Winona Ryder chega à terceira temporada de ‘Wandinha’ com um desafio: não repetir Joyce Byers de ‘Stranger Things’. Analisamos por que ela deveria ser vilã — e como filmes como ‘Heathers’ e ‘Drácula’ provam que ela tem o alcance para isso.
Winona Ryder em ‘Wandinha’ é daquelas notícias que parecem óbvias demais. A atriz que encarnou a gótica adolescente por excelência em ‘Os Fantasmas se Divertem’, que trabalhou com Tim Burton duas vezes, que contracenou com Jenna Ortega no recente ‘Os Fantasmas Ainda se Divertem: Beetlejuice Beetlejuice’ — ela deveria ter estado em Nevermore desde o primeiro dia. Mas agora que a presença dela está confirmada na terceira temporada, a questão real é: o que Tim Burton vai fazer com ela?
A resposta fácil seria repetir a fórmula que funcionou em ‘Stranger Things’ — a adulta preocupada, maternal, que acredita nos jovens quando ninguém mais acredita. Joyce Byers conquistou o público em cinco temporadas com sua ansiedade palpável e determinação feroz. É exatamente por isso que Ryder precisa fazer algo completamente diferente em ‘Wandinha’. Se Burton quer que esse casting seja mais do que um aceno nostálgico para fãs dos anos 90, ele tem uma opção clara: fazer de Winona Ryder a vilã que a série precisa — e que ela já provou saber interpretar.
Por que Winona Ryder parece ter nascido para o universo de ‘Wandinha’
A conexão entre Ryder e o mundo de ‘A Família Addams’ é quase genética. Em 1988, ela interpretou Lydia Deetz — a adolescente gótica que se sente estrangeira na própria família, que tem uma conexão natural com o sobrenatural, que prefere o macabro ao convencional. Troque “Lydia” por “Wandinha” e você tem essencialmente a mesma figura arquetípica. Burton sabia disso. Jenna Ortega, com sua versão moderna de Wandinha, está operando no mesmo registro que Ryder aperfeiçoou três décadas antes.
Há também a química já estabelecida. Em ‘Os Fantasmas Ainda se Divertem: Beetlejuice Beetlejuice’, Ryder e Ortega interpretaram mãe e filha com uma dinâmica tensa mas profundamente conectada — exatamente o tipo de relação complexa que ‘Wandinha’ adora explorar. O pulo do olhar que elas estabeleceram poderia ser transportado para Nevermore com facilidade. Talvez com facilidade demais.
O erro que ‘Wandinha’ não pode cometer
Desde 2016, o público associou Winona Ryder a Joyce Byers — a mãe que luta contra forças sobrenaturais para proteger seu filho, que passa cinco temporadas com expressão de preocupação permanente, que é heroica precisamente por ser comum em um mundo extraordinário. Funcionou em ‘Stranger Things’ porque Joyce era o coração emocional da série, e porque Ryder tem uma capacidade única de transmitir vulnerabilidade sem perder força.
Imagine Ryder como uma professora de Nevermore que se torna mentora de Wandinha, acreditando nela quando os adultos céticos não acreditam. Funcional? Sim. Interessante? Não. Seria Joyce Byers com visual gótico. E depois de cinco temporadas vendo Ryder interpretar ansiedade maternal, a repetição seria cansativa.
Há também o problema estrutural. A primeira temporada de ‘Wandinha’ já usou o recurso de “personagem aparentemente bondoso que se revela vilão” com Christina Ricci como Marilyn Thornhill. Repetir essa jogada com Ryder seria dobrar a mesma aposta.
Winona Ryder como vilã: um risco que ela já provou saber correr
Aqui está o que o argumento “Ryder como vilã” frequentemente ignora: ela já interpretou personagens sombrias, manipuladoras e moralmente ambíguas. A diferença é que o público tende a esquecer porque Ryder tem uma simpatia natural que torna seus personagens difíceis de odiar.
Em ‘Heathers’ (1988), Ryder interpretou Veronica Sawyer — uma adolescente que se envolve com o carismático J.D. (Christian Slater) e acaba participando de assassinatos disfarçados de suicídios. Veronica não é vilã pura, mas também não é heroína convencional. Ela observa, participa, se arrepende, mas continua. É um estudo em ambivalência moral que Ryder executou com timing cômico perfeito e uma capacidade de fazer o público torcer por alguém que está fazendo coisas terríveis.
Em ‘Drácula de Bram Stoker’ (1992), Ryder foi Mina Harker — a noiva que desenvolve uma conexão pertúrbia com o vampiro, que é seduzida pelo sobrenatural, que tem dentro de si a capacidade para a escuridão. A cena em que Mina bebe o sangue de Drácula, com Ryder entregando uma mistura de horror e êxtase, demonstra que ela sabe acessar lugares sombrios quando o papel exige.
Até em ‘Alien: Ressurreição’ (1997), Ryder interpretou Call — uma androide com segredos, cuja lealdade é ambígua até ser revelada. Ela tem experiência em papéis onde o público não sabe se pode confiar.
O que Ryder raramente fez é a vilã abertamente má — aquela que não pede desculpas, que não tem redenção, que é perigosa porque escolhe ser. Sua força como atriz está no olhar, no silêncio carregado, na capacidade de transmitir pensamentos complexos sem diálogo. Uma vilã Ryder poderia ser elegante, irônica, cruel de formas que o universo de ‘Wandinha’ ainda não explorou. Ela não precisaria ser histérica — poderia ser fria, calculista, manipuladora. O tipo de ameaça que Wandinha não consegue simplesmente outsmart porque é mais experiente, mais paciente, mais letal.
O que está em jogo para a terceira temporada
‘Wandinha’ se estabeleceu como fenômeno por equilibrar nostalgia e inovação. Jenna Ortega reimaginou o personagem de Christina Ricci para uma nova geração, e a série encontrou seu tom próprio — mais sombrio, mais adolescente, mais autoconsciente. O desafio da terceira temporada é continuar evoluindo sem perder o que funciona.
O casting de Winona Ryder é uma chance de ouro. Ela conecta o legado gótico dos anos 80 e 90 com o presente do streaming. Ela trabalhou com Burton em seus filmes mais icônicos. Ela tem química com Ortega demonstrada em tela. Ela é, em resumo, a adição perfeita para o elenco — mas só se for usada de forma que surpreenda.
Se Burton escolher o caminho seguro, terá uma temporada funcional. Se escolher o arriscado — Ryder como vilã assumida, sem twist, sem redenção fácil — poderá entregar algo que o público discuta por meses. A escolha parece óbvia para quem conhece a história de Ryder com Burton: ele nunca a chamou para fazer o esperado. Desta vez, não deveria começ também.
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Perguntas Frequentes sobre Winona Ryder em ‘Wandinha’
Winona Ryder vai ser vilã na terceira temporada de ‘Wandinha’?
A Netflix confirmou que Winona Ryder estará no elenco da terceira temporada, mas não revelou qual papel ela vai interpretar. O artigo argumenta que ela deveria ser uma vilã assumida, mas isso é especulação baseada em sua filmografia.
Quando estreia a terceira temporada de ‘Wandinha’?
A Netflix ainda não anunciou a data de estreia da terceira temporada. As filmagens devem começar em 2026, então a estreia provavelmente será no final de 2026 ou início de 2027.
Winona Ryder já interpretou vilã antes?
Ryder raramente interpretou vilãs puras, mas teve papéis moralmente ambíguos. Em ‘Heathers’ (1988), sua personagem participa de assassinatos. Em ‘Drácula de Bram Stoker’, Mina desenvolve conexão sombria com o vampiro. Ela tem experiência em personagens que misturam simpatia com escuridão.
Quais filmes Winona Ryder fez com Tim Burton?
Winona Ryder trabalhou com Tim Burton em três filmes: ‘Os Fantasmas se Divertem’ (1988), ‘A Noiva Cadáver’ (2005, voz) e ‘Os Fantasmas Ainda se Divertem: Beetlejuice Beetlejuice’ (2024). A parceria é uma das mais icônicas do cinema gótico moderno.
Winona Ryder e Jenna Ortega já trabalharam juntas antes?
Sim. Ryder e Ortega interpretaram mãe e filha em ‘Os Fantasmas Ainda se Divertem: Beetlejuice Beetlejuice’ (2024). A química entre as duas foi um dos pontos altos do filme e gerou especulação sobre uma parceria em ‘Wandinha’.

