Por que o universo de Taylor Sheridan trocou Montana pelo Texas

A migração do Universo Taylor Sheridan de Montana para o Texas não é apenas estética. Analisamos como a compra do 6666 Ranch e a centralização nos SGS Studios revelam uma estratégia logística que está redefinindo o Western na TV, da nostalgia para a extração.

Quando ‘Yellowstone’ dominou a audiência da TV a cabo, a neve de Montana se tornou tão crucial para a trama quanto qualquer Dutton. As montanhas rochosas, o isolamento e a briga contra o frio construíram a identidade visual e emocional daquele mundo. Mas olhe para os lançamentos de 2026: ‘Landman’, ‘Dutton Ranch’, ‘Frisco King’. O mapa mudou. O Universo Taylor Sheridan trocou as montanhas geladas pelo pó e pelo petróleo do Texas. E entender o porquê exige olhar além da tela — exige olhar para o mapa particular do criador.

De ‘NOLA King’ a ‘Frisco King’: a intervenção cirúrgica de Sheridan

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O caso mais revelador dessa mudança não é um roteiro, é uma decisão de bastidor. O spinoff de ‘Tulsa King’ estrelado por Samuel L. Jackson ia se chamar ‘NOLA King’ e se passar em Nova Orleans. Até que Sheridan, na função de executivo, simplesmente vetou a ideia. Mudou a locação para a cidade de Frisco, perto de Dallas, e rebatizou a série.

Esse não é o comportamento de um roteirista tentando achar a melhor atmosfera para uma história. É a movimentação de um homem construindo um império logístico. Sheridan não está mais envolvido na produção direta de ‘O Dono de Kingstown’ (situada em Michigan) ou da atual temporada de ‘Tulsa King’ (em Oklahoma). Ele está centralizando seu poder criativo em um único ponto do mapa.

Do 6666 Ranch ao SGS: a fábrica de Westerns no Texas

Reduzir essa mudança a ‘inspiração criativa’ é ingenuidade. A migração para o Texas é uma estratégia pessoal e logística que o próprio Sheridan vem arquitetando há anos. Em 2021, ele comprou o lendário 6666 Ranch no condado de King. Não foi um capricho de milionário; foi a aquisição de um cenário de produção permanente. Hoje, suas séries gravam em Fort Worth, especificamente no SGS Studios — o maior estúdio do Texas —, que fica a uma curta distância de sua casa em Weatherford.

Pense na economia de escala: em vez de despachar equipes enormes para acampamentos remotos em Montana ou Utah, Sheridan opera no seu próprio quintal. Até mesmo as séries de 2026 que ainda se passam em Montana, como ‘Marshals’ e ‘The Madison’, são parcialmente gravadas no complexo texano. Ele encontrou uma forma de manter a mitologia das Montanhas Rochosas sem precisar pisar na neve de verdade. É uma centralização industrial que qualquer estúdio de Hollywood invejaria, mas feita nos termos de um cowboy.

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Há uma simetria nessa trajetória. A estreia de Sheridan na TV não foi em uma nevasca, mas no calor do sul. Ele atuou em ‘Walker, Texas Ranger’ nos anos 90. A carreira do homem está, literalmente, dando uma volta completa. O garoto que começou na televisão texana voltou para casa como o criador que controla o gênero Western na TV contemporânea.

Só que essa volta tem um preço criativo — e também um ganho. O Texas de Sheridan não é o das fotos de cartão-postal. Quando assistimos a ‘Landman’, com aquela paisagem árida do Texas Panhandle perfurada por torres de petróleo, fica claro que o estado funciona como um personagem muito diferente de Montana. O Montana de ‘Yellowstone’ era sobre a preservação de um mito moribundo contra a modernidade; o Texas de Sheridan é sobre a brutalidade do capital, onde a terra não é legado, mas recurso a ser perfurado. A troca geográfica trocou a nostalgia pela extração, trazendo um Western menos romântico e muito mais ferino.

O preço criativo de um império centralizado

Existe, claro, um perigo nessa centralização. Ao transformar seu quintal no centro gravitacional de todas as suas séries, Sheridan corre o risco de criar um ecossistema visualmente monótono. Se todos os caminhos levam a Fort Worth, o horizonte pode começar a parecer sempre o mesmo.

Mas, por enquanto, a estratégia funciona. O criador percebeu algo que a indústria de Hollywood demorou a aceitar: você não precisa estar em Los Angeles ou Nova York para ditar o que o mundo assiste. O Universo Taylor Sheridan mudou para o Texas porque Sheridan decidiu que não ia mais trabalhar para o sistema — ele ia fazer o sistema trabalhar no quintal dele. E se isso significa que Beth Dutton e Rip Wheeler vão ter que trocar o casaco de lã por um chapéu de couro em ‘Dutton Ranch’, que assim seja. O Velho Oeste nunca foi sobre a paisagem real, mas sobre quem controla a terra.

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Perguntas Frequentes sobre o Universo Taylor Sheridan

Onde as séries de Taylor Sheridan são gravadas atualmente?

A maior parte das produções recentes de Taylor Sheridan é gravada no Texas, especificamente em Fort Worth, no SGS Studios, e no 6666 Ranch, que o criador comprou em 2021.

Taylor Sheridan é dono do 6666 Ranch?

Sim. Em 2021, um grupo de investidores liderado por Taylor Sheridan comprou o histórico 6666 Ranch (ou Four Sixes Ranch) no Texas, que agora funciona também como locação fixa para suas produções.

O que é ‘Frisco King’?

‘Frisco King’ é o novo spinoff de ‘Tulsa King’ estrelado por Samuel L. Jackson. Originalmente, a série se chamaria ‘NOLA King’ e se passaria em Nova Orleans, mas Sheridan mudou a locação para Frisco, no Texas, por razões logísticas.

Qual a diferença entre o cenário de Montana e o Texas nas séries de Sheridan?

Montana, em ‘Yellowstone’, representa a luta pela preservação de um modo de vida e da terra como legado. O Texas, como visto em ‘Landman’, representa a terra como recurso explorável e a brutalidade do capital, resultando em um Western mais focado em extração do que em nostalgia.

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Lucas Lobinco
Lucas Lobinco
Sou o Lucas, e minha paixão pelo cinema começou com as aventuras épicas e os clássicos de ficção científica que moldaram minha infância. Para mim, cada filme é uma nova oportunidade de explorar mundos e ideias, uma janela para a criatividade humana. Minha jornada não foi nos bastidores da produção, mas sim na arte de desvendar as camadas de uma boa história e compartilhar essa descoberta. Sou movido pela curiosidade de entender o que torna um filme inesquecível, seja a complexidade de um personagem, a inovação visual ou a mensagem atemporal. No Cinepoca, meu foco é trazer uma perspectiva única, mergulhando fundo nos detalhes que fazem um filme valer a pena, e incentivando você a ver a sétima arte com novos olhos.Tenho um apreço especial por filmes de ação e aventura, com suas narrativas grandiosas e sequências de tirar o fôlego. A comédia de humor negro e os thrillers psicológicos também me atraem, pela forma como subvertem expectativas e exploram o lado mais sombrio da psique humana. Além disso, estou sempre atento às novas vozes e tendências que surgem na indústria, buscando os próximos grandes talentos e as histórias que definirão o futuro do cinema.

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