‘O Estranho que Nós Amamos’: o tenso thriller gótico de Farrell na Netflix

Em ‘O Estranho que Nós Amamos Netflix’, Sofia Coppola transforma o clássico de 1971 ao inverter o olhar masculino de Don Siegel. Analisamos como a diretora usa a claustrofobia feminina, a fotografia de Philippe Le Sourd e a atuação calculada de Colin Farrell para criar um thriller gótico sobre repressão e poder.

Quando a Netflix adiciona um título ao catálogo, é fácil que ele se perca entre lançamentos genéricos. Mas a chegada de O Estranho que Nós Amamos Netflix a partir de 1º de julho não é apenas mais um drama de época. Trata-se de um remake que faz algo raro: dialoga diretamente com o clássico controverso de Don Siegel de 1971, mudando o ponto de vista e transformando o material original em um thriller gótico sufocante.

Como Sofia Coppola reescreve o olhar masculino de Don Siegel

Como Sofia Coppola reescreve o olhar masculino de Don Siegel

Em 1971, Don Siegel adaptou o romance de Thomas Cullinan com Clint Eastwood no papel do soldado ferido. O filme era um Southern Gothic cínico, quase sádico, que via as mulheres do internato como predadoras histéricas e o homem como vítima cercada. O olhar era inegavelmente masculino.

Sofia Coppola discorda dessa leitura. Em vez de repetir a estrutura, ela inverte a perspectiva: retira o foco do soldado e mergulha na claustrofobia feminina. A Guerra Civil americana deixa de ser apenas cenário e vira espelho do colapso emocional dentro da casa. A tensão nasce da forma como a presença de um homem desequilibra a frágil ecologia daquele internato, não de quem seduz quem.

Colin Farrell: o predador que escolhe ser presa

Longe do carisma rústico de Eastwood, Colin Farrell constrói John McBurney como um homem que entende rapidamente que sua sobrevivência depende de vulnerabilidade performática. Ele bajula a autoridade de Miss Martha (Nicole Kidman), desperta o desejo reprimido de Edwina (Kirsten Dunst) e desperta a curiosidade sexual de Alicia (Elle Fanning).

A cena do jantar é particularmente reveladora: Farrell sorri, agradece, faz-se pequeno. Cada gesto é calculado para manter o equilíbrio de poder a seu favor. Farrell entrega exatamente a mistura certa de encanto e repulsa para que compreendamos por que todas, mesmo desconfiando, acabam caindo em sua rede.

Fotografia mórbida e tensão construída no silêncio

Fotografia mórbida e tensão construída no silêncio

A fotografia de Philippe Le Sourd usa luz natural de forma quase dogmática. O interior da casa é escuro, abafado, dominado por sombras que parecem engolir as personagens. O exterior, onde a guerra acontece, é luminoso e letal. Essa oposição visual cria uma sensação constante de perigo iminente sem precisar de sustos.

O elenco feminino sustenta essa atmosfera. Nicole Kidman transforma a rigidez de Miss Martha em mecanismo de defesa. Kirsten Dunst carrega o peso do desejo contido com uma melancolia física. Elle Fanning, Oona Laurence e Angourica Rice completam um grupo onde olhares cruzados e uma colher de sopa servida com rancor carregam mais tensão que qualquer explosão.

Por que o filme de Coppola resiste melhor ao tempo

Com 79% de aprovação no Rotten Tomatoes e nenhuma indicação ao Oscar, O Estranho que Nós Amamos passou batido em 2017. O tempo, no entanto, favorece filmes com clareza de intenção. Coppola não apenas refilmou uma história: ela duelou com o original e usou a câmera para provar seu ponto.

Se você busca ação constante, o filme vai parecer lento. Mas se aprecia terror psicológico onde a tensão ferve sob cortesias sociais e vestidos de época, O Estranho que Nós Amamos Netflix recompensa quem se entrega à sua atmosfera. É um daqueles raros remakes que não copia, mas responde ao material original.

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Perguntas Frequentes sobre ‘O Estranho que Nós Amamos’

Onde assistir ‘O Estranho que Nós Amamos’?

‘O Estranho que Nós Amamos’ chega à Netflix a partir de 1º de julho de 2026. É uma produção de 2017 dirigida por Sofia Coppola que está sendo adicionada ao catálogo da plataforma.

Qual a diferença entre ‘O Estranho que Nós Amamos’ e o filme de 1971?

A versão de Sofia Coppola inverte o ponto de vista: enquanto o filme de Don Siegel com Clint Eastwood via as mulheres como predadoras, Coppola foca na repressão feminina e na forma como a presença do soldado desequilibra o internato.

Quanto tempo dura ‘O Estranho que Nós Amamos’?

O filme tem 1 hora e 33 minutos de duração. Apesar do ritmo deliberadamente lento, a narrativa é enxuta e não há cenas desnecessárias.

‘O Estranho que Nós Amamos’ é baseado em livro?

Sim. O filme é adaptação do romance ‘The Beguiled’ de Thomas Cullinan, publicado em 1966. Tanto a versão de 1971 quanto a de 2017 são baseadas no mesmo livro.

O filme tem muita violência?

A violência é mais psicológica do que gráfica. Há uma cena de amputação e momentos de tensão sexual, mas o terror vem principalmente da atmosfera sufocante e das dinâmicas de poder entre as personagens.

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Lucas Lobinco
Lucas Lobinco
Sou o Lucas, e minha paixão pelo cinema começou com as aventuras épicas e os clássicos de ficção científica que moldaram minha infância. Para mim, cada filme é uma nova oportunidade de explorar mundos e ideias, uma janela para a criatividade humana. Minha jornada não foi nos bastidores da produção, mas sim na arte de desvendar as camadas de uma boa história e compartilhar essa descoberta. Sou movido pela curiosidade de entender o que torna um filme inesquecível, seja a complexidade de um personagem, a inovação visual ou a mensagem atemporal. No Cinepoca, meu foco é trazer uma perspectiva única, mergulhando fundo nos detalhes que fazem um filme valer a pena, e incentivando você a ver a sétima arte com novos olhos.Tenho um apreço especial por filmes de ação e aventura, com suas narrativas grandiosas e sequências de tirar o fôlego. A comédia de humor negro e os thrillers psicológicos também me atraem, pela forma como subvertem expectativas e exploram o lado mais sombrio da psique humana. Além disso, estou sempre atento às novas vozes e tendências que surgem na indústria, buscando os próximos grandes talentos e as histórias que definirão o futuro do cinema.

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