Jerry O’Connell garante que ‘Star Trek: Lower Decks’ não acabou. Explicamos o grupo de chat do elenco, as ideias de Mike McMahan para um possível retorno e o crossover que colocaria o casal real O’Connell e Rebecca Romijn em tensão profissional na tela.
Vou ser direto: quando a Paramount+ cancelou todas as séries de Star Trek em 2024, eu fiz as pazes com a ideia de que ‘Lower Decks’ tinha sido uma feliz anomalia — uma comédia animada que entendia a Frota Estelar melhor do que muito live-action com orçamento de cinema. Mas Jerry O’Connell, a voz do Comandante Jack Ransom, acabou de plantar uma bandeira no meio do luto. Em pleno painel de 60 anos de Star Trek na San Diego Comic-Con, ele garantiu que Star Trek: Lower Decks não acabou. E não é só otimismo de ator em evento promocional: tem grupo de chat, tem showrunner com ideia na cabeça e tem um crossover que colocaria um casal real da vida real em tensão profissional na tela.
Para quem precisa de contexto: ‘Star Trek: Lower Decks’ terminou em dezembro de 2024 após cinco temporadas, vítima colateral da venda da Paramount para a Skydance Media e da mudança de direção da Paramount+, que cancelou todas as séries de Trek do catálogo. Mas o criador Mike McMahan já tinha dito publicamente, no Bluesky, que tem ideias para ‘pelo menos duas temporadas a mais’ envolvendo a tripulação da USS Cerritos. Agora O’Connell vem a público confirmar: o elenco está de prontidão.
O grupo de chat que mantém Star Trek: Lower Decks viva
Jerry O’Connell revelou ao TrekMovie que faz parte de um ‘grupo de chat com Lower Deckers’ — o elenco da série — onde o clima é de compromisso total. ‘Sempre que vejo Mike McMahan, eu digo: Cara, quando você estiver pronto, a gente vai estar lá’, contou o ator. Ele ainda ilustrou a relação com uma cena que é puro material de fã: no trem para a Comic-Con, encontrou Michael Dorn (o Worf de ‘The Next Generation’), tirou uma foto e mandou na hora para McMahan. A resposta do showrunner? ‘Starfleet heroes.’
Eu adoro esse detalhe porque ele diz tudo sobre o que faz ‘Lower Decks’ funcionar. Não é um elenco que trata a série como item de currículo — é um grupo de nerds que vibra com a oportunidade de brincar no playground de Star Trek. O’Connell foi enfático: ‘Ele não terminou com a Frota Estelar, o Mike McMahan, está no sangue dele.’ Isso não é declaração ensaiada de relações públicas. É a linguagem de quem já tem a mala pronta.
E há um detalhe que reforça essa tese: Tawny Newsome, a voz da Beckett Mariner, já está oficialmente integrada ao futuro da franquia. Em 2024, foi anunciado que ela co-desenvolve uma série de comédia live-action de Star Trek ao lado de Justin Simien. Ou seja, o pessoal de ‘Lower Decks’ não está apenas esperando uma ligação — parte dele já está ajudando a construir o que vem a seguir. Isso aumenta a chance de um revival, porque mantém a equipe próxima das decisões criativas da Paramount+.
O que Mike McMahan ainda quer contar (e por que isso importa)
O final da quinta temporada deixou a porta escancarada. Jack Ransom, o primeiro oficial musculoso e arrogante que passou cinco temporadas sendo o alívio cômico, foi promovido a Capitão da Cerritos — e sua primeira decisão foi nomear Beckett Mariner e Brad Boimler como co-primeiros oficiais. Em uma jogada só, McMahan resumiu o tema central da série: hierarquia importa, mas amizade é o que sustenta a nave.
E as ideias que ele já ventilou para um possível retorno são absurdamente boas. Ransom levando a Cerritos para os quadrantes Delta e Gama, encontrando ‘um Weyoun estranhamente simpático’ (Jeffrey Combs, é claro), mais histórias com as baleias do Cetacean Ops, outro filme holodeck da Vindicta e, principalmente, aprofundando a Vulcana favorita dos fãs, a Tenente T’Lyn. Isso não é ‘vamos ver o que acontece’ — é um showrunner que sabe exatamente onde quer chegar. A pergunta nunca foi criatividade. Foi sempre vontade corporativa.
Por que ‘Lower Decks’ era mais Star Trek do que muita série ‘séria’
Preciso fazer uma pausa aqui para defender um ponto que considero inegociável: ‘Lower Decks’ capturou o espírito de Star Trek melhor do que a maioria dos live-actions pós-2017. Enquanto várias produções confundiam ‘sombrio’ com ‘maduro’, McMahan fazia o oposto — ele ria da Frota Estelar sem nunca desrespeitá-la. A série entendia que a hierarquia militar é uma ferramenta narrativa, não um fim em si mesma, e que os personagens à margem da ação principal são tão heróicos quanto o capitão na ponte.
‘Star Trek: Discovery’ frequentemente tropeçou ao levar a si mesma sério demais, com ameaças cósmicas a cada temporada e um tom de urgência permanente. ‘Picard’ só encontrou o tom certo na terceira temporada, quando abraçou a nostalgia e deixou os personagens respirarem. ‘Lower Decks’, por outro lado, fazia comédia sem nunca ridicularizar a utopia de Gene Roddenberry — e por isso mesmo, conseguia celebrar o otimismo trekker de um jeito que poucos acertaram.
O crossover com ‘Strange New Worlds’ na segunda temporada, ‘Those Old Scientists’, segue sendo um dos melhores episódios de Trek da década. Ver Mariner e Boimler em live-action, interagindo com Pike e Spock, foi um daqueles momentos em que a nostalgia encontra a inovação e as duas saem ganhando. E eu lembro de ter assistido com um sorriso bobo no rosto, pensando: ‘é isso que Star Trek deveria ser — uma conversa contínua entre gerações.’ O cancelamento da série, nesse contexto, não foi apenas uma perda comercial. Foi uma interrupção no diálogo.
O crossover que colocaria um casal real em tensão profissional
Agora a parte que me deixou genuinamente animado. Em entrevista ao ScreenRant, Jerry O’Connell foi perguntado sobre o futuro de Ransom e soltou uma ideia que é ao mesmo tempo provocativa e perfeitamente lógica: um crossover com ‘Strange New Worlds’ onde sua esposa na vida real, Rebecca Romijn, apareceria como Una Chin-Riley — a Number One — servindo sob o comando do Capitão Ransom.
Vamos aos fatos: O’Connell e Romijn são casados desde 2007, e ambos interpretaram primeiros oficiais por anos. Mas a balança de poder mudou. Ransom agora é capitão, enquanto Una foi promovida a Comandante na quarta temporada de ‘Strange New Worlds’ — continua subordinada. Jerry, com o olhar malicioso de quem conhece bem a esposa, resumiu: ‘Haveria muita tensão sexual. Não endossamos esse tipo de coisa no ambiente de trabalho, mas definitivamente haveria faíscas.’
Eu acho essa ideia brilhante por um motivo que vai além do espetáculo de ver um casal real contracenando: ela inverte completamente a dinâmica que ambos construíram na vida real e na ficção. Por anos, Romijn foi a oficial mais velha e experiente de ‘Strange New Worlds’, enquanto O’Connell era o alívio cômico de ‘Lower Decks’. Agora, o personagem dele estaria no comando — e o dela teria que engolir o orgulho. Isso é combustível narrativo puro. E sim, há uma janela: se Una ganhar seu próprio comando no final de ‘Strange New Worlds’, a ideia perde validade. Mas enquanto ela for Number One, a tensão está garantida.
A vantagem da animação (e o precedente de ‘Futurama’)
Existe um detalhe técnico que torna a volta de ‘Lower Decks’ mais provável do que a de qualquer série live-action cancelada: animação não envelhece. Jack Quaid pode estar com 40 e poucos anos daqui a uma década que Boimler continuará com a pele de pêssego. Tawny Newsome pode ganhar dez Oscars que a Mariner continuará sendo a mesma bagunceira adorável. Isso elimina o principal problema logístico de revivals — a agenda e a aparência dos atores.
E o precedente está aí, escancarado: ‘Futurama’ já foi cancelado duas vezes e voltou duas vezes. Uma comédia animada de ficção científica com legião de fãs fiéis? Isso é exatamente o perfil de série que a indústria aprendeu a ressuscitar quando o streaming precisa de conteúdo que gere engajamento sem custo de produção absurdo. A pergunta não é ‘se’ Lower Decks volta. É ‘quando’ a Paramount+ percebe que deixou um ouro na mesa.
No fim das contas, a garantia de Jerry O’Connell não é um contrato assinado — é uma promessa de quem entende o que aquela série significa para as pessoas. O grupo de chat existe, o showrunner tem o arco na cabeça, o elenco está de prontidão e a animação não impõe prazo de validade. Se Mike McMahan disser ‘vamos’, eles estarão lá. Resta saber se a Paramount+ terá a decência de atender o chamado.
E você, já se conformou com o fim de ‘Lower Decks’ ou ainda acredita que a Cerritos vai voltar a voar? Se a ideia do crossover com a Number One te animou tanto quanto me animou, deixa nos comentários — porque se depender da vontade dos fãs, esse grupo de chat vai virar uma série de novo.
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Perguntas Frequentes sobre ‘Star Trek: Lower Decks’
Onde assistir ‘Star Trek: Lower Decks’?
‘Star Trek: Lower Decks’ está disponível no Paramount+, serviço de streaming que concentra o catálogo de Star Trek. Como a disponibilidade varia por região, o ideal é verificar na sua plataforma local se a série está no catálogo.
Quantas temporadas tem ‘Star Trek: Lower Decks’?
‘Star Trek: Lower Decks’ tem cinco temporadas, totalizando 50 episódios, exibidos entre agosto de 2020 e dezembro de 2024. O criador Mike McMahan já afirmou que tem ideias para pelo menos duas temporadas adicionais.
O que significa ‘Lower Decks’ em Star Trek?
‘Lower Decks’ (conveses inferiores, em tradução livre) é o termo usado na Frota Estelar para se referir aos tripulantes de baixa patente que trabalham nos níveis mais baixos da nave, longe da ponte e das missões principais. A série usa esse ponto de vista para mostrar o dia a dia dos oficiais anônimos que mantêm a USS Cerritos funcionando.
Preciso assistir outras séries de Star Trek antes de ver ‘Lower Decks’?
Não. ‘Lower Decks’ funciona como porta de entrada para o universo de Star Trek, especialmente para quem gosta de comédia. Mas a série é repleta de referências a ‘The Next Generation’, ‘Deep Space Nine’ e ‘Voyager’ — quanto mais familiaridade com a franquia, mais camadas você percebe.
Quem são os dubladores principais de ‘Star Trek: Lower Decks’?
Tawny Newsome dá voz a Beckett Mariner, Jack Quaid a Brad Boimler, Noël Wells a D’Vana Tendi e Eugene Cordero a Sam Rutherford. Jerry O’Connell interpreta o Comandante (depois Capitão) Jack Ransom, e Dawnn Lewis é a Capitã Carol Freeman.

