série original, que estreou em 1969, é a pedra fundamental de tudo. E não é só nostalgia: ‘Scooby-Doo, Where Are You!’ é tecnicamente brilhante. A animação da Hanna-Barbera, embora limitada, tem um charme atemporal — os cenários góticos, as mansões mal-assombradas, as perseguições com música de fundo icônica. Cada episódio é uma aula de estrutura: apresentação do mistério, investigação, armadilha e a revelação do vilão com a clássica frase ‘Eu teria escapado se não fossem vocês, medrosos!’.
Mas o que torna a série imortal é a química perfeita dos cinco personagens. Velma é a inteligência, Fred é o líder (e o construtor de armadilhas absurdas), Daphne é a coragem disfarçada de fragilidade, Salsicha é o alívio cômico com coração de ouro, e Scooby é o herói relutante que sempre encontra forças no final. Juntos, eles criam uma dinâmica que nenhuma outra série conseguiu replicar — as tentativas de separá-los sempre resultaram em fracasso. O legado de 1969 é tão forte que todas as outras 13 séries são, de certa forma, variações sobre este tema original.
No fim das contas, o que este ranking prova é que o Scooby-Doo é uma franquia resiliente. Mesmo com tropeços monumentais como ‘Velma’ e o excesso de Scrappy, o núcleo criativo — a amizade, o mistério, a comédia leve — sempre encontra um jeito de sobreviver. E é por isso que, mais de 50 anos depois, ainda estamos discutindo qual série é a melhor. Cada geração tem a sua versão favorita, mas todas bebem da mesma fonte: um cachorro medroso e quatro adolescentes que nos ensinaram que, no fundo, o que importa é desmascarar o vilão — e dividir um sanduíche gigante no final.
E você, concorda com o ranking? Acha que ‘Que Legal, Scooby-Doo!’ deveria estar em primeiro? Ou é do time que defende o Scrappy? Me conta nos comentários — eu prometo não julgar (mentira, vou julgar sim).
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Perguntas Frequentes sobre as Séries do Scooby-Doo
Quantas séries do Scooby-Doo existem?
Existem 14 séries principais do Scooby-Doo, contando desde a original de 1969 até ‘Velma’ (2023). Isso não inclui filmes, especiais e spin-offs diretos para vídeo.
Qual é a melhor série do Scooby-Doo?
A série original ‘Scooby-Doo, Where Are You!’ (1969) é amplamente considerada a melhor por estabelecer a fórmula e a química perfeita da gangue. Entre as modernas, ‘Scooby-Doo! Mystery Incorporated’ (2010) é a mais aclamada pela crítica por seu arco narrativo complexo.
Onde assistir todas as séries do Scooby-Doo?
A maioria das séries clássicas está disponível no HBO Max, que detém os direitos da Hanna-Barbera. ‘Scooby-Doo e Convidados’ e ‘Que Legal, Scooby-Doo!’ também estão lá. ‘Velma’ é exclusiva do HBO Max. Algumas séries mais antigas podem ser encontradas em serviços de streaming menores ou em mídia física.
Por que ‘Velma’ é tão polêmica?
‘Velma’ gerou controvérsia por três motivos principais: não inclui o Scooby-Doo, reimagina os personagens com características diferentes das originais (como Velma sendo sul-asiática e bissexual), e aposta em humor adulto com piadas de sexo e violência que dividiram o público. A série foi renovada para uma segunda temporada apesar das críticas negativas.
Qual é a ordem cronológica das séries do Scooby-Doo?
A ordem de lançamento é: Scooby-Doo, Where Are You! (1969), Os Novos Filmes do Scooby-Doo (1972), The Scooby-Doo Show (1976), Scooby-Doo e Scooby-Loo (1979), Scooby-Doo e Scooby-Loo (1980), The New Scooby-Doo Mysteries (1983), Os 13 Fantasmas do Scooby-Doo (1985), O Pequeno Scooby-Doo (1988), Salsicha e Scooby Atrás das Pistas (2002), Que Legal, Scooby-Doo! (2010), Be Cool, Scooby-Doo! (2015), Salsicha e Scooby Atrás das Pistas (2006), Scooby-Doo e Convidados (2019) e Velma (2023).

