Enquanto ‘Paradise Lost’ avança no DCU apostando em intriga política estilo ‘Game of Thrones’, ‘Booster Gold’ patina por falta de tom. Analisamos o que o contraste entre as Séries DCU revela sobre os reais desafios da franquia.
Universos compartilhados são como castelos de cartas: impressionantes no papel, frágeis na prática. James Gunn sabe disso melhor que ninguém. Desde o anúncio do Capítulo 1 do DCU em janeiro de 2023, o mapa da franquia sofreu mais ajustes do que roteiro de Eternos. A atualização mais recente sobre as Séries DCU revela um contraste sintomático: enquanto ‘Paradise Lost’ entra em ‘desenvolvimento extremo’, ‘Booster Gold’ engasga no funil criativo. Esse descompasso diz muito sobre onde a franquia pisa firme — e onde ela escorrega.
Por que ‘Paradise Lost’ funciona como thriller político (e a vibe Game of Thrones faz sentido)
Quando Gunn comparou ‘Paradise Lost’ a Game of Thrones, muitos rodaram os olhos. Mas a analogia é precisa: uma prequela de Mulher-Maravilha focada nas facções de Themyscira, antes do nascimento de Diana, é o cenário perfeito para intrigas de sucessão e poder. Sem a pressão de escalar uma nova protagonista para substituir Gal Gadot imediatamente, a série ganha autonomia narrativa. Construir a ilha como um campo de batalha diplomático, em vez de mais um cenário para porrada de deuses, isola o projeto do desastre crônico dos filmes da DC. O status de ‘extremo desenvolvimento’ prova que o estúdio encontrou um nicho de prestígio — algo que a HBO sabe vender de olhos fechados. A confirmação de que Ana Nogueira já escreve o filme solo da Wonder Woman indica que a mitologia da personagem finalmente tem coordenação criativa.
O problema de tom: por que ‘Booster Gold’ emperra?
Se Gunn já provou que sabe fazer comédia de herói com o sucesso de Peacemaker, por que ‘Booster Gold’ patina? A resposta está na metalinguagem. Booster é um charlatão do futuro que usa tecnologia para virar herói no presente, satirizando a própria cultura de celebridades e o universo ficcional em que está inserido. Como encaixar uma sátira que comenta a própria franquia em um universo que ainda está tentando se levar a sério para se distanciar da era Snyder? O showrunner David Jenkins segue no projeto, mas a declaração de Gunn de que não está escrevendo a série e a demora no elenco revelam um projeto em busca de identidade. Os rumores de que Kumail Nanjiani pode vestir o uniforme dourado ganham força com fotos recentes do ator ao lado de Gunn e Peter Safran, mas sem anúncio oficial, a sensação é de que o estúdio ainda tateia. A lentidão não é necessariamente um mau sinal, mas um sintoma claro de que o DCU não sabe como equilibrar autocrítica e expansão.
O efeito dominó: como as engrenagens do DCU travam projetos como ‘The Authority’
O contraste entre as duas séries ganha contornos dramáticos quando olhamos o ecossistema ao redor. Projetos como ‘The Authority’ e ‘Waller’ estão patinando. O próprio Gunn foi honesto recentemente: ‘The Authority’ não funcionou em termos de ‘história e preocupações práticas’ para o macro-universo. É raro e valioso ver um estúdio admitir que a peça não serve no quebra-cabeça. ‘Paradise Lost’ avança exatamente porque a política de Themyscira é um terreno isolável, que não depende de crossovers para funcionar. Já ‘Booster Gold’ e ‘The Authority’ exigem uma arquitetura macro que ainda está secando o concreto. Você não constrói o segundo andar antes do alicerce.
O status das Séries DCU espelha a atual filosofia do estúdio: apostar no prestígio e na intriga quando possível, segurar a comédia e a expansão cósmica quando o terreno é pantanoso. ‘Paradise Lost’ tem o apelo de uma tragédia grega com orçamento de TV premium; ‘Booster Gold’ exige um tom que a DC ainda procura no escuro. Se você espera ver as Amazonas conspirando logo, a boa notícia é que elas já estão a caminho. Se o seu herói favorito é o exibicionista do futuro, a paciência será necessária. Entre a política de bastidores e a comédia metalinguística, a resposta de qual delas definirá a identidade do novo DCU dependerá de qual terreno o estúdio conseguirá solidificar primeiro.
Para ficar por dentro de tudo que acontece no universo dos filmes, séries e streamings, acompanhe o Cinepoca também pelo Facebook e Instagram!
Perguntas Frequentes sobre as Séries DCU
O que é ‘Paradise Lost’ do DCU?
‘Paradise Lost’ é uma série prequela de Mulher-Maravilha focada nas Amazonas de Themyscira antes do nascimento de Diana. James Gunn descreveu o projeto como tendo uma vibe política semelhante a ‘Game of Thrones’.
Por que ‘Booster Gold’ está demorando para sair?
O ritmo lento se deve ao desafio de definir o tom da série. Como o personagem é uma sátira metalinguística de celebridades, o estúdio ainda busca como encaixar essa comédia autoreferente em um universo que está tentando estabelecer uma base dramática séria.
‘The Authority’ foi cancelado no DCU?
Não foi cancelado oficialmente, mas James Gunn admitiu que o projeto patinou porque a história e as preocupações práticas não se encaixaram bem na arquitetura macro do universo neste momento. O filme está em espera até que o alicerce do DCU esteja mais sólido.
Kumail Nanjiani vai ser o Booster Gold?
Ainda não há confirmação oficial. Os rumores ganharam força após fotos do ator ao lado de James Gunn e Peter Safran circularem online, mas o estúdio não anunciou o elenco da série.
Quem está escrevendo o filme da Mulher-Maravilha no DCU?
Ana Nogueira foi confirmada como roteirista do filme solo da Wonder Woman no novo DCU. A escolha sugere uma coordenação direta entre a mitologia da personagem no cinema e na série ‘Paradise Lost’.

