A ausência de Tony Stark deixou os Vingadores sem um pilar intelectual para enfrentar o Doutor Destino. Analisamos por que o Fera (Hank McCoy) é o substituto estratégico ideal, unindo seu histórico como Vingador nos quadrinhos à sua estreia tecnológica em ‘As Marvels’.
Quando Tony Stark estalou os dedos em ‘Vingadores: Ultimato’, o MCU não perdeu apenas seu herói mais carismático — perdeu seu centro de gravidade intelectual. O gênio que construía soluções impossíveis em garagens e hackeava o tempo deixou um vácuo que, seis anos depois, ainda não foi preenchido. Bruce Banner está em um hiato meditativo, Shuri foca em Wakanda e Reed Richards ainda é uma promessa distante. Com a confirmação de que os heróis enfrentarão o Doutor Destino em ‘Vingadores: Doomsday’, a ausência de um ‘estrategista científico’ torna-se uma vulnerabilidade crítica.
É aqui que a entrada de Hank McCoy — o Fera — deixa de ser um mero fan service multiversal para se tornar uma necessidade tática. Mais do que um mutante azul, McCoy é a peça que pode restaurar o ‘QI coletivo’ que os Vingadores perderam com a saída de Stark.
O problema do QI: os Vingadores perderam a capacidade de antecipação
Pense nos momentos decisivos da Saga do Infinito. Tony Stark não apenas lutava; ele antecipava ameaças através da tecnologia. Sem ele, o time atual de Sam Wilson é formidável em combate físico, mas perigosamente vulnerável a ameaças cerebrais. Capitã Marvel resolve problemas com força bruta cósmica e Shang-Chi com maestria marcial, mas nenhum deles consegue desconstruir a ciência por trás de uma incursão multiversal.
Contra Victor Von Doom — um vilão que funde feitiçaria com tecnologia de ponta — essa deficiência é fatal. Os Vingadores precisam de alguém que opere na mesma frequência intelectual do inimigo. O Fera, com sua expertise em genética, física e bioengenharia, é o único personagem atualmente no tabuleiro capaz de preencher esse papel de consultor científico de alto nível.
Fera nos quadrinhos: um Vingador por direito histórico
Para o público que conhece o Fera apenas pelos filmes da Fox como o ‘azulão simpático’, sua integração aos Vingadores pode parecer forçada. Contudo, nos quadrinhos, essa história começou em 1976. Hank McCoy não foi um membro temporário; ele foi um pilar fixo do time durante anos, lutando ao lado de ícones como Capitão América e Visão.
Essa distinção é vital para o MCU: o Fera sempre foi o mutante mais ‘humano’ dos X-Men, o diplomata que transitava entre as espécies. Enquanto outros mutantes se isolavam em Westchester, McCoy debatia ciência com Stark e Banner. Trazer essa versão de ‘Vingador Cientista’ para as telas resolve o maior problema de integração dos X-Men: como introduzi-los sem que pareçam estrangeiros no próprio universo.
A lição ignorada de ‘As Marvels’
A aparição de Kelsey Grammer em ‘As Marvels’ foi curta, mas tecnicamente reveladora. Diferente da versão puramente prática dos filmes antigos, o Fera do MCU (ou de sua realidade paralela) exala uma autoridade clínica. Ele não está ali apenas para lutar, mas para observar e analisar a estrutura da realidade. A escolha de Grammer — um ator conhecido por sua voz erudita e presença intelectual — reforça que a Marvel não quer apenas um ‘tanque’ azul, mas um mentor.
Com a confirmação de diversos mutantes em ‘Doomsday’, o Fera se posiciona como a ponte ideal. Ele pode ser o tradutor da ameaça do Doutor Destino para o resto do time, transformando conceitos abstratos de física multiversal em planos de ação concretos. É o papel que Stark desempenhou em ‘The Avengers’ (2012) ao decifrar o funcionamento do Tesseract.
Cientista vs. Engenheiro: a mudança de paradigma
A substituição de Stark pelo Fera traz uma mudança interessante na textura do MCU. Tony era um engenheiro; ele resolvia problemas construindo máquinas. Hank McCoy é um biólogo e físico teórico; ele resolve problemas entendendo a natureza da evolução e da matéria. Em uma saga focada em Multiverso e variantes, ter um herói que entende a ‘biologia da realidade’ é mais útil do que um que constrói armaduras de metal.
Além disso, o Fera oferece uma dinâmica emocional que Stark não tinha: a humildade acadêmica. Enquanto o ego de Tony muitas vezes cegava o time (vide a criação de Ultron), McCoy é movido por uma curiosidade cautelosa. Ele é a ‘cola’ diplomática que o time de Sam Wilson precisa para lidar com as tensões que surgirão quando os X-Men e os Vingadores finalmente ocuparem o mesmo espaço.
O fator Kelsey Grammer: idade como autoridade
Aos 70 anos, Kelsey Grammer pode não ser a escolha óbvia para sequências de ação frenéticas, mas ele é perfeito para o papel de ‘Eminência Parda’ da ciência. O MCU já tem heróis jovens e atléticos de sobra. O que falta é a figura do veterano intelectual — o equivalente ao que o Professor Xavier representa para os mutantes, mas focado na logística dos Vingadores.
Se ‘Doomsday’ for inteligente, usará o Fera como o arquiteto da resistência contra Destino. Ele não precisa dar o soco final; ele precisa ser o cara que diz onde o soco deve ser dado para que o multiverso não colapse. É uma transição de tocha orgânica: da genialidade tecnológica de Stark para a sabedoria científica de McCoy.
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Perguntas Frequentes sobre o Fera em ‘Vingadores: Doomsday’
O Fera já foi um membro dos Vingadores?
Sim. Nos quadrinhos, Hank McCoy (Fera) juntou-se oficialmente aos Vingadores em 1976 (Avengers #137) e foi um membro ativo e proeminente da equipe por muitos anos, antes de retornar aos X-Men.
Quem interpreta o Fera no MCU atualmente?
Kelsey Grammer reprisou seu papel como Fera na cena pós-créditos de ‘As Marvels’ (2023). Ele já havia interpretado o personagem originalmente em ‘X-Men: O Confronto Final’ (2006).
O Fera estará em ‘Vingadores: Doomsday’?
Embora a Marvel não tenha confirmado o elenco completo, rumores e o final de ‘As Marvels’ indicam que os mutantes da Fox, incluindo o Fera, terão um papel fundamental na trama multiversal contra o Doutor Destino.
Qual a diferença entre o Fera e o Tony Stark para a equipe?
Enquanto Stark era focado em engenharia e tecnologia bélica, o Fera traz expertise em física teórica e biologia. Narrativamente, o Fera serve como uma ponte diplomática entre humanos e mutantes, algo que Stark nunca precisou gerenciar.

