O showrunner de ‘Strange New Worlds’ confirma pessoalmente que ‘Star Trek: Year One’ está morto. Explicamos por que os sets foram demolidos, o elenco se dispersou e o que isso significa para o futuro da franquia na TV.
O spinoff que parecia inevitável não vai acontecer. E quem confirma não é um rumor de bastidor, não é um ‘insider’ anônimo — é o próprio showrunner. Akiva Goldsman, cocriador e co-showrunner de ‘Star Trek: Strange New Worlds’, foi direto ao ponto em entrevista à Radio Times: Star Trek: Year One, a série que contaria o primeiro ano de comando de James T. Kirk na USS Enterprise, está oficialmente morta. Não por falta de vontade, mas por uma combinação brutal de circunstâncias: ninguém ligou, os cenários foram demolidos e o elenco já seguiu em frente.
Para quem acompanhou a franquia nos últimos anos, a notícia tem um gosto especialmente amargo. Goldsman e Henry Alonso Myers vinham alimentando a esperança de que ‘Year One’ fosse a continuação natural de ‘Strange New Worlds’ — uma forma de manter viva a equipe criativa e o universo que construíram, agora sob a nova administração da Paramount Skydance. Mas o que parecia uma aposta segura esbarrou em uma realidade corporativa impiedosa: o cancelamento de ‘Star Trek: Academia da Frota Estelar’ e a destruição dos sets de Toronto selaram o destino do projeto.
O que era ‘Star Trek: Year One’ e por que ele fazia tanto sentido
Antes de enterrar o projeto, vale lembrar o que ele prometia. A premissa era simples e irresistível para qualquer fã da franquia clássica: acompanhar o Capitão Kirk (Paul Wesley) em seu primeiro ano no comando da USS Enterprise, antes dos eventos da série original. Era uma oportunidade de ouro para explorar a dinâmica entre Kirk, Spock (Ethan Peck) e McCoy (Babs Olusanmokun) sem a pressão de recontar histórias já conhecidas — um território novo dentro de um universo familiar.
E havia um argumento econômico que tornava o projeto ainda mais lógico: a produção já tinha os cenários, o elenco estabelecido e uma equipe criativa afinada. Era a continuação mais barata e mais orgânica possível. Como o próprio Goldsman apontou, ‘houve um momento em que teria sido o caminho mais expedito, criativa e economicamente, apenas continuar porque tínhamos muitos ativos que agora não existem mais’.
Mas o timing foi fatal. Quando a Paramount+ anunciou que ‘Strange New Worlds’ teria uma quinta e última temporada, ficou claro que a janela para ‘Year One’ estava se fechando. Ainda assim, havia esperança de que, com o fim das filmagens em dezembro, o elenco e a equipe simplesmente retornassem aos sets existentes. Essa esperança evaporou quando a Paramount Skydance decidiu cancelar ‘Academia da Frota Estelar’ e desmontar tudo.
A declaração definitiva de Goldsman: ‘não vejo isso acontecendo’
A fala de Goldsman à Radio Times é um estudo de caso em honestidade profissional. Ele não tenta maquiar a situação, não promete uma reviravolta de última hora. É direto: ‘Ninguém ligou, os sets se foram, todo mundo começou a aceitar outros trabalhos. Nunca foi oficialmente sim, e nunca foi oficialmente não. Mas eu não vejo isso acontecendo.’
Essa transparência é rara em Hollywood, onde executivos costumam manter projetos em ‘desenvolvimento’ por anos para não admitir fracassos. Goldsman, que construiu sua carreira em Hollywood e conhece os bastidores como poucos, sabe que a destruição dos cenários é o golpe final. Não há como filmar uma série espacial sem a nave, e reconstruir tudo do zero custaria uma fortuna que a nova Paramount claramente não está disposta a gastar com Star Trek na TV.
Há também um tom de luto genuíno em suas palavras. ‘Eu adoraria ter feito Year One e continuado com esse grupo porque eles são meu círculo agora. Sinto um laço familiar com eles, e entendo o Star Trek que fizemos juntos.’ É a voz de alguém que não está apenas perdendo um projeto — está perdendo uma comunidade.
Os detalhes de bastidores que mudam tudo: cenários demolidos, elenco disperso
O detalhe mais revelador da entrevista é a menção aos sets de Toronto. Quando ‘Academia da Frota Estelar’ foi cancelada, os cenários de ambas as séries — a de ‘Strange New Worlds’ e a do spinoff — foram derrubados, com as peças leiloadas. Isso não é apenas um detalhe logístico; é uma declaração de intenções da Paramount. Se a empresa quisesse manter viva a possibilidade de ‘Year One’, os sets teriam sido preservados. A demolição é um sinal inequívoco de que a nova gestão quer começar do zero.
O elenco, naturalmente, já se dispersou. Paul Wesley, que interpreta Kirk, disse ao ScreenRant que ‘não sei se Year One vai acontecer algum dia’, e está aceitando outros papéis. O mesmo vale para o resto do elenco e da equipe. Em um mercado de trabalho competitivo, ninguém espera por um projeto que pode nunca ser aprovado. A janela de oportunidade, que já era estreita, fechou de vez.
Essa é a dura realidade do entretenimento pós-streaming: projetos não são ‘congelados’, são destruídos. A infraestrutura física é desmontada, os contratos expiram, e o capital criativo se dissipa. ‘Year One’ não é uma exceção — é a regra em uma indústria que aprendeu a cortar perdas rapidamente.
O futuro de Star Trek na TV: uma nova direção, uma nova geração
Se ‘Year One’ está morto, o que vem a seguir? Goldsman aponta para Chris Parnell, Vice-Presidente Executivo e Chefe de Originais da Paramount+, como a pessoa que ‘está no comando’ de Star Trek e ‘tomará essa decisão’ sobre o futuro da franquia na TV. E aqui há um vislumbre de otimismo: Parnell é descrito como ‘um verdadeiro fã de Star Trek. Ele é alguém que ama Star Trek. Então tenho fé que o que ele fizer será Star Trek de verdade’.
Essa declaração é importante porque sugere que a nova administração não é hostil à franquia — apenas quer renová-la. Goldsman reconhece isso com maturidade rara: ‘Também entendo o valor da renovação e se ela se renova perfeitamente na primeira, segunda ou terceira iteração da próxima — ouso dizer — geração desses programas, [Star Trek] encontrará seu caminho. Sempre encontra.’
É uma visão de longo prazo que muitos fãs, no calor do momento, não conseguem ter. A franquia já sobreviveu a cancelamentos, reinícios e mudanças de direção por mais de 60 anos. ‘Year One’ era um projeto que fazia sentido para o momento, mas o momento passou. O que vem depois pode ser diferente — e talvez melhor.
A despedida de Goldsman: ‘meu tempo com Star Trek acabou’
Há algo profundamente humano na forma como Goldsman encerra essa fase. ‘Acho que, pelo menos para mim, meu tempo com Star Trek acabou agora’, diz ele. ‘Tive muita sorte — Strange New Worlds foi tudo o que imaginei quando nem conseguia imaginar, quando era um garotinho brincando de Star Trek. Agora pude ser um garoto maior brincando de Star Trek com os brinquedos de outra pessoa.’
Essa frase resume a relação de qualquer criador com uma franquia amada: você herda algo maior que você, mas tem a chance de deixar sua marca. Goldsman e sua equipe fizeram isso com ‘Strange New Worlds’, que revitalizou a franquia com uma abordagem episódica e otimista que homenageava a série original sem ser nostálgica demais. O legado está lá, nas três temporadas já exibidas e na quarta que está no ar.
E há ainda a quinta e última temporada, prevista para 2027, que promete encerrar a história de forma satisfatória — mesmo que com apenas seis episódios, uma decisão que gerou debate entre os fãs. A enquete da própria publicação mostra que 73% dos votantes estão decepcionados com a temporada final mais curta, mas 13% preferem uma conclusão mais enxuta e focada. É o tipo de divisão que define a franquia: entre o desejo por mais e a aceitação de que qualidade importa mais que quantidade.
O veredito: ‘Year One’ não acontecerá, mas Star Trek continua
Para os fãs que sonhavam em ver Kirk, Spock e McCoy juntos em uma série própria, a notícia é um golpe. Mas é preciso encarar a realidade: o projeto está morto, e nem mesmo o showrunner — que teria tudo a ganhar com sua produção — acredita em um milagre. ‘Talvez alguém ligue e diga: Ei, faça um filme de duas horas ou Queremos a série’, admite Goldsman. ‘Ótimo! Mas não vejo isso acontecendo.’
O que resta é o consolo de que ‘Strange New Worlds’ existiu e entregou algo raro no cenário atual: ficção científica otimista, bem escrita e profundamente humana. E a certeza de que, sob a liderança de alguém que ama a franquia, Star Trek encontrará um novo caminho — como sempre encontrou. As gerações passam, os cenários caem, mas a ideia de Star Trek, essa sim, parece indestrutível.
Fica a pergunta: depois de ‘Strange New Worlds’, que direção a franquia deve tomar para reconquistar o público sem se perder em nostalgia? A resposta, como sempre, está nas mãos de quem assume o comando — e na paciência de quem continua assistindo.
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Perguntas Frequentes sobre ‘Star Trek: Year One’
Onde assistir ‘Star Trek: Strange New Worlds’?
‘Strange New Worlds’ está disponível exclusivamente na Paramount+ em todos os mercados onde a plataforma opera. A quarta temporada está em exibição desde agosto de 2026.
‘Star Trek: Year One’ vai acontecer?
Não. O showrunner Akiva Goldsman confirmou que o projeto está morto. Os cenários foram demolidos e o elenco já aceitou outros trabalhos, inviabilizando qualquer produção no futuro próximo.
Por que ‘Star Trek: Year One’ foi cancelado?
O projeto foi vítima da reestruturação da Paramount Skydance. Após o cancelamento de ‘Academia da Frota Estelar’, os sets de Toronto foram desmontados e leiloados, eliminando a infraestrutura que tornaria a produção viável.
Quando termina ‘Star Trek: Strange New Worlds’?
A série terá uma quinta e última temporada, prevista para 2027, com apenas seis episódios. A Paramount+ confirmou que esta será a conclusão definitiva da série.
‘Strange New Worlds’ é uma continuação da série original?
Sim, é um prequel da série clássica de 1966. A série acompanha o Capitão Pike e a tripulação da Enterprise anos antes de Kirk assumir o comando, explorando eventos que levam à era original.

