O fim da era Steve Rogers e o dilema do Capitão América no MCU

Analisamos por que a transição de Steve Rogers para Sam Wilson falhou no MCU e como o retorno de Chris Evans em ‘Vingadores: Doutor Destino’ sinaliza um pânico criativo na Marvel Studios. Entenda o abismo técnico e emocional que ‘Admirável Mundo Novo’ não conseguiu superar.

Existe um tipo de fracasso que diz mais sobre uma franquia do que qualquer sucesso bilionário. O Capitão América MCU vive hoje seu momento de maior crise de identidade. O que vimos com o desempenho de ‘Capitão América: Admirável Mundo Novo’ no início de 2025 não foi apenas um tropeço comercial, mas o colapso de uma estratégia de sucessão que a Marvel Studios acreditava ser infalível.

Quando Kevin Feige admitiu que a bilheteria decepcionante se devia a “ser o primeiro sem Chris Evans”, ele não estava apenas dando uma desculpa aos acionistas. Ele estava confessando que o escudo, por si só, não carrega o filme. Sam Wilson herdou o vibranium, mas o peso dramático que Steve Rogers construiu em uma década provou ser intransferível. Agora, com o retorno de Evans confirmado para ‘Vingadores: Doutor Destino’, a Marvel inicia uma manobra de correção de rota que beira o desespero criativo.

O abismo técnico entre Steve Rogers e Sam Wilson

O abismo técnico entre Steve Rogers e Sam Wilson

Para entender por que o público rejeitou a transição, precisamos olhar além do carisma. A trilogia original de Steve Rogers, especialmente sob o comando dos irmãos Russo, estabeleceu uma linguagem visual tátil. Em ‘Capitão América: O Soldado Invernal’, a coreografia de luta era visceral — lembre-se da cena do elevador ou do confronto na rodovia; havia peso, suor e uma câmera que valorizava o impacto físico.

Em ‘Admirável Mundo Novo’, essa organicidade foi substituída por um excesso de compositing digital. Sam Wilson, por não ser um super-soldado, depende de voo e tecnologia. O resultado é um herói que passa 80% do tempo em telas verdes, perdendo a conexão “pé no chão” que definia a marca Capitão América. O público não sente o perigo quando tudo parece um videogame de alto orçamento. O erro da Marvel não foi trocar o ator, foi trocar o gênero: de thriller político de espionagem para mais um espetáculo genérico de CGI.

O retorno de Chris Evans: Fan service ou sobrevivência?

A confirmação de Evans em ‘Vingadores: Doutor Destino’ é uma admissão de derrota estratégica. Repare que a Marvel enfatiza o retorno de “Steve Rogers”, não necessariamente do “Capitão América”. Essa distinção é crucial. Sam Wilson continua com o título oficial, mas Steve volta como a âncora moral que o estúdio não conseguiu replicar em nenhum novo herói da Fase 4 ou 5.

Os Russo, que retornam para dirigir ‘Doomsday’, sabem que precisam de um pilar de confiança para que o público aceite a nova ameaça de Robert Downey Jr. como Victor von Doom. Sem Evans, o confronto careceria de história. O problema é que essa decisão esvazia completamente a jornada de Sam. Se o “verdadeiro” líder volta sempre que as coisas ficam difíceis, Sam Wilson deixa de ser o sucessor para se tornar um substituto temporário.

O dilema ético da Marvel com o legado de ‘Ultimato’

‘Vingadores: Ultimato’ entregou o final mais perfeito da história do gênero. Steve Rogers envelhecendo em paz foi o fecho de um arco de sacrifício. Trazer uma versão jovem de volta — seja via multiverso ou rejuvenescimento — quebra o pacto emocional feito com a audiência em 2019. É o sintoma de um estúdio que parou de olhar para o futuro porque está aterrorizado com o presente.

O risco aqui é a irrelevância de longo prazo. Ao recorrer a Evans e Downey Jr. novamente, a Marvel sinaliza que não confia em seus novos personagens (Shang-Chi, Yelena Belova, Sam Wilson) para carregar o piano. Se ‘Guerras Secretas’ realmente servir como um soft reboot, a tendência é que vejamos um novo ator assumindo Steve Rogers permanentemente, seguindo o modelo de James Bond. É uma saída comercialmente segura, mas artisticamente pobre.

Para quem fica o escudo no final das contas?

O cenário para o Capitão América MCU é de fragmentação. Teremos um Capitão de título (Sam) e um Capitão de espírito (Steve). Essa dualidade raramente funciona no cinema sem que um obscureça o outro. Para Sam Wilson sobreviver, a Marvel precisaria dar a ele um roteiro que explorasse sua humanidade em um mundo de deuses, algo que ‘Admirável Mundo Novo’ falhou em fazer ao focar em Hulks Vermelhos e conspirações globais genéricas.

A verdade incômoda é que o MCU não aprendeu a passar o bastão. Eles entregaram o objeto, mas esqueceram de transferir a alma da narrativa. Enquanto o estúdio depender do carisma de 2011 para vender ingressos em 2026, o Capitão América continuará sendo um herói olhando pelo retrovisor.

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Perguntas Frequentes sobre o Capitão América no MCU

Chris Evans vai voltar como Capitão América?

Sim, Chris Evans está confirmado para retornar como Steve Rogers em ‘Vingadores: Doutor Destino’ (2026). No entanto, ainda não foi confirmado se ele retomará o manto de Capitão América ou se aparecerá como uma variante de outro universo.

Sam Wilson deixará de ser o Capitão América?

Até o momento, Sam Wilson (Anthony Mackie) permanece como o Capitão América oficial da linha do tempo principal do MCU. O retorno de Steve Rogers cria um cenário de coexistência, mas não anula o título de Sam estabelecido em ‘Falcão e o Soldado Invernal’.

Por que ‘Capitão América: Admirável Mundo Novo’ foi mal na bilheteria?

Críticos e analistas apontam a fadiga do gênero, o excesso de refilmagens que inflaram o orçamento e a dificuldade do público em aceitar a transição de protagonista sem uma conexão emocional forte como os principais motivos do desempenho abaixo do esperado.

Qual a ordem dos filmes do Capitão América no MCU?

A ordem cronológica dos filmes solo é: ‘O Primeiro Vingador’, ‘O Soldado Invernal’, ‘Guerra Civil’ e ‘Admirável Mundo Novo’. É essencial assistir às séries do Disney+ para entender a transição de Sam Wilson.

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Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

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