‘Demolidor: Renascido’: a morte que jogou fora o filho secreto do Kingpin

A morte de Daniel Blake em ‘Demolidor: Renascido’ desperdiçou a chance de adaptar Butch Pharris, o filho secreto do Kingpin nos quadrinhos. Analisamos como o MCU trocou um legado narrativo poderoso por um choque barato e o que o final alternativo revela sobre esse erro.

A morte de Daniel Blake no sétimo episódio de Demolidor: Renascido não é chocante pela brutalidade, mas pelo desperdício. Quando Buck Cashman atira na cabeça do assistente leal de Fisk, a série não encerra apenas um arco de redenção — ela aborta a chance perfeita de introduzir um dos arcos mais fascinantes dos quadrinhos recentes do Demolidor. A conexão com Butch Pharris, o filho ilegítimo do Kingpin, estava servida em bandeja, e o MCU decidiu jogá-la no lixo.

A redenção interrompida de Daniel Blake

A redenção interrompida de Daniel Blake

Daniel Blake morre fazendo a escolha certa. Ele recusa entregar BB Urich a Cashman, sabendo que isso significa sua própria execução. É um momento de evolução genuína para um personagem que, até então, era apenas um capanga de terno bem cortado — o loyalista que usava óculos cor-de-rosa para não enxergar a monstruosidade de Fisk.

O problema estrutural é que a série mata Daniel exatamente no ponto de inflexão da sua jornada. O arco clássico de redenção exige que o personagem viva o suficiente para agir com base na sua nova consciência. Daniel nunca tem a chance. Um tiro corta a transformação no meio, transformando o que poderia ser uma evolução narrativa de longo prazo em um mero golpe de choque barato.

Butch Pharris e o legado que Fisk nunca terá

Nos quadrinhos, Butch Pharris é o filho bastão de Wilson Fisk. Longe de ser uma nota de rodapé, Butch assume papel central em Devil’s Reign, a mesma trama que inspira os contornos políticos de Demolidor: Renascido. Quando Fisk cai do poder como prefeito de Nova York, Butch não chora — ele toma o manto. O filho ilegítimo se torna o novo Kingpin, provando que o legado do crime é mais forte que qualquer mandato.

Agora, olhe para Daniel Blake no MCU. Um jovem leal a Fisk. Sem história familiar estabelecida. E, o detalhe mais gritante: há uma cena explícita em que Wilson e Vanessa discutem o desejo de deixar um legado, a dor de nunca ter tido filhos. Os roteiristas plantaram a semente, regaram a terra e, na hora da colheita, atearam fogo à plantação.

O trono vazio: como o filho secreto mudaria o MCU

O trono vazio: como o filho secreto mudaria o MCU

Se Daniel Blake fosse revelado como Butch Pharris, o conflito de Demolidor: Renascido ganharia uma dimensão trágica que a série atualmente não tem. Daniel não estaria apenas questionando um chefe corrupto — estaria confrontando a própria sangue, o legado genético de um monstro.

Fisk, por sua vez, teria uma motivação que vai além da ganância: a chance de moldar um herdeiro. A paternidade seria a vulnerabilidade definitiva do Kingpin, a rachadura em sua armadura de violência. E o MCU ganha um vilão para o futuro: um novo Kingpin jovem, cicatrizes emocionais à flor da pele, dividido entre a rejeição ao pai e a atração pelo poder que ele oferece. Em vez disso, Fisk segue sem herdeiro, seu legado destinado a apagar-se com ele.

O final alternativo que confirma o erro

A frustração se agrava com a confirmação de que um final alternativo foi filmado para o episódio 7 — um onde Daniel Blake sobrevive. Isso não é rumor de internet; é prova de que a equipe de produção considerou manter a porta aberta. A existência desse material prova que a morte de Daniel não era uma necessidade dramática, mas uma decisão de montagem que privilegiou o impacto imediato do choque em detrimento da arquitetura de longo prazo do Universo Marvel.

O custo de matar o futuro do Kingpin

Demolidor: Renascido é a ponte entre a era Netflix e o futuro do MCU nas séries de rua. É o momento de trazer para a tela material dos quadrinhos que nunca foi adaptado. Butch Pharris era a oportunidade ideal: um personagem sem o peso de décadas de expectativas, permitindo liberdade criativa, mas com uma conexão orgânica com o núcleo de Fisk.

Ao matar Daniel Blake, a série repete um vício do MCU televisivo: sacrificar o potencial narrativo sustentável por uma morte que gera buzz nas redes sociais por uma semana. O tiro que matou Daniel também atingiu o futuro do Kingpin. E enquanto o aguardamos o final da temporada, a pergunta que fica não é sobre quem Fisk vai destruir, mas sobre quantas histórias os roteiristas vão destruir antes de entender que choque barato não substitui profundidade.

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Perguntas Frequentes sobre ‘Demolidor: Renascido’ e Daniel Blake

Quem é Daniel Blake em ‘Demolidor: Renascido’?

Daniel Blake é o assistente leal de Wilson Fisk na prefeitura de Nova York. Ele é assassinado por Buck Cashman no episódio 7 após recusar entregar a jornalista BB Urich.

Daniel Blake é o filho do Kingpin nos quadrinhos?

Não nos quadrinhos, o filho secreto de Wilson Fisk se chama Butch Pharris. Muitos fãs e críticos apontam que Daniel Blake na série tinha todos os elementos para ser a adaptação desse personagem, mas a série ignorou essa conexão.

Quem é Butch Pharris nos quadrinhos da Marvel?

Butch Pharris é o filho ilegítimo de Wilson Fisk introduzido no arco ‘Devil’s Reign’. Após a queda de Fisk como prefeito, Butch assume o manto de Kingpin, continuando o legado criminoso do pai.

‘Demolidor: Renascido’ tem um final alternativo para Daniel Blake?

Sim. Foi confirmado que um final alternativo foi filmado para o episódio 7, no qual Daniel Blake sobrevive ao encontro com Buck Cashman. A morte foi uma escolha de edição e roteiro durante a produção.

Em que episódio Daniel Blake morre em ‘Demolidor: Renascido’?

Daniel Blake é morto no sétimo episódio da temporada, após uma sequência de tensão com Buck Cashman no apartamento de BB Urich.

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Lucas Lobinco
Lucas Lobinco
Sou o Lucas, e minha paixão pelo cinema começou com as aventuras épicas e os clássicos de ficção científica que moldaram minha infância. Para mim, cada filme é uma nova oportunidade de explorar mundos e ideias, uma janela para a criatividade humana. Minha jornada não foi nos bastidores da produção, mas sim na arte de desvendar as camadas de uma boa história e compartilhar essa descoberta. Sou movido pela curiosidade de entender o que torna um filme inesquecível, seja a complexidade de um personagem, a inovação visual ou a mensagem atemporal. No Cinepoca, meu foco é trazer uma perspectiva única, mergulhando fundo nos detalhes que fazem um filme valer a pena, e incentivando você a ver a sétima arte com novos olhos.Tenho um apreço especial por filmes de ação e aventura, com suas narrativas grandiosas e sequências de tirar o fôlego. A comédia de humor negro e os thrillers psicológicos também me atraem, pela forma como subvertem expectativas e exploram o lado mais sombrio da psique humana. Além disso, estou sempre atento às novas vozes e tendências que surgem na indústria, buscando os próximos grandes talentos e as histórias que definirão o futuro do cinema.

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