Analisamos as inspirações reais por trás dos personagens de ‘Ted Lasso’, desde Roy Kent como mistura de Roy Keane e Gary Cahill até as referências visuais de Jamie Tartt a Cristiano Ronaldo e Jack Grealish. Entenda como a série usa trajetórias do futebol inglês para construir seus arcos narrativos.
Quando ‘Ted Lasso’ estreou, a premissa parecia fadada ao fracasso: um técnico de futebol americano assumindo o comando de um time da Premier League sem conhecer as regras do jogo. A série, no entanto, construiu algo mais ambicioso. Em vez de depender apenas do carisma de Jason Sudeikis, os criadores Bill Lawrence e Brendan Hunt investiram em uma camada de referências reais que transformam personagens fictícios em reflexos de trajetórias conhecidas do futebol inglês. O resultado é um retrato que usa a história viva do esporte para dar peso emocional às histórias de AFC Richmond.
A anatomia de Roy Kent: Roy Keane, Gary Cahill e o Crystal Palace
Roy Kent carrega traços óbvios de Roy Keane. O olhar cortante, a liderança pelo medo e respeito e a franqueza que beira a agressão remetem diretamente à fase de Keane no Manchester United entre 1997 e 2005. Brett Goldstein, que começou como roteirista e acabou interpretando o personagem, capturou essa raiva como uma armadura para proteger um amor genuíno pelo jogo.
A trajetória esportiva de Kent, porém, espelha com mais precisão a de Gary Cahill. Após conquistar a Champions League pelo Chelsea, Cahill encerrou a carreira no Crystal Palace. Essa conexão não é aleatória: AFC Richmond reproduz vários elementos do Palace, desde a localização no sul de Londres até as cores vermelho e azul. Quando Kent pendura as chuteiras no fim da primeira temporada e aceita o cargo de treinador, o roteiro replica a transição real de veteranos que descem para a comissão técnica do mesmo clube. A dor física e a dificuldade de aceitar o envelhecimento são tratadas com uma precisão que vai além da comédia.
Jamie Tartt e as referências visuais a Ronaldo e Grealish
Jamie Tartt representa o jovem talento intoxicado pela própria imagem. Phil Dunster constrói o personagem a partir de elementos de Cristiano Ronaldo, especialmente na primeira temporada. A equipe de figurino usa o cabelo como marcador narrativo: o pico gelado que Tartt ostenta ao retornar ao Manchester City é uma cópia direta do visual de Ronaldo. Quando o personagem amadurece e tenta se integrar ao grupo, adota o corte raspado nas laterais e puxado para trás, no estilo de Jack Grealish.
O arco de redenção de Jamie — humilhado pelas falhas fora de campo e obrigado a aprender trabalho coletivo sob a tutela relutante de Roy — ganha força justamente por essas referências visuais. A série mostra que a evolução moral do atleta também passa pela renúncia ao culto à própria imagem.
Zava e a mitificação de Zlatan Ibrahimović
Zava, o atacante que chega na terceira temporada, é uma composição que inclui traços de Eric Cantona e Robert Lewandowski, mas é dominado pela presença de Zlatan Ibrahimović. Maximilian Osinski leu a autobiografia do sueco e estudou sua forma de se posicionar como figura maior que o futebol. Zava fala de si mesmo na terceira pessoa, trata o esporte como filosofia e carrega uma aura de superioridade.
A diferença fundamental está na aposentadoria. Enquanto Ibrahimović lutou contra o tempo até quase os 40 anos, Zava decide sair de cena logo após chegar a Richmond. A série usa esse contraste para comentar o ciclo de vida das lendas e o momento em que o corpo já não comporta mais a busca pela perfeição.
Dani Rojas, Chicharito e a tensão entre alegria e agressividade
Dani Rojas é a homenagem mais direta a Javier ‘Chicharito’ Hernández. O trajeto do México para a Premier League, a euforia constante e o grito ‘Futebol é vida!’ remetem claramente ao atacante. Cristo Fernández, que interpreta o personagem, acabou assinando com o El Paso Locomotive em 2026, fechando um ciclo curioso entre ficção e realidade.
A série explora também o lado sombrio dessa alegria. Quando Dani quase parte para a agressão física contra o West Ham ou se envolve em confrontos por seleções, vemos o choque entre o amor puro pelo jogo e a violência tribal que o futebol de alto rendimento exige.
Sam Obisanya e o ativismo dentro e fora de campo
Sam Obisanya evolui de novato nigeriano para a espinha dorsal moral de Richmond. O episódio em que ele recusa o patrocínio da Dubai Air após um derramamento de óleo na Nigéria e critica um político britânico por postagens anti-imigração ecoa casos reais de atletas que usam a visibilidade para posicionamentos políticos. A série não trata esses momentos como adereços: eles definem a liderança de Sam no final da trama.
O que muda com o time feminino
A quarta temporada, confirmada com foco na criação do time feminino de AFC Richmond, abre espaço para novas referências. Se o rigor de pesquisa se mantiver, é possível esperar personagens inspirados em trajetórias como as de Aitana Bonmatí, Lucy Bronze ou Jill Scott. O desafio será aplicar o mesmo nível de precisão usado no elenco masculino a um contexto ainda menos explorado pela ficção televisiva.
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Perguntas Frequentes sobre ‘Ted Lasso’ e jogadores reais
Roy Kent é baseado em Roy Keane?
Sim. O temperamento, a liderança e a franqueza de Roy Kent são inspirados diretamente em Roy Keane, especialmente na época em que ele jogava no Manchester United.
AFC Richmond existe na vida real?
Não. O clube é fictício, mas foi inspirado no Crystal Palace, time real do sul de Londres que divide cores e localização com Richmond na série.
Onde assistir ‘Ted Lasso’?
‘Ted Lasso’ está disponível no Apple TV+. Todas as três temporadas já foram lançadas e a quarta está em produção.
‘Ted Lasso’ é baseado em uma história real?
Não. A série é ficcional, mas os criadores usaram várias trajetórias reais de jogadores e clubes ingleses para construir os personagens e o ambiente de AFC Richmond.
Zava é baseado em Zlatan Ibrahimović?
Em grande parte, sim. O jeito de falar de si mesmo na terceira pessoa, a aura de superioridade e a mitificação do próprio talento são claramente inspirados em Zlatan Ibrahimović.

