‘Taboo’: por que a série sombria de Tom Hardy merece ser revisitada após ‘Terra da Máfia’

‘Taboo série Tom Hardy’ é o projeto mais pessoal do ator — co-criado com seu pai. Analisamos por que o drama histórico de 1814, com elementos sobrenaturais, merece ser revisitado após ‘Terra da Máfia’, e atualizamos o futuro da 2ª temporada após anos de espera.

Se você terminou ‘Terra da Máfia’ e ficou com aquele vazio de “e agora?”, existe outro projeto de Tom Hardy no gênero crime que é ainda mais ambicioso — e injustamente esquecido. ‘Taboo’ série Tom Hardy chegou em 2017 como uma produção que combina drama histórico, elementos sobrenaturais e a presença de Hardy em seu papel mais complexo na TV.

O sucesso de ‘Terra da Máfia’ não é coincidência. Hardy tem um histórico de escolhas interessantes no gênero — de sua participação em ‘Peaky Blinders: Sangue, Apostas e Navalhas’ a este projeto que, curiosamente, permanece em limbo há quase uma década. A diferença? ‘Taboo’ é o projeto mais pessoal da carreira dele. E isso muda tudo.

Por que ‘Taboo’ é diferente de qualquer outro drama de crime

Por que 'Taboo' é diferente de qualquer outro drama de crime

Primeiro, vamos situar: ‘Taboo’ se passa em 1814, num Londres sujo, corrupto e industrial. James Delaney (Hardy) retorna à Inglaterra após 12 anos na África, supostamente morto, para herdar o império comercial do pai. O problema? A Companhia das Índias Orientais quer suas terras — especificamente Nootka Sound, um pedaço de território estratégico na América do Norte — e não vai deixar um “aventureiro” atrapalhar seus planos coloniais.

Ambientação histórica à parte, o que torna ‘Taboo’ única é sua recusa em ser apenas uma coisa. É drama de época? Sim. Thriller político? Também. Tem elementos sobrenaturais e rituais africanos? Absolutamente. Essa mistura de gêneros afastou parte do público em 2017 — a crítica gostou, mas o público mainstream não soube onde encaixar a série. Hoje, com a explosão de narrativas híbridas, ‘Taboo’ parece ter chegado antes do seu tempo.

O projeto que Hardy criou com o próprio pai

Aqui está o detalhe que muda completamente como você enxerga esta série: ‘Taboo’ foi co-criada por Tom Hardy, Steven Knight (‘Peaky Blinders’) e Chips Hardy. Chips é o pai de Tom. Isso não é um dado curioso — é o coração emocional do projeto.

James Delaney é um homem obcecado pelo legado do pai, lutando contra forças maiores que tentam apagar sua herança. Difícil não ver paralelos com a colaboração real entre Hardy e seu pai na criação do personagem. O resultado na tela é um trabalho que carrega um peso existencial raro em produções de TV. Quando Delaney sussurra, arrasta as palavras e encara o mundo com aquele olhar de quem viu coisas demais, você sente que Hardy está investido de uma forma que atores raramente estão.

Steven Knight traz a expertise em construir mundos criminosos complexos, mas ‘Taboo’ tem uma textura diferente de ‘Peaky Blinders’. Onde a série dos Shelby é sobre ascensão social e violência operática, ‘Taboo’ é sobre sobrevivência — emocional, espiritual e física. Delaney não quer poder. Ele quer vingança. E a diferença importa.

O que faz de James Delaney um dos melhores personagens de Hardy

O que faz de James Delaney um dos melhores personagens de Hardy

Hardy construiu uma carreira interpretando homens fisicamente imponentes e emocionalmente complexos — de Bane em ‘Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge’ a Max Rockatansky em ‘Mad Max: Estrada da Fúria’. Mas Delaney é diferente. Ele carrega traumas não ditos, crenças sobrenaturais e uma moralidade flexível que o torna imprevisível.

A série usa o corpo de Hardy como linguagem. Na sequência inicial do primeiro episódio, ele surge do nevoeiro no enterro do pai — silhueta escura, chapéu abaixada, sem uma palavra. A fotografia de Mark Patten e Nic Knowland banha tudo em tons de sépia e preto, criando uma Londres que parece podre por dentro. O som ambiente — grilos, madeira rangendo, passos em calçadas molhadas — constrói tensão sem necessidade de diálogos.

Quando Delaney confronta representantes da Companhia das Índias Orientais, a forma como ele domina a cena sem sem levantar a voz é aula de poder silencioso. Hardy entende que intimidação não precisa de gritos — precisa de convicção. Há algo de ‘Terra da Máfia’ nessa abordagem: em ambas, Hardy interpreta homens que comunicam ameaça com pausas e olhares, não com explosões.

O elenco de apoio também brilha. A dinâmica entre Delaney e sua meia-irmã Zilpha (Oona Chaplin) carrega uma tensão que a série nunca explicita completamente — e é melhor assim. Os vilões institucionais da Companhia das Índias Orientais são aterrorizantes precisamente porque são burocratas, não monstros caricatos. Eles representam o mal banal do colonialismo, aquele que destrói vidas com canetas e contratos.

A promessa não cumprida da 2ª temporada — e o que pode acontecer

Aqui entra a parte frustrante. ‘Taboo’ foi renovada para uma segunda temporada em 2017, poucos meses após o lançamento. Knight confirmou em 2021 que seis episódios já estavam escritos. Em 2023, o produtor Dean Baker garantiu que o projeto segue vivo. Em janeiro de 2026, Knight reafirmou: a 2ª temporada continua em desenvolvimento, dependendo apenas da agenda de Hardy.

O final da primeira temporada é perfeito como ponte: Delaney e a “Liga dos Condenados” partem para a América, expandindo o conflito para um novo território. A promessa é de uma série que deixaria Londres para explorar a expansão colonial pelo Atlântico — potencialmente uma narrativa sobre os EUA antes de serem EUA, com Delaney no centro de algo maior.

A espera já dura quase uma década. Hardy esteve ocupado com ‘Venom’, ‘Terra da Máfia’ e outros projetos. Knight tem ‘Peaky Blinders’ e suas próprias prioridades. Ainda faz sentido retornar a ‘Taboo’ depois de tanto tempo? Sim. Porque a série construiu um mundo que merece exploração, e Delaney é um personagem que não se esgota em oito episódios.

Veredito: vale assistir (ou reassistir) agora?

Se você gostou de ‘Terra da Máfia’ pelo Hardy em modo anti-herói criminoso, ‘Taboo’ oferece uma versão mais visceral e estranha desse arquétipo. São apenas oito episódios — perfeitos para maratonar em um fim de semana. Mas venha sem expectativa de resolução completa. A primeira temporada funciona como capítulo inicial de algo maior, e a ausência de continuação pode frustrar quem busca fechamento.

A experiência de assistir ‘Taboo’ vale pelo que ela é, não pelo que promete ser. A direção de Anders Engström e Kristoffer Nyholm cria uma atmosfera opressora que fica sob a pele. A trilha de Max Richter é hipnótica — especialmente o tema principal, que mistura cordas graves com ruídos industriais. E Hardy entrega um trabalho que justifica por que ele é um dos atores mais interessantes da sua geração.

Minha recomendação: assista agora, enquanto o gosto de ‘Terra da Máfia’ ainda está fresco. Se a 2ª temporada finalmente sair, você estará pronto. Se não, terá experimentado uma das séries mais originais da última década — imperfeita, mas imperfeita de um jeito que a maioria das produções não tem coragem de ser.

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Perguntas Frequentes sobre ‘Taboo’

Onde assistir ‘Taboo’ de Tom Hardy?

No Brasil, ‘Taboo’ está disponível na Netflix. A série é uma produção original da BBC One em parceria com a FX, e chegou ao catálogo brasileiro da plataforma em 2017.

Quantos episódios tem ‘Taboo’?

A primeira (e até agora única) temporada tem 8 episódios, cada um com aproximadamente 57 minutos. É uma maratona compacta, possível de assistir em um fim de semana.

‘Taboo’ vai ter 2ª temporada?

Sim, está confirmada desde 2017. Steven Knight afirmou em janeiro de 2026 que seis episódios já estão escritos e o projeto segue vivo, dependendo apenas da agenda de Tom Hardy. Não há data de estreia, porém.

‘Taboo’ é baseado em história real?

Não. James Delaney é um personagem fictício criado por Tom Hardy e seu pai, Chips Hardy. A série, porém, se passa em um contexto histórico real — a Londres de 1814 e o conflito pela posse de Nootka Sound são verídicos, assim como a Companhia das Índias Orientais.

Para quem ‘Taboo’ é recomendado?

Para quem gostou de ‘Terra da Máfia’, ‘Peaky Blinders’ ou anti-heróis moralmente complexos. Também funciona para fãs de dramas de época com atmosfera densa — a série tem elementos sobrenaturais que podem afastar quem prefere realismo estrito.

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Lucas Lobinco
Lucas Lobinco
Sou o Lucas, e minha paixão pelo cinema começou com as aventuras épicas e os clássicos de ficção científica que moldaram minha infância. Para mim, cada filme é uma nova oportunidade de explorar mundos e ideias, uma janela para a criatividade humana. Minha jornada não foi nos bastidores da produção, mas sim na arte de desvendar as camadas de uma boa história e compartilhar essa descoberta. Sou movido pela curiosidade de entender o que torna um filme inesquecível, seja a complexidade de um personagem, a inovação visual ou a mensagem atemporal. No Cinepoca, meu foco é trazer uma perspectiva única, mergulhando fundo nos detalhes que fazem um filme valer a pena, e incentivando você a ver a sétima arte com novos olhos.Tenho um apreço especial por filmes de ação e aventura, com suas narrativas grandiosas e sequências de tirar o fôlego. A comédia de humor negro e os thrillers psicológicos também me atraem, pela forma como subvertem expectativas e exploram o lado mais sombrio da psique humana. Além disso, estou sempre atento às novas vozes e tendências que surgem na indústria, buscando os próximos grandes talentos e as histórias que definirão o futuro do cinema.

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