Com o Japão descartado e Donnie impossibilitado de voltar aos EUA ou Europa, analisamos as restrições narrativas que guiarão a escolha do cenário de ‘Covil de Ladrões 3’. África do Sul, América do Sul ou um retorno arriscado a Londres? As pistas apontam para onde o ladrão mais procurado do cinema pode ir a seguir.
Existe um problema que poucas franquias de ação precisam enfrentar: o que fazer quando o protagonista é bom demais no que faz? ‘Covil de Ladrões 3’ está diante dessa encruzilhada. Depois de Donnie Wilson roubar o Federal Reserve de Los Angeles no primeiro filme e o World Diamond Center na Europa em ‘Covil de Ladrões 2: Pantera’, o personagem de O’Shea Jackson Jr. se tornou o ladrão mais procurado do planeta — e o mais impossível de ser escalado para um novo cenário.
Em entrevista recente ao ScreenRant, Jackson confirmou o que muitos fãs suspeitavam: o Japão está descartado como cenário do terceiro filme. O ator foi enfático ao dizer que adoraria filmar no país — ‘pense nos planos que você poderia ter com as cerejeiras em flor, eu ficaria doente com uma katana’ — mas o roteiro aponta para outro lugar. A pergunta que fica é: para onde Donnie pode ir agora?
O problema narrativo que poucas franquias têm coragem de enfrentar
Vamos ser honestos: a maioria das franquias de ação ignora completamente as consequências dos filmes anteriores. Jason Bourne volta para os EUA mesmo sendo o homem mais caçado do mundo. John Wick circula por Nova York como se não tivesse matado meio continente. Mas ‘Covil de Ladrões’ sempre foi diferente — e é exatamente isso que torna o dilema de Donnie tão fascinante.
Jackson foi claro na entrevista: ‘não posso mais ir para os Estados Unidos’ depois do roubo em Los Angeles, ‘nem para a Europa, porque acabei de roubar o World Diamond Center’. Isso não é apenas uma restrição geográfica — é uma decisão narrativa que força o roteirista e diretor Christian Gudegast a pensar de verdade sobre o próximo passo. E é aí que mora o brilho da franquia.
Diferente de outros filmes de assalto que tratam o cenário como mero pano de fundo, ‘Covil de Ladrões’ usa a geografia como elemento ativo da trama. O primeiro filme era uma história sobre território — a disputa entre a polícia de Los Angeles e uma gangue que ousou invadir o quintal do sistema financeiro americano. O segundo expandiu o mapa para a Europa, transformando a fuga em uma dança internacional. Agora, o terceiro precisa encontrar um lugar que faça sentido tanto para a lógica interna do personagem quanto para a audiência que espera algo novo.
Os quatro lugares que restaram para Donnie (e o que cada um significa)
Jackson brincou que ‘tecnicamente só tem quatro outros lugares para onde ir’. Se excluirmos América do Norte e Europa, o mapa se reduz drasticamente. Mas cada região carrega um peso narrativo diferente — e é aí que a análise fica interessante.
África: o continente esquecido pelo cinema de assalto
África é um terreno praticamente inexplorado no gênero heist. E isso é ao mesmo tempo uma oportunidade e um risco. Uma coisa é filmar em Joanesburgo ou Nairóbi com a estética de um thriller político; outra é cair no clichê do ‘continente exótico’ que Hollywood tanto adora. Gudegast teria que evitar o olhar colonizador que estraga tantos filmes de ação americanos.
Mas há um potencial enorme. A África do Sul tem uma indústria cinematográfica robusta, e o cenário de mineração de diamantes — que já foi tocado em ‘Pantera’ — poderia ser explorado de forma mais profunda. A questão é: Donnie seria um estranho em um território completamente novo, sem aliados, sem rede de contatos. Isso poderia ser exatamente o que a franquia precisa para se renovar.
América do Sul: o continente do caos criativo
O Brasil, a Argentina ou o Chile oferecem uma estética visual completamente diferente — pense nas favelas do Rio ou nos pampas argentinos. Mas aqui o desafio é outro: a violência do crime organizado sul-americano é um tema delicado, e um filme americano sobre um ladrão gringo roubando na região pode facilmente soar como propaganda imperialista disfarçada de entretenimento.
Por outro lado, há um precedente interessante: ‘Pantera’ já flertou com a ideia de Donnie operando fora da lei em um país estrangeiro, e a dinâmica de ‘peixe fora d’água’ funcionou bem. A América do Sul poderia oferecer o mesmo tipo de tensão, mas com um calor e uma energia que contrastariam com o frio europeu do segundo filme.
Ásia: o gigante que não pode ser ignorado
Se o Japão está descartado, a Ásia ainda oferece outras opções: Cingapura, Hong Kong, Dubai (tecnicamente Ásia Ocidental). Cingapura é uma cidade-estado com um sistema financeiro sofisticado e uma arquitetura que grita ‘filme de assalto’. Hong Kong tem uma tradição cinematográfica de ação que poderia influenciar a direção de Gudegast de maneiras interessantes.
Mas há um problema logístico: Donnie queimou a ponte na Europa, e a Ásia é um dos lugares mais difíceis para um foragido operar sem chamar atenção — especialmente depois de um roubo de diamantes que certamente foi notícia mundial. A menos que ele esteja disposto a se disfarçar completamente, o que abriria uma nova dimensão para o personagem.
O Reino Unido: a volta para casa que nunca aconteceu
Aqui é onde a teoria fica mais interessante. O final do primeiro ‘Covil de Ladrões’ mostrou Donnie trabalhando em um bar em Londres, em frente a uma bolsa de diamantes — uma cena que claramente preparava o terreno para o segundo filme. Mas ‘Pantera’ nunca abordou diretamente o que aconteceu na capital britânica.
Voltar a Londres seria uma jogada de mestre. Além de fechar um gancho narrativo que ficou aberto por sete anos, o Reino Unido oferece um cenário que é ao mesmo tempo familiar e novo — Donnie já esteve lá, mas nunca o vimos operar na cidade. E há uma tensão política interessante: o Brexit criou um ambiente de isolamento que um ladrão inteligente poderia explorar.
O que essa escolha diz sobre o futuro da franquia
A decisão de descartar o Japão — apesar do entusiasmo genuíno de Jackson — revela algo importante sobre como Gudegast está pensando o terceiro filme. Não se trata de escolher o cenário mais bonito ou o mais exótico; trata-se de escolher o cenário que faça sentido para a jornada do personagem.
Donnie é um estrategista. Ele não escolhe um lugar porque quer tirar fotos bonitas; escolhe porque ali existe uma oportunidade que ninguém mais viu. O Japão, por mais visualmente deslumbrante que seja, é um país com uma das polícias mais eficientes do mundo e um sistema de vigilância que tornaria qualquer assalto praticamente impossível. Um ladrão inteligente saberia disso.
E é aí que a análise das restrições narrativas se torna a chave para prever o cenário. Se Donnie não pode ir para os EUA nem para a Europa, e se o Japão está fora, as opções mais lógicas são lugares com sistemas financeiros menos protegidos, mas com riquezas suficientes para justificar um assalto de alto risco. A África do Sul, com suas minas de ouro e diamantes, ou o Brasil, com seu mercado paralelo gigantesco, seriam escolhas muito mais inteligentes do que um país de primeiro mundo com vigilância onipresente.
Há também a possibilidade de que Gudegast encontre uma maneira de trazer Donnie de volta aos EUA. Afinal, o primeiro filme nunca deixou claro se o FBI conectou Donnie ao roubo — e se ninguém está procurando por ele, por que não voltar para casa? Isso abriria a porta para um confronto final com Nick O’Brien (Gerard Butler), que ficou em Los Angeles enquanto Donnie viajava pelo mundo. Seria o fechamento perfeito para a rivalidade que começou em 2018.
O que sabemos sobre o desenvolvimento do terceiro filme
O fato de Jackson saber o cenário do novo filme é um sinal positivo. Depois de uma espera de sete anos entre o primeiro e o segundo filme, os fãs estão ansiosos para que o terceiro não demore tanto. E a confirmação de que o roteiro está avançando — com o ator conhecendo os detalhes da trama — sugere que a Lionsgate está levando a franquia a sério.
Mas há uma preocupação legítima: a franquia ‘Covil de Ladrões’ sempre foi descrita como uma espécie de primo pobre de ‘Heat’ — e o segundo filme, apesar de ter sido bem recebido, não alcançou o mesmo nível de tensão do original. A escolha do cenário do terceiro filme será crucial para determinar se a série consegue manter sua identidade ou se vai se perder em tentativas de replicar fórmulas de sucesso.
O que me preocupa é a possibilidade de Gudegast cair na armadilha do ‘maior e mais ousado’. O segundo filme já expandiu o escopo, mas perdeu um pouco da intimidade que tornava o primeiro tão eficaz. Se o terceiro for para um cenário ainda mais exótico, a franquia pode se transformar em uma paródia de si mesma.
Por outro lado, há uma chance real de que as restrições narrativas forcem Gudegast a ser mais criativo. Quando você não pode simplesmente escolher Paris ou Tóquio, é obrigado a pensar em lugares que ninguém espera — e isso pode resultar no filme mais interessante da série.
O veredito: para onde Donnie realmente vai?
Se eu tivesse que apostar, diria que a África do Sul é a escolha mais provável. O país oferece uma combinação única de riqueza mineral, corrupção institucional e uma estética visual que ainda não foi explorada no gênero heist. E há um simbolismo poderoso: Donnie, o ladrão americano que roubou o sistema financeiro dos EUA e depois os diamantes da Europa, agora miraria nas riquezas que historicamente foram extraídas da África por potências coloniais. Seria uma reviravolta temática que poucos filmes de assalto têm coragem de abordar.
Mas não me surpreenderia se Gudegast escolhesse o caminho mais óbvio e trouxesse Donnie de volta aos EUA. Afinal, a dinâmica entre Donnie e Nick é o coração da franquia, e separá-los por mais um filme inteiro seria arriscado. O final do primeiro filme, com Nick olhando para o bar onde Donnie trabalha, foi um dos momentos mais tensos do cinema de ação moderno — e a promessa de um confronto final é um gancho poderoso demais para ser ignorado.
Independentemente de onde a história se passe, o que importa é que a franquia está viva. ‘Covil de Ladrões 3’ não é apenas mais um filme de assalto; é um exercício de narrativa que respeita a inteligência do público. E enquanto Gudegast continuar levando as consequências das ações de Donnie a sério, a série continuará sendo uma das poucas no gênero que merece ser acompanhada até o fim.
Fica a pergunta: você prefere ver Donnie operando em um território completamente novo, ou quer vê-lo voltar para casa e enfrentar Nick de uma vez por todas? Eu tenho minha opinião — mas quero ouvir a sua.
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Perguntas Frequentes sobre ‘Covil de Ladrões 3’
Onde assistir ‘Covil de Ladrões’ e ‘Covil de Ladrões 2: Pantera’?
Ambos os filmes estão disponíveis no Prime Video. O primeiro também pode ser alugado no Apple TV e Google Play. ‘Pantera’ é exclusivo do Prime Video por ser produção original da Amazon.
‘Covil de Ladrões 3’ tem data de lançamento?
Ainda não há data oficial. O’Shea Jackson Jr. confirmou que o roteiro está em andamento e que ele já conhece o cenário do filme, mas a Lionsgate não anunciou previsão de estreia.
Quem é Donnie Wilson em ‘Covil de Ladrões’?
Donnie Wilson, interpretado por O’Shea Jackson Jr., é o protagonista da franquia. Originalmente um segurança do Federal Reserve, ele orquestra o roubo no primeiro filme e evolui para um ladrão internacional no segundo.
O Japão está realmente descartado em ‘Covil de Ladrões 3’?
Sim. O’Shea Jackson Jr. confirmou em entrevista ao ScreenRant que o Japão não será o cenário, apesar de seu entusiasmo pessoal pela ideia. O roteiro já define outro destino para Donnie.
‘Covil de Ladrões 3’ será o último filme da franquia?
Não há confirmação oficial. O diretor Christian Gudegast já declarou que planeja uma trilogia, mas o futuro além do terceiro filme dependerá do desempenho e da recepção do público.

