Após a era Lanthimos, Emma Stone retorna às comédias românticas em ‘The Catch’

Emma Stone deixa o cinema de autor de Lanthimos e retorna às comédias românticas em ‘The Catch’, sob a direção do marido Dave McCary. Analisamos por que esse movimento é uma afirmação de poder criativo e como a reescrita de Jen Statsky promete subverter o gênero.

Emma Stone acaba de se tornar a mulher mais jovem da história a acumular sete indicações ao Oscar — um feito que a coloca no rastro de Meryl Streep e à frente do calendário de nomes como Walt Disney. Ela gastou os últimos anos consolidando esse status nas distorções de Yorgos Lanthimos. De ‘Pobres Criaturas’ a ‘Tipos de Gentileza’ e o recente ‘Bugonia’, Stone provou que pode carregar um cinema de autor com a mesma facilidade que liderou bilheterias. Agora, o pivô: ela abandona temporariamente o distopismo para voltar a um território que a consagrou. O retorno de Emma Stone ao gênero de comédia romântica não é apenas um casting de Hollywood; é um manifesto sobre controle criativo e estratégia de carreira.

Por que o retorno de Emma Stone à comédia romântica é um movimento de poder

Por que o retorno de Emma Stone à comédia romântica é um movimento de poder

Pense na trajetória. Depois de ‘La La Land: Cantando Estações’ — que lhe deu o Oscar de melhor atriz e varreu seis estatuetas —, Stone poderia ter passado a próxima década assinando contratos de sete dígitos com qualquer estúdio disposto a financiar um romance cor-de-rosa. Em vez disso, ela escolheu o esquisitismo de Lanthimos. Fez ‘A Mentira’ e ‘Sob o Mesmo Céu’ no passado, mas o presente recente pedia outra linguagem. O retorno ao gênero agora, em ‘The Catch’, não soa como uma volta ao conforto ou uma falta de opção. É uma afirmação de poder. Ela vai para o mainstream exatamente quando quer, com quem quer e sob quais termos quer. E os termos, desta vez, mudaram drasticamente a dinâmica de poder.

Dave McCary na direção: o risco calculado de trabalhar em casa

A direção de ‘The Catch’ fica com Dave McCary. O nome pode não gritar autoria cinematográfica para o grande público — seu currículo mais visível está nos bastidores do Saturday Night Live —, mas a conexão aqui é vital: McCary é o marido de Stone e seu parceiro na Fruit Tree, selo de produção do casal. Eles assinaram um acordo de primeira olhada com a Universal em 2024, e já colocaram no mundo projetos pesados como ‘Pobres Criaturas’, ‘Eu Vi o Brilho da TV’ e ‘A Verdadeira Dor’. O que temos aqui não é uma atriz aceitando um projeto de estúdio por inércia; é uma produtora usando o capital de seu sucesso para financiar seu próprio veículo. McCary tem o timing cômico na veia, refinado em anos de TV ao vivo. Colocá-lo para dirigir a própria esposa em uma comédia romântica é um risco calculado que poucos casais de Hollywood teriam o controle criativo para rodar.

A trincheira de Jen Statsky: como ‘Hacks’ reescreveu o tom do filme

A trincheira de Jen Statsky: como 'Hacks' reescreveu o tom do filme

Nenhum nome grande volta a um gênero só pela grana — especialmente alguém que acaba de bater recordes de indicação. O detalhe que explica a adesão de Stone está nos créditos do roteiro. O rascunho original de Patrick Kang e Michael Levin não a convenceu. O que a fez fechar o acordo foi a reescrita de Jen Statsky (showrunner de ‘Hacks’) e Travis Helwig. Se você acompanha a série da Max, sabe que Statsky entende como ninguém a dinâmica entre humor, poder e relações humanas disfuncionais. A expectativa é que ‘The Catch’ tenha o verniz de uma comédia comercial, mas o esqueleto narrativo de algo muito mais afiado e cínico. Stone não está voltando para o gênero para fazer a mesma coisa de 2011; ela está voltando com a linguagem que absorveu na última década.

O espelho de Chris Pine: dois veteranos que já não precisam do rótulo

Stone não está sozinha nesse retorno às origens. Chris Pine assina como seu par romântico, e o casting é simétrico. Pine também passou a última década tentando fugir da caixa de ‘galã de comédia’ que o definiu em ‘O Diário da Princesa 2: Casamento Real’, ‘Sorte no Amor’, ‘Encontro às Escuras’ e até ‘Guerra é Guerra!’. Ele foi para o indie denso, inclusive fazendo sua estreia na direção com o excelente e subestimado ‘O Cara da Piscina’. Assim como Stone, Pine volta ao mainstream não por falta de opção, mas com o peso de quem provou que pode fazer cinema de arte. A dinâmica entre dois atores que já não precisam provar nada ao mercado dispensa os clichês do encontro fortuito — há um peso e uma ironia que só a experiência traz.

A estratégia da Universal e o xadrez de Shawn Levy na bilheteria

Nos bastidores, a jogada da Universal é fria e calculista. A data de lançamento de ‘The Catch’ está marcada para 21 de maio de 2027. Na semana seguinte, dia 28, chega aos cinemas ‘Star Wars: Starfighter’, dirigido por ninguém menos que Shawn Levy — que, não coincidentemente, também produz ‘The Catch’ pela 21 Laps ao lado de Dan Levine. É a estratégia clássica do produtor que domina o calendário: Levy garante espaço para sua comédia romântica de peso e, sete dias depois, domina a bilheteria com a sua própria franquia de ficção científica. A Universal ganha em ambas as mesas, e Stone e Pine ganham a estrutura de um estúdio que não pode se dar ao luxo de deixar o filme morrer em marketing.

‘The Catch’ é o laboratório perfeito para testar o conceito de autoria dentro do sistema de estúdios. Emma Stone provou que pode fazer Lanthimos render Oscar; agora, a pergunta é se ela e McCary conseguem fazer a comédia romântica render algo além de fórmulas gastas. Com o roteiro de ‘Hacks’ nas mãos e a liberdade do selo Fruit Tree, as condições estão dadas para subverter o gênero. Se vai subverter as expectativas ou resultar em um projeto de casal com orçamento de blockbuster, só a tela do cinema dirá. Mas uma coisa é certa: na era pós-‘Pobres Criaturas’, ninguém vai ao cinema ver essa dupla esperando um final previsível.

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Perguntas Frequentes sobre ‘The Catch’

Quando ‘The Catch’ estreia nos cinemas?

A estreia de ‘The Catch’ está marcada para 21 de maio de 2027 nos Estados Unidos, com distribuição da Universal Pictures.

Quem está dirigindo ‘The Catch’?

Dave McCary, marido de Emma Stone e parceiro na produtora Fruit Tree, assume a direção. McCary é conhecido por seu trabalho como diretor de segmentos no Saturday Night Live.

Emma Stone e Chris Pine já trabalharam juntos?

Não. ‘The Catch’ marca a primeira vez que os dois atores contracenam como pares românticos, apesar de ambos terem carreiras longas em Hollywood.

Quem escreveu o roteiro de ‘The Catch’?

O roteiro passou por reescrita de Jen Statsky (showrunner de ‘Hacks’) e Travis Helwig, a partir de um rascunho original de Patrick Kang e Michael Levin. A versão final promete um tom mais afiado e cínico que o padrão do gênero.

O que é a Fruit Tree?

Fruit Tree é a produtora de Emma Stone e Dave McCary, que possui um acordo de primeira olhada com a Universal. Ela já produziu filmes como ‘Pobres Criaturas’, ‘A Verdadeira Dor’ e ‘Eu Vi o Brilho da TV’.

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Lucas Lobinco
Lucas Lobinco
Sou o Lucas, e minha paixão pelo cinema começou com as aventuras épicas e os clássicos de ficção científica que moldaram minha infância. Para mim, cada filme é uma nova oportunidade de explorar mundos e ideias, uma janela para a criatividade humana. Minha jornada não foi nos bastidores da produção, mas sim na arte de desvendar as camadas de uma boa história e compartilhar essa descoberta. Sou movido pela curiosidade de entender o que torna um filme inesquecível, seja a complexidade de um personagem, a inovação visual ou a mensagem atemporal. No Cinepoca, meu foco é trazer uma perspectiva única, mergulhando fundo nos detalhes que fazem um filme valer a pena, e incentivando você a ver a sétima arte com novos olhos.Tenho um apreço especial por filmes de ação e aventura, com suas narrativas grandiosas e sequências de tirar o fôlego. A comédia de humor negro e os thrillers psicológicos também me atraem, pela forma como subvertem expectativas e exploram o lado mais sombrio da psique humana. Além disso, estou sempre atento às novas vozes e tendências que surgem na indústria, buscando os próximos grandes talentos e as histórias que definirão o futuro do cinema.

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