‘All of Us Are Dead’: filmagens da 2ª temporada terminam e ação muda para Seul

Com filmagens encerradas após 7 meses, a 2ª temporada de ‘All of Us Are Dead’ chega em 2027 com cenário expandido para Seul. Analisamos como a mudança de escala afeta a crítica social da série e os riscos de um intervalo de quatro anos entre temporadas.

Depois de quase sete meses de produção, as câmeras finalmente pararam de rodar. Posts comemorativos no Instagram dos atores Park Ji-hu e Cho Yi-hyun confirmaram o que fãs esperavam: as filmagens da All of Us Are Dead 2ª temporada estão oficialmente encerradas. Park Ji-hu postou em 18 de fevereiro, Cho Yi-hyun no dia 4. Lee Solomon já havia confirmado antes. Até figurantes postaram sobre o término das gravações. Quando o elenco principal e os extras estão na mesma página, não precisa de press release para entender o recado.

A mudança para Seul não é só geográfica — é de escala

A primeira temporada prendeu os personagens nos corredores apertados de uma escola média coreana. O confinamento era parte da tensão — adolescentes encurralados, sem pra onde correr, enquanto a hierarquia social que já os oprimia antes do surto se dissolvia em caos. Lembro da sequência em que os alunos se trancam no laboratório, empilhando mesas contra a porta. A câmera tremia, os gritos ecoavam, e a claustrofobia era quase física. Agora, a All of Us Are Dead 2ª temporada expande o universo: Nam On-jo está na universidade, em Seul.

Não é apenas mudança de cenário. É mudança de escala. Uma escola média é um microcosmo — universidades são cidades dentro de cidades. Seul é uma metrópole de 10 milhões de habitantes. O terror que antes pulsava em corredores claustrofóbicos agora terá espaços amplos para respirar. E isso muda a própria natureza do medo: de pânico confinado para sobrevivência em terreno aberto.

A série sempre foi afiada na crítica social: negligência institucional, bullying sistêmico, jovens invisíveis para o Estado. Uma universidade coreana não é exatamente um ambiente mais gentil — é onde essas mesmas dinâmicas se sofisticam. A competição por empregos, a pressão por status, as redes de poder que determinam quem sobe e quem afunda. On-jo pode ter escapado da escola, mas não escapou do sistema. Essa é a tese que a segunda temporada parece querer explorar.

Novo elenco e o peso de Squid Game

A produção apostou em caras novas para acompanhar a protagonista nessa fase adulta-jovem. Lee Min-jae, Kim Si-eun e Yoon Ga-i interpretam os amigos universitários de On-jo — uma nova rede de sobreviventes em potencial. Mas o nome que chama atenção é Roh Jae-won, que integra o elenco após sua participação em Squid Game.

Há algo apropriado nisso. Squid Game e All of Us Are Dead operam no mesmo território temático: a Coreia do Sul como cenário de pesadelos sociais disfarçados de entretenimento. Um usa jogos infantis mortais para expor desigualdade; o outro usa zumbis para falar de jovens abandonados. Roh Jae-won transita entre os dois universos como se fosse embaixador de um tipo específico de terror coreano — aquele que usa o gênero para cortar fundo.

O elenco também ganha reforços em Seo Ji-hoon, Kim Min, Ahn Dong-goo, Ryu Sung-rok e Han Hyun-jun. E há um detalhe curioso: Roh Jae-won interpreta Han Du-seok, um líder dentro do Serviço de Inteligência Nacional. Isso sugere que a temporada não se limitará a civis correndo de zumbis — o Estado, de alguma forma, entra no jogo. Se a primeira temporada criticava a omissão institucional, a segunda pode colocar o Estado como personagem ativo.

Os “Hambies” e a genialidade que não pode ser abandonada

A primeira temporada fez algo que poucas obras de zumbis ousam: criou uma categoria intermediária. Os “Hambies” — meio humanos, meio zumbis — retêm consciência, mas ganham força, sentidos aguçados e agilidade sobrenatural. Nam-ra, interpretada por Cho Yi-hyun, foi o caso mais memorável: uma aluna quieta que descobre, no meio do apocalipse, que consegue controlar a transformação.

A maquiagem prostética desses personagens merece elogio. Não é o zumbi decomposto tradicional — é algo entre o humano e o monstro, com veias salientes, olhos levemente descoloridos, movimentos que alternam fluidez sobrenatural com espasmos de luta interna. O design visual comunica o conflito psicológico: eles não sabem o que são.

Isso elevou All of Us Are Dead acima do splatter genérico. O horror nunca foi só sobre vísceras — foi sobre identidade, sobre perder o controle do próprio corpo, sobre se tornar algo que a sociedade rejeita. Se a segunda temporada abandonar essa camada, perde o que a tornou especial. Se expandir, pode criar algo ainda mais complexo.

O risco real de quatro anos de espera

Há um problema que números de audiência não resolvem: passaram-se quatro anos desde a primeira temporada. Em tempo de streaming, isso é uma era. Novos K-dramas surgem mensalmente, dominam conversas por semanas e somem. A competição pela atenção é brutal.

A primeira temporada foi sucesso expressivo — 476 milhões de horas assistidas em 30 dias, 89% de aprovação crítica no Rotten Tomatoes. Mas audiência de 2022 não garante audiência de 2027. Fãs se movem, gostos mudam, a memória coletiva é curta. A série precisa reconquistar quem já amou e conquistar quem nem sabe que existe.

O cenário competitivo de K-dramas hoje é diferente de 2022. Squid Game explodiu e redefiniu expectativas de terror social coreano. A segunda temporada de All of Us Are Dead não precisa provar que é boa — precisa provar que ainda é relevante.

O que esperar de 2027

A janela de 2027 faz sentido considerando o cronograma típico de pós-produção de séries com efeitos visuais extensos. Zumbis exigem CGI, maquiagem prostética, coreografia de ação. Não é o tipo de produção que sai do forno em meses.

O que sabemos: filmagens terminaram. Elenco está definido. Cenário mudou para Seul. Temas continuam — crítica social afiada disfarçada de terror adolescente. O que não sabemos: como a série lida com o salto temporal na narrativa, se os Hambies continuam centrais, se o tom se mantém ou evolui.

Para fãs da primeira temporada, a notícia do wrap é alívio depois de anos de silêncio. Para novatos, é oportunidade de maratonar os 8 episódios da temporada 1 antes da continuação chegar. Para a Netflix, é aposta em uma franquia que já provou seu valor — e agora precisa provar que tem pernas para correr distância.

Para ficar por dentro de tudo que acontece no universo dos filmes, séries e streamings, acompanhe o Cinepoca também pelo Facebook e Instagram!

Perguntas Frequentes sobre All of Us Are Dead 2ª temporada

Quando estreia a 2ª temporada de All of Us Are Dead?

A Netflix ainda não confirmou a data oficial. Com as filmagens encerradas em fevereiro de 2026, a expectativa é estreia em 2027, considerando o tempo necessário para pós-produção de efeitos visuais.

Onde assistir All of Us Are Dead?

A 1ª temporada está disponível exclusivamente na Netflix. São 8 episódios de aproximadamente 50 minutos cada. A 2ª temporada também será exclusiva da plataforma.

Quem retorna no elenco da 2ª temporada?

Park Ji-hu (Nam On-jo) e Cho Yi-hyun (Nam-ra) confirmaram retorno. Lee Solomon também está de volta. O elenco ganha novos nomes: Lee Min-jae, Kim Si-eun, Yoon Ga-i, Roh Jae-won (Squid Game), Seo Ji-hoon, Kim Min, Ahn Dong-goo, Ryu Sung-rok e Han Hyun-jun.

A 2ª temporada de All of Us Are Dead tem data confirmada?

Não. A Netflix não divulgou data oficial de estreia. O único confirmado é que as filmagens terminaram em fevereiro de 2026. A janela mais provável é ao longo de 2027.

Quantos episódios tem a 1ª temporada de All of Us Are Dead?

A 1ª temporada tem 8 episódios, com duração entre 50 e 72 minutos cada. O episódio final é o mais longo, funcionando como conclusão parcial da história.

Mais lidas

Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

Veja também