Do surreal de A24 ao universo ‘John Wick’: filmes na HBO Max

Selecionamos três filmes na HBO Max para um fim de semana de extremos: o desconforto indie de A24, a física prática de ‘Twister’ e a violência coreografada de ‘Bailarina’. Descubra qual filme atende ao seu humor atual.

Plataformas de streaming vendem a ilusão de escolha infinita, mas a realidade é a paralisia. Você gasta vinte minutos rolando um catálogo até desistir e dormir. A HBO Max, no entanto, sempre teve um DNA diferente: é um serviço curado, não um depósito. O catálogo é menor que o da Netflix, mas a taxa de acerto é assustadora. Mesmo assim, achar o filme certo para o momento certo continua sendo um desafio. Por isso, a seleção de filmes na HBO Max desta semana não segue uma linha temática confortável. A ideia é o contraste. Queremos um fim de semana de extremos climáticos: o desconforto indie, a explosão nostálgica e a violência estilizada.

Como ‘Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria’ transforma cringe em arma

Como 'Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria' transforma cringe em arma

Mary Bronstein, que já explorava o desconforto social no indie ‘Frownland’ (2007), assina uma das comédias de humor negro mais viscerais da década. Indicada ao Oscar e reforçando o domínio da A24 no cinema independente americano, a obra é ancorada por Rose Byrne. Se você só conhece a atriz pelas comédias românticas de meia tigela, esqueça. Aqui, ela joga na lama e revela um lado cru que nunca tínhamos visto.

O filme não poupa o espectador — e não falamos de gore, mas de cringe social profunda. A obra é surreal e tem uma capacidade bizarra de prender você mesmo quando quer desligar a TV. Há uma cena de jantar onde a tensão é cortada não com uma piada aliviante, mas com um silêncio tão ensurdecedor que você vai querer pausar para respirar. É um filme que ilustra perfeitamente o tipo de cinema desafiador que ainda sobrevive fora do mainstream. Se você quer ser testado intelectualmente e emocionalmente esgotado nesta sexta-feira à noite, comece por aqui.

O refúgio nostálgico de ‘Twister’ e a física que o CGI esqueceu

O gênero de desastre natural vive um ciclo de popularidade a cada geração, e ‘Twister’ chegou exatamente no auge dos anos 90. Dirigido por Jan de Bont (o mesmo de ‘Velocidade Máxima’), o filme captura o terror noturno dos tornados e a psicologia obcecada dos caçadores de tempestades. Mas não se engane: não é um drama cerebral. É um filme que abraça a maravilha destrutiva da natureza com um sorriso no rosto.

Os efeitos visuais podem parecer datados para o padrão de CGI de 2026, mas a física da destruição é imune ao tempo. A mistura de efeitos práticos com os primeiros computadores gera um peso e um impacto que o CGI puramente digital perdeu. Aquela clássica sequência da vaca voadora funciona porque o filme trata o absurdo com seriedade matemática. Com a primavera cedendo lugar às tempestades de verão no hemisfério norte, ‘Twister’ se consolida como o blockbuster de sábado à tarde perfeito. É a nostalgia que aquece sem exigir muito do cérebro.

A geometria da violência em ‘Bailarina: Do Universo de John Wick’

A geometria da violência em 'Bailarina: Do Universo de John Wick'

Com John Wick temporariamente fora de ação, a franquia precisava de um novo motor. E encontrou em ‘Bailarina: Do Universo de John Wick – De Volta ao Jogo’. Ana de Armas assume o papel introduzido no terceiro filme da série e deixa claro que é uma estrela de ação legítima. O estilo é afiado, a ação é fluida e a obra se delicia na própria absurdidade delirante, celebrando o gênero em cada quadro.

O que diferencia a coreografia de luta aqui é a geometria. O estilo de combate de Eve Macarro é menos estoico e calculista que o de Wick, e mais desesperado e adaptável. Repare na sequência no túnel: a câmera acompanha os movimentos em planos longos que permitem ver o esforço físico real, enquanto a direção de arte usa a iluminação de neon para transformar o sangue em tinta expressionista. Um conhecimento rudio da série principal ajuda, mas o filme sustenta-se perfeitamente sozinho. É o encerramento ideal para o fim de semana: pura adrenalina estilizada para esvaziar a cabeça.

O ritmo do fim de semana

Cinema é também sobre ritmo e humor. Assistir a esses três filmes em sequência é como mudar de estação radiofônica radicalmente a cada dia. Na sexta, você enfrenta o abismo psicológico de ‘Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria’. No sábado, você se joga no sofá com o entretenimento clássico e efetivo de ‘Twister’. No domingo, você queima as calorias restantes com o balé de balas de ‘Bailarina’. Cada um atende a uma necessidade muito específica do espectador.

Se você curte ser desafiado e aguenta o humor de desconforto, comece pela A24. Se quer apenas sentir a brisa no cabelo e esquecer o mundo, vá de caçadores de tornados. E se precisa ver antagonistas sendo eliminados com precisão cirúrgica e estilo impecável, Ana de Armas entrega a fatura. Qual desses climas combina com o seu fim de semana?

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Perguntas Frequentes sobre filmes na HBO Max

Precisa ver os filmes do John Wick antes de assistir a ‘Bailarina’?

Não é obrigatório, pois o filme funciona como uma história independente focada na origem de Eve Macarro. No entanto, ter visto ‘John Wick 3: Parabellum’ ajuda a entender o contexto do mundo dos assassinos e algumas participações especiais.

‘Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria’ é um filme de terror?

Não. É uma comédia de humor negro (dark comedy) com fortes traços de surrealismo. O ‘terror’ do filme é de cunho psicológico e social, focando em situações de extenso constrangimento e cringe, sem elementos de terror sobrenatural ou gore.

Por que ‘Twister’ de 1996 ainda é tão bem avaliado?

O filme envelhece bem pela combinação de efeitos práticos robustos com CGI inicial, o que dá um peso físico à destruição que os filmes de desastre puramente digitais de hoje não têm. Além disso, a direção de Jan de Bont mantém um ritmo acelerado e funcional que funciona como puro entretenimento.

Qual desses filmes na HBO Max é melhor para assistir em família?

‘Twister’ é a escolha mais segura e acessível. É um blockbuster de aventura com classificação indicativa mais leve. Já ‘Se Eu Tivesse Pernas…’ é restrito a adultos pelo humor desconfortável, e ‘Bailarina’ exige idade mínima pela violência estilizada típica da franquia John Wick.

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Lucas Lobinco
Lucas Lobinco
Sou o Lucas, e minha paixão pelo cinema começou com as aventuras épicas e os clássicos de ficção científica que moldaram minha infância. Para mim, cada filme é uma nova oportunidade de explorar mundos e ideias, uma janela para a criatividade humana. Minha jornada não foi nos bastidores da produção, mas sim na arte de desvendar as camadas de uma boa história e compartilhar essa descoberta. Sou movido pela curiosidade de entender o que torna um filme inesquecível, seja a complexidade de um personagem, a inovação visual ou a mensagem atemporal. No Cinepoca, meu foco é trazer uma perspectiva única, mergulhando fundo nos detalhes que fazem um filme valer a pena, e incentivando você a ver a sétima arte com novos olhos.Tenho um apreço especial por filmes de ação e aventura, com suas narrativas grandiosas e sequências de tirar o fôlego. A comédia de humor negro e os thrillers psicológicos também me atraem, pela forma como subvertem expectativas e exploram o lado mais sombrio da psique humana. Além disso, estou sempre atento às novas vozes e tendências que surgem na indústria, buscando os próximos grandes talentos e as histórias que definirão o futuro do cinema.

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