As novas fotos de The Last of Us 3 indicam que a HBO vai adaptar com fidelidade o arco de Abby e Lev, mantendo Seattle como zona de guerra entre WLF e Seraphites. Explicamos por que esse detalhe importa mais do que o simples fan service visual.
As novas fotos do set de The Last of Us 3 fazem mais do que alimentar especulações: elas apontam com clareza para a direção da adaptação do arco de Abby. Nas imagens, Kaitlyn Dever e Kyriana Kratter aparecem caracterizadas como Abby e Lev, armados e em deslocamento por uma Seattle devastada — um indício forte de que a HBO vai levar para a tela não só a parceria entre os dois, mas também o pano de fundo da guerra entre WLF e Seraphites que sustenta esse trecho da história.
O dado realmente relevante aqui não é só ‘quem aparece’ nas fotos. É o que a composição da cena sugere: a série parece comprometida com a fidelidade estrutural do jogo, especialmente na forma como conecta Abby, Lev e o colapso militar-religioso de Seattle. Em vez de tratar esse arco como simples contraponto à jornada de Ellie, a adaptação dá sinais de que vai encará-lo como um núcleo dramático próprio.
Por que Abby e Lev são o centro emocional desse trecho da história
As imagens mostram Abby com um rifle e Lev com arco e flecha, caminhando juntos em meio a escombros urbanos. Para quem conhece The Last of Us Part II, a iconografia é familiar: não se trata apenas de uma dupla em fuga, mas de uma aliança improvável formada dentro de um território em guerra. A série, ao que tudo indica, preserva esse desenho essencial.
Isso importa porque Lev não funciona como ‘coadjuvante que humaniza Abby’ de forma mecânica. No jogo, ele reorganiza a perspectiva dela. Abby entra nessa parte da narrativa como alguém moldada pela lógica da violência da WLF; a convivência com Lev a desloca dessa engrenagem. Se a adaptação acertar esse eixo, não estará apenas reproduzindo eventos, mas preservando o conflito moral que faz esse arco funcionar.
A escalação de Kyriana Kratter também reforça essa intenção. A personagem exige uma presença capaz de combinar reserva, vulnerabilidade e firmeza. Lev é escrito como alguém que carrega medo, trauma e convicção ao mesmo tempo. Se a série mantiver essa calibragem, evita o erro de reduzir a relação a atalho emocional.
As fotos indicam que Seattle continuará sendo mais que cenário
O aspecto mais interessante dessas imagens talvez seja o ambiente. The Last of Us 3 não deve tratar Seattle apenas como ruína pós-apocalíptica genérica. No material de origem, a cidade é um campo de guerra ativo, dividido entre a disciplina paramilitar da WLF e o extremismo religioso dos Seraphites. Esse conflito não serve de fundo decorativo; ele pressiona cada decisão de Abby e Lev.
É aqui que a fidelidade ao jogo pode aparecer de forma mais inteligente. Não basta repetir figurino, arma ou enquadramento reconhecível. O essencial é fazer a cidade respirar como território disputado, com patrulhas, emboscadas, cicatrizes visuais e sensação constante de deslocamento. Se a produção mantiver isso, Seattle volta a ser personagem — como já aconteceu em diferentes momentos do jogo, quando arquitetura, chuva, som ambiente e bloqueios físicos transformavam a travessia em tensão dramática.
Do ponto de vista técnico, esse tipo de sequência depende muito de direção de arte e desenho de som. No jogo, a presença dos Seraphites era frequentemente anunciada antes de ser vista, por assobios, silêncio súbito e sensação de cerco. Se a série quiser traduzir esse efeito, não bastará filmar ruas destruídas; será preciso construir uma ambiência que torne a guerra legível mesmo quando ela não está no quadro.
Fidelidade aqui não é copiar frame do jogo
É tentador olhar para as fotos e concluir apenas que a HBO está ‘recriando cenas’. Mas esse é o nível mais raso da discussão. A boa adaptação de The Last of Us Part II não depende de decalcar momentos icônicos; depende de preservar a função dramática deles. Abby e Lev juntos, armados e em missão, significam muito porque esse trecho da narrativa reorganiza a moral da história.
A fidelidade mais importante é a de perspectiva. O jogo obrigava o jogador a habitar o ponto de vista de Abby por tempo suficiente para desmontar certezas fáceis. Se a série mantiver esse princípio, estará sendo mais fiel do que qualquer reprodução literal de cenário. E as fotos sugerem exatamente isso: confiança no arco de Abby como estrutura, não como concessão.
Também vale situar esse movimento dentro da lógica da própria adaptação da HBO. Desde a primeira temporada, Craig Mazin e Neil Druckmann têm alternado respeito ao material original com ajustes de ritmo e ênfase dramática. Quando funciona, a série não ilustra o jogo; ela traduz suas intenções para outra linguagem. No caso de Abby, essa tradução será testada no limite, porque boa parte do impacto vem da mudança de alinhamento emocional do público.
O arco de Abby será julgado pela execução, não pela controvérsia
O debate em torno de Abby quase sempre descamba para reação de audiência, e esse é justamente o ponto menos interessante neste estágio. O que essas fotos revelam de fato é outra coisa: a produção parece menos preocupada em suavizar a personagem e mais interessada em sustentar seu arco como ele precisa ser sustentado — com dureza, deslocamento e contexto.
No jogo, Abby não funciona porque pede aprovação do público. Ela funciona porque a narrativa dá a ela espaço, contradição e consequência. A série tem agora a mesma tarefa. Se tentar proteger o espectador do desconforto, enfraquece a proposta. Se aceitar a aspereza da mudança de perspectiva, pode encontrar uma das partes mais ricas de The Last of Us.
Por isso, essas fotos do set de The Last of Us 3 são relevantes. Elas não apenas confirmam a presença de Abby e Lev em ação. Elas indicam que a HBO deve adaptar esse trecho com atenção ao que realmente importa: a aliança entre os dois, a guerra civil em Seattle e a fidelidade ao desenho moral do jogo.
Para quem essa nova fase da série deve funcionar
Se você se interessa por adaptações que preservam a arquitetura dramática do material original, as imagens são promissoras. Tudo indica que The Last of Us 3 não vai tratar o arco de Abby como desvio, mas como parte central da história. Para quem esperava uma leitura mais cautelosa ou simplificada, o caminho sugerido pelo set aponta na direção oposta.
Em outras palavras: esta fase da série tende a funcionar melhor para quem aceita mudanças de perspectiva, conflito moral e uma ação menos heroica do que brutal. Já quem espera uma narrativa de vingança mais direta, sem reorientação emocional, talvez encontre aqui o trecho mais desafiador de toda a adaptação.
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Perguntas Frequentes sobre The Last of Us 3
As fotos do set de The Last of Us 3 mostram quais personagens?
As imagens mostram Abby e Lev, interpretados por Kaitlyn Dever e Kyriana Kratter. Os dois aparecem armados e circulando por uma Seattle destruída, o que sugere adaptação direta de momentos do arco deles no jogo.
The Last of Us 3 vai adaptar qual parte do jogo?
Os indícios apontam para a parte de The Last of Us Part II centrada em Abby, especialmente sua travessia por Seattle e a aliança com Lev. A expectativa é que a série desenvolva esse ponto de vista com mais tempo de tela.
Quem são a WLF e os Seraphites em The Last of Us?
A WLF é uma facção paramilitar que controla parte de Seattle, enquanto os Seraphites formam um grupo religioso radical rival. O conflito entre os dois define o ambiente de guerra civil que cerca Abby e Lev nessa fase da história.
Preciso jogar The Last of Us Part II para entender The Last of Us 3?
Não necessariamente. A série foi construída para funcionar de forma independente, mas conhecer The Last of Us Part II ajuda a reconhecer a importância de Abby, Lev e da guerra em Seattle com mais antecedência.
Quando estreia The Last of Us 3?
Até o momento, a HBO ainda não confirmou a data de estreia de The Last of Us 3. Com filmagens em andamento em 2026, a previsão mais segura é acompanhar os anúncios oficiais da emissora e da Max.

