‘Trying’: a dramedia do Apple TV que supera ‘Ted Lasso’ em crítica e emoção

Descubra por que ‘Trying’ no Apple TV+ supera ‘Ted Lasso’ ao transformar a burocracia da adoção em drama maduro. Com o salto de 6 anos e a experiência real do criador, a série redefine o gênero dramedia sem apelar para frases de efeito.

Quando ‘Ted Lasso’ estreou em 2020, o mundo desesperava por um otimismo agressivo e esquemas motivacionais. Mas enquanto Jason Sudeikis nos ensinava a acreditar em nós mesmos, outra série britânica fazia algo muito mais difícil e honesto: ensinava a lidar com a dura realidade sem recorrer a frases de efeito. Se você busca a próxima grande dramedia do streaming, ‘Trying’ no Apple TV+ não é apenas um substituto à altura para a saudade do técnico americano — é uma evolução madura do gênero que, ironicamente, chegou à plataforma meses antes do aclame unânime a Richmond.

Burocracia vs. motivação: por que ‘Trying’ supera ‘Ted Lasso’

Burocracia vs. motivação: por que 'Trying' supera 'Ted Lasso'

‘Trying’ ostenta 96% de aprovação no Rotten Tomatoes — superior aos 90% de ‘Ted Lasso’ e aos 93% de ‘Falando a Real’, sua prima espiritual também no Apple TV+ e co-criada por Brett Goldstein. A diferença fundamental tá na ferramenta emocional de cada série. Onde ‘Ted Lasso’ usa o coração como um escudo contra o cinismo do futebol moderno, ‘Trying’ usa o humor britânico seco como mecanismo de sobrevivência contra a tragédia burocrática. Jason (Rafe Spall) e Nikki (Esther Smith) não estão tentando conquistar uma taça; eles estão tentando provar a um Estado frio e invasivo que merecem formar uma família. A tensão aqui não é se o time vai ganhar, mas se um assistente social qualquer vai destruir o sonho deles com um carimbo.

A adoção sem conto de fadas: o DNA real de Andy Wolton

A maioria das séries sobre paternidade adota um tom santificado. ‘Trying’ recusa isso no primeiro episódio. A razão é simples e brutal: o criador Andy Wolton foi adotado. Ele não escreve sobre a adoção como um ato de caridade, mas como um processo longo, doloroso e cheio de humilhações íntimas. A ansiedade palpável na segunda temporada, nas cenas de inspeção do apartamento, é um exemplo perfeito: cada detalhe da vida do casal é dissecado por estranhos — a garrafa de vinho na mesa vira evidência de alcoolismo em potencial, um quadro na parede vira julgamento de classe. E quando Tyler e Princess finalmente chegam, a série não alivia: mostra o luto de crianças que já foram abandonadas e a culpa crônica de pais que não sabem como consertar um trauma que não causaram. É aqui que a série supera a própria inspiração — ela não tem medo de sujar as mãos com a parte feia do amor.

O salto de 6 anos que ‘Ted Lasso’ nunca ousaria dar

O salto de 6 anos que 'Ted Lasso' nunca ousaria dar

Entre a terceira e a quarta temporada, ‘Trying’ dá um salto temporal de seis anos. A maioria das séries se apega à fase bebê como porto seguro de choros fofos e fraldas trocadas. Wolton entendeu que o verdadeiro teste de uma família adotiva vem quando as crianças viram adolescentes e começam a questionar suas origens. A transição de Jason e Nikki de candidatos desesperados a pais de adolescentes confusos é um salto narrativo que poucas dramedias ousam dar. Enquanto ‘Ted Lasso’ sofreu na sua terceira temporada por confundir ‘maior’ com ‘melhor’ e se perder em arcos dispersos, ‘Trying’ mudou o jogo inteiro, provando que o gênero pode envelhecer e ganhar complexidade sem perder o riso fácil.

O legado da série e o que esperar da 5ª temporada

Com quatro temporadas disponíveis e a quinta confirmada (já gravada, com estreia prevista para este ano), ‘Trying’ se consolida como uma das séries mais duradouras e consistentes do catálogo Apple TV+. A próxima temporada promete trazer nomes pesados como Celia Imrie e Colin Morgan, de ‘As Aventuras de Merlin’, o que sugere que o mundo de Jason e Nikki continua se expandindo para lidar com as novas fronteiras da adolescência. Cada temporada reinventou o obstáculo central com maestria: da aceitação da infertilidade à aprovação burocrática, até a patividade real com crianças traumatizadas.

‘Trying’ é para adultos o que ‘Ted Lasso’ foi para a esperança juvenil. É uma série que respeita a inteligência do público e a dor dos seus personagens, usando a comédia não como fuga, mas como bússola para navegar a burocracia e o medo. Se você aguenta rir das suas próprias frustrações e quer ver uma família sendo construída no tijolo e na sarjeta da vida real, ‘Trying’ é a série. Se prefere que os problemas se resolvam com um biscoito e um discurso motivacional, fique em Richmond.

Para ficar por dentro de tudo que acontece no universo dos filmes, séries e streamings, acompanhe o Cinepoca também pelo Facebook e Instagram!

Perguntas Frequentes sobre ‘Trying’

Onde assistir a série ‘Trying’?

‘Trying’ está disponível exclusivamente no Apple TV+. Todas as quatro temporadas já lançadas podem ser assistidas na plataforma.

Quantas temporadas tem ‘Trying’?

Atualmente, a série possui 4 temporadas completas no Apple TV+. A 5ª temporada já está gravada e tem estreia prevista para 2026.

‘Trying’ é baseada em história real?

Não, a trama é fictícia, mas o criador Andy Wolton foi adotado na vida real. Essa experiência pessoal dá ao roteiro um realismo e uma profundidade raros ao retratar o sistema de adoção britânico.

Preciso ter visto ‘Ted Lasso’ para gostar de ‘Trying’?

Não. Apesar de ambas serem dramedias britânicas no Apple TV+, são histórias completamente independentes. ‘Trying’ foca na jornada de adoção de um casal comum, sem qualquer vínculo com o universo esportivo de ‘Ted Lasso’.

Mais lidas

Lucas Lobinco
Lucas Lobinco
Sou o Lucas, e minha paixão pelo cinema começou com as aventuras épicas e os clássicos de ficção científica que moldaram minha infância. Para mim, cada filme é uma nova oportunidade de explorar mundos e ideias, uma janela para a criatividade humana. Minha jornada não foi nos bastidores da produção, mas sim na arte de desvendar as camadas de uma boa história e compartilhar essa descoberta. Sou movido pela curiosidade de entender o que torna um filme inesquecível, seja a complexidade de um personagem, a inovação visual ou a mensagem atemporal. No Cinepoca, meu foco é trazer uma perspectiva única, mergulhando fundo nos detalhes que fazem um filme valer a pena, e incentivando você a ver a sétima arte com novos olhos.Tenho um apreço especial por filmes de ação e aventura, com suas narrativas grandiosas e sequências de tirar o fôlego. A comédia de humor negro e os thrillers psicológicos também me atraem, pela forma como subvertem expectativas e exploram o lado mais sombrio da psique humana. Além disso, estou sempre atento às novas vozes e tendências que surgem na indústria, buscando os próximos grandes talentos e as histórias que definirão o futuro do cinema.

Veja também