A chegada de Gary Dauberman ao roteiro de ‘Five Nights at Freddy’s 3’ marca uma mudança de estratégia da Blumhouse. Analisamos por que tirar o controle do criador do jogo e apostar em um roteirista de franquias de terror como ‘It: A Coisa’ pode finalmente dar ao filme a coesão narrativa que faltou nos anteriores.
A notícia de que Gary Dauberman assumiu o roteiro de Five Nights at Freddy’s 3 é mais do que uma simples troca de crédito. É o sinal de que a franquia está finalmente deixando o modo ‘fã-service’ para adotar uma estratégia cinematográfica de verdade. Depois de dois filmes que faturaram bem acima de 200 milhões de dólares cada, mas que ainda carregavam o peso de uma narrativa fragmentada e excessivamente dependente do jogo original, a Blumhouse decidiu mudar o jogo — e o nome escolhido para isso diz muito.
Por que tirar a caneta de Scott Cawthon faz sentido
Scott Cawthon, criador da franquia, co-escreveu os dois primeiros filmes ao lado da diretora Emma Tammi. Ele sabe exatamente o que os fãs querem ver: os animatrônicos, os easter eggs, o lore das crianças assassinadas. O problema é que saber o que os fãs querem não é o mesmo que construir uma história que funcione para quem nunca jogou. Os dois primeiros filmes sofriam exatamente disso: eram visualmente fiéis, mas narrativamente soltos, com um ritmo que parecia mais uma visita guiada ao jogo do que um terror estruturado.
Dauberman, por outro lado, é especialista em transformar conceitos de terror em narrativas coesas. Ele escreveu três filmes de Annabelle e ‘A Freira’, além de ter sido um dos roteiristas de ‘It: A Coisa’. Seu trabalho mais interessante talvez seja ‘Annabelle 2: A Criação do Mal’, onde conseguiu criar tensão claustrofóbica dentro de uma casa de freiras com um conceito que parecia esgotado. Essa capacidade de construir pavor a partir de espaço e espera é exatamente o que faltou nos filmes anteriores de FNAF.
A fusão Blumhouse e Atomic Monster muda o tabuleiro
Não dá para separar a contratação de Dauberman da fusão entre Blumhouse e Atomic Monster, de James Wan, concluída em 2024. Wan e Jason Blum agora dividem o mesmo telhado, e Dauberman é historicamente ligado ao universo de Wan. A mesma lógica está sendo aplicada em outros projetos, como a nova versão de ‘Jogos Mortais’. O que está acontecendo é uma espécie de infecção controlada: o Blumhouse está pegando suas franquias mais lucrativas e injetando nelas o DNA narrativo mais estruturado da Atomic Monster.
Isso não significa que Five Nights at Freddy’s 3 vai virar um filme de James Wan. Significa que a franquia agora tem alguém que entende como equilibrar terror, mitologia e ritmo cinematográfico sem precisar depender exclusivamente do apelo nostálgico dos animatrônicos.
O que muda no tom do terceiro filme
O maior problema dos dois primeiros filmes foi a tentativa de equilibrar o terror com uma certa inocência familiar. O resultado foi um produto que oscilava entre sustos aleatórios e momentos que pareciam feitos para crianças. Dauberman não tem esse receio de ir para o escuro — basta ver como ele lidou com a adolescência e o horror cósmico em ‘It: A Coisa’.
O desafio agora é aplicar essa habilidade à mitologia já estabelecida: os espíritos das crianças, a pizzaria abandonada, a relação entre os irmãos. Dauberman já demonstrou em ‘Until Dawn: Noite de Terror’ que sabe transformar o espaço e a escuridão em antagonistas. Se ele conseguir fazer algo parecido aqui, o terceiro filme pode finalmente entregar o terror que a premissa sempre prometeu.
A transição de Cawthon para Dauberman não é uma rejeição ao material original. É o reconhecimento de que, depois de provar que a franquia vende, chegou a hora de provar que ela também pode sustentar um universo cinematográfico consistente. Para quem cansou de filmes que parecem longas cutscenes de jogo, essa é a primeira vez que Five Nights at Freddy’s parece realmente interessado em ser cinema.
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Perguntas Frequentes sobre ‘Five Nights at Freddy’s 3’
Quem é Gary Dauberman, o novo roteirista de FNAF 3?
Gary Dauberman é roteirista especializado em terror mainstream. Ele escreveu os três filmes de Annabelle, ‘A Freira’ e foi um dos roteiristas de ‘It: A Coisa’. É também figura próxima de James Wan, da Atomic Monster.
Quando ‘Five Nights at Freddy’s 3’ deve estrear?
Ainda não há data oficial de lançamento. O filme está em fase de desenvolvimento, com Dauberman já trabalhando no roteiro. A expectativa é que as filmagens comecem entre 2026 e 2027.
A fusão Blumhouse e Atomic Monster vai mudar o estilo dos filmes de FNAF?
Sim. A fusão de 2024 colocou James Wan e Jason Blum sob o mesmo estúdio. Dauberman, ligado historicamente a Wan, representa a influência da Atomic Monster na forma de construir narrativas de terror mais estruturadas.
O terceiro filme vai seguir o lore dos jogos ou criar sua própria história?
Scott Cawthon continua como produtor e deve manter influência sobre o lore. No entanto, com Dauberman no roteiro, espera-se maior liberdade para adaptar e reorganizar elementos da mitologia em uma narrativa cinematográfica mais coesa.
Os dois primeiros filmes de FNAF valem a pena ser assistidos antes do terceiro?
Sim, principalmente para entender a mitologia dos animatrônicos e a relação entre os irmãos. Mesmo com suas falhas narrativas, os dois primeiros filmes estabelecem o universo que o terceiro filme deve expandir.

