Em entrevista, James Jordan (Dale) destrincha o final de ‘Landman’ e por que a lealdade — não a virada corporativa — é o tema que sustenta a CTT Oil. Entenda como a série de Taylor Sheridan usa o trabalho no patch para transformar “família” em pacto.
O final de ‘Landman’ temporada 2 não é apenas sobre negócios ou traições corporativas. É sobre lealdade — aquela que não se prova em salas envidraçadas, mas no meio de uma plataforma onde um erro custa caro. Quando Tommy Norris (Billy Bob Thornton) é brutalmente demitido da M-Tex Oil após a morte de Monty (Jon Hamm) e os jogos de poder de Cami (Demi Moore) e Gallino (Andy Garcia), ele não sai sozinho. Ele leva consigo uma família disfuncional, barulhenta e letalmente eficiente de roughnecks. E ninguém encapsula melhor essa devoção do que Dale, interpretado por James Jordan.
‘Landman’ temporada 2 termina com a criação da CTT Oil Exploration and Cattle: uma empresa nova, nascida de um loophole técnico envolvendo os poços de Cooper (Jacob Lofland) e viabilizada pelo dinheiro de Gallino. No organograma, a CTT parece uma inversão da M-Tex: Cooper assume como Presidente, Nate vira Tesoureiro, Rebecca entra como COO, e o time de campo — Dale, Boss, T.L. (Sam Elliott), BR e King — segue segurando a bronca nas plataformas. Só que o que importa aqui não é a planilha. É o pacto que mantém esse grupo em pé quando tudo em volta tenta separá-los.
“You don’t even have to ask, buddy”: a lealdade que ‘Landman’ coloca à prova
James Jordan, veterano do universo Taylor Sheridan (ele também está em ‘Lioness’), explicou em entrevista recente que a temporada 2 de ‘Landman’ gira em torno do que significa ser leal num mundo onde as fronteiras entre família e emprego ficam borradas. A cena final cristaliza isso: Tommy pergunta a Dale se ele vai junto para a nova empresa; a direção de Stephen Kay alonga a pausa o suficiente para a pergunta doer — e, então, vem a resposta, seca e sem negociação: “You don’t even have to ask, buddy. I’m going with you wherever you go.”
Jordan chamou o momento de “uma bela ilustração” da devoção dessas equipes. E a série faz questão de ancorar essa ideia no concreto: não é lealdade de discurso, é lealdade de risco. Nas plataformas, como o ator pontua, a dependência do “homem à sua direita e à sua esquerda” não é metáfora. É procedimento. É o tipo de confiança que vira equipamento de segurança quando existe H2S no mapa — e o som ambiente, muitas vezes, parece trabalhar a favor disso, enchendo as cenas de campo com uma sensação de alerta constante, mesmo quando ninguém está falando.
Para Dale, porém, a lealdade tem endereço. Tommy não “só” empregou; ele estruturou uma vida. Jordan vai direto ao ponto: “Tommy deu a Dale uma carreira e uma vida… e ele não vai abandonar Tommy.” A força do arco está em como ‘Landman’ trata isso sem romantizar: esse vínculo é bonito, mas também é perigoso — porque, quando o trabalho vira identidade, sair deixa de ser opção e passa a soar como traição.
O churrasco de Boss e a frase que define Dale: “não sei fazer outra coisa”
Uma das cenas mais reveladoras da temporada 2 acontece no churrasco de Boss (Mustafa Speaks). Dale chega ainda com o corpo “em turno”: coberto de óleo, com a exaustão colada na pele. É ali que a série deixa o subtexto virar texto — e Jordan contou que se preparou conversando com roughnecks reais durante um bootcamp de 10 dias, em janeiro de 2024. O detalhe importa porque ilumina o que o personagem tem de mais triste: ele não está apenas cansado; ele está condicionado.
“Dale não sabe para onde mais ele iria, o que mais ele faria”, disse Jordan. “Isso está tanto no sangue dele quanto o petróleo no solo.” A fala funciona em dois níveis. No poético, é um retrato de pertencimento. No prático, é um retrato de aprisionamento. O patch não termina quando você sai do turno: ele reorganiza seu corpo, seu humor, sua vida social. Por isso, o churrasco não é “pausa” na narrativa; é diagnóstico. E quando Dale deixa escapar que, no fundo, não tem plano B, ‘Landman’ encontra uma verdade que séries sobre poder corporativo raramente encaram de frente: há gente que não escolhe continuar — só não consegue parar.
CTT Oil e o que a temporada 3 promete: o campo batendo na porta da sala de reuniões
Se a temporada 1 usou o thriller industrial para abrir uma janela na rotina dos roughnecks, e a temporada 2 deslocou o foco para “o que faz essa família funcionar”, Jordan acredita que a temporada 3 deve mergulhar no lado empresarial. A CTT Oil não nasce limpa: é um arranjo de sobrevivência, sustentado por dinheiro de cartel e por uma cadeia de lealdades que não foi feita para auditoria.
Esse é o motor dramático novo: o campo não vai desaparecer, mas terá que negociar com planilhas, cargos e “governança”. E a série já monta uma fricção potencialmente ótima: Dale respondendo a T.L. (Sam Elliott) e, principalmente, a Cooper. Jordan antecipa “oportunidades para comédia” nessa hierarquia torta — o veterano testando a autoridade do jovem que agora assina como Presidente. Se a temporada 2 foi sobre dizer “eu vou com você”, a 3 tende a perguntar: “ok, mas quem manda quando dá errado?”.
Há, porém, um limite honesto para qualquer previsão: Taylor Sheridan ainda não escreveu a temporada 3. Jordan admite que “honestamente não temos ideia de para onde vai”, só uma intuição de como Dale se encaixaria na nova dinâmica. O timing também depende da agenda do próprio ator, que estava filmando a temporada 3 de ‘Lioness’, com semanas de trabalho restantes. A expectativa é que ‘Landman’ volte a rodar no início do verão americano.
Por que a escrita de Taylor Sheridan potencializa James Jordan (e vice-versa)
Parte do que deixa Jordan tão crível em ‘Landman’ vem do método de Sheridan. O criador de ‘Yellowstone’ e ‘Tulsa King’ escreve “em cima” do elenco: ajusta o ritmo, o vocabulário e a musicalidade do personagem conforme entende o ator. Jordan resume: “Quando Taylor contrata um ator e conhece ele, ele realmente começa a escrever para aquele ator e para os pontos fortes e fracos daquele ator.”
Isso ajuda a explicar por que as cenas de jantar em família — com Angela (Ali Larter), Tommy e os filhos — têm uma energia diferente do resto: ali, a série troca a tensão de sobrevivência pela tensão de convivência. Jordan disse que quando vê uma dessas cenas na programação, “fica super animado”, e que elas exigem um dia inteiro de filmagem porque o elenco quebra de tanto rir. Em termos de montagem e ritmo, esse contraponto doméstico não é enfeite: é o que impede ‘Landman’ de virar só uma sucessão de broncas, explosões e ameaças. Ele lembra que o neo-western de Sheridan, quando funciona, é menos sobre mito e mais sobre gente.
Para quem ‘Landman’ funciona (e para quem a temporada 2 pode não bater)
‘Landman’ temporada 2 não é para quem procura um procedural corporativo à la ‘Succession’, nem um western “de cartão-postal”. Ela é para quem quer ver como a indústria de energia vira cultura — e como essa cultura cria famílias que não cabem em contrato. Se o que te prende em Taylor Sheridan é quando ele abandona o heroísmo fácil e aceita o cinza, a formação da CTT Oil e o “sim” de Dale a Tommy são o tipo de final que não fecha porta: ele troca a pergunta “quem vai ganhar?” por “o que vai sobrar deles quando o dinheiro apertar?”.
As temporadas 1 e 2 de ‘Landman’ estão disponíveis na Paramount+. Depois do final, a cena que fica é menos a reviravolta corporativa e mais aquele silêncio antes da frase: porque ali a série diz tudo o que precisa sobre como lealdade pode ser amor — e, ao mesmo tempo, armadilha.
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Perguntas Frequentes sobre ‘Landman’ temporada 2
Onde assistir ‘Landman’ temporada 2 no Brasil?
As temporadas 1 e 2 de ‘Landman’ estão disponíveis no Paramount+.
A CTT Oil (CTT Oil Exploration and Cattle) existe de verdade?
Não. A CTT Oil é uma empresa fictícia criada dentro da trama de ‘Landman’ para reorganizar os personagens após o colapso da M-Tex.
Preciso assistir a ‘Landman’ temporada 1 antes da temporada 2?
Sim, é altamente recomendado. A temporada 2 continua diretamente os conflitos e relações estabelecidos na temporada 1, especialmente a dinâmica entre Tommy, Dale, Cooper e a estrutura da M-Tex.
‘Landman’ temporada 2 tem cena pós-créditos?
Não há indicação de cena pós-créditos como elemento essencial de trama. O final funciona como gancho direto para a próxima fase da história, sem depender de extra após os créditos.
Vai ter ‘Landman’ temporada 3?
Até o momento do relato do elenco, a sala ainda não tinha roteiros prontos para a temporada 3. James Jordan comentou que Taylor Sheridan ainda não escreveu a continuação, e que a expectativa era retomar filmagens no início do verão americano.

