Por que ‘Superman’ e ‘Aquaman 2’ no Prime preparam para ‘Supergirl’

‘Superman’ e ‘Aquaman 2’ no Prime Video ajudam a ler a chegada de Supergirl DCU: um apresenta a Kara de Milly Alcock, o outro explica por que Jason Momoa faz sentido como Lobo.

O Prime Video virou, nesta semana, uma espécie de antessala do cinema. ‘Superman’ (2025) aparece no topo dos filmes mais vistos da plataforma, enquanto ‘Aquaman 2: O Reino Perdido’ também voltou ao radar do público. A leitura preguiçosa seria tratar isso como coincidência de catálogo. A leitura mais útil é outra: os dois filmes oferecem as chaves mais diretas para chegar a Supergirl DCU entendendo não apenas quem é Kara Zor-El, mas também por que Jason Momoa continua importante para a DC mesmo depois do fim de Arthur Curry.

Essa é a diferença entre maratonar por obrigação e assistir com contexto. ‘Superman’ entrega o gancho narrativo: a primeira impressão de Milly Alcock como Kara, sua relação torta com Krypto e o contraste imediato com a postura quase solar de Kal-El. ‘Aquaman 2’ entrega o gancho de elenco: o que Momoa já fazia como Aquaman ajuda a explicar por que James Gunn e Peter Safran o enxergaram como Lobo, o caçador de recompensas intergaláctico que deve atravessar o caminho de Kara.

‘Superman’ não apresenta Kara: ele avisa que ela não será uma cópia de Kal-El

'Superman' não apresenta Kara: ele avisa que ela não será uma cópia de Kal-El

Quando ‘Superman’ estreou em 2025, boa parte da conversa ficou concentrada em David Corenswet, no novo Lex Luthor e em Krypto. Faz sentido. O filme precisava provar que o DCU de Gunn e Safran tinha uma base emocional clara antes de se espalhar para o espaço, para magia, para Lanternas e para criaturas menos familiares do público geral. Mas a aparição de Kara Zor-El na Fortaleza da Solidão talvez seja a cena mais importante para o que vem agora.

A cena é curta, mas não é descartável. Kara surge sem a solenidade típica de uma grande entrada de super-heroína. Ela aparece alterada, pega Krypto como quem busca um cachorro emprestado depois de uma noite ruim e sai antes que o filme tente explicá-la demais. Em termos de roteiro, isso faz duas coisas ao mesmo tempo: evita uma exposição pesada e cria uma pergunta mais interessante que qualquer monólogo de origem. Que tipo de kryptoniana chega à Terra carregando esse nível de desgaste?

É aí que ‘Superman’ prepara melhor para ‘Supergirl’ do que uma recapitulação de cinco minutos no início do novo filme. A presença de Milly Alcock sugere uma Kara menos polida, mais impaciente e menos interessada em representar um ideal. Kal-El foi criado na Terra, por humanos, sob uma ética de pertencimento. Kara vem de uma perda mais direta, mais cósmica, menos filtrada pela rotina de Smallville. O contraste entre os dois não está só no diálogo; está no modo como a cena trata o corpo dela, a entrada abrupta, o humor seco e a ausência de reverência.

Também vale observar Krypto nessa equação. No filme de 2025, o cachorro funciona como alívio cômico, mas também como extensão emocional de Superman: leal, caótico, impossível de controlar por completo. Quando Kara o leva embora, a piada aponta para algo maior. Ela não está entrando no DCU pela porta da solenidade; está invadindo um espaço familiar e bagunçando a casa. Para um filme que deve levar a personagem a uma missão galáctica ao lado da jovem interpretada por Eve Ridley, essa primeira impressão importa.

O que rever em ‘Superman’ antes de ‘Supergirl’

Não é preciso reassistir a ‘Superman’ inteiro como dever de casa, mas alguns blocos ajudam. A Fortaleza da Solidão, claro, é o ponto central. Mas também preste atenção em como o filme constrói a ideia de um mundo já habitado por superfiguras: Guy Gardner, Hawkgirl e Sr. Terrífico aparecem sem que a narrativa pare para pedir licença. Esse detalhe é fundamental para a Supergirl DCU, porque indica que Gunn não quer um universo onde cada personagem precise nascer diante da câmera.

Essa decisão aproxima o DCU de uma lógica mais parecida com a dos quadrinhos: o espectador entra em um mundo em andamento. Personagens já têm passado, relações e reputações antes de ganharem um filme solo. Para Kara, isso é especialmente importante. Se ‘Supergirl’ seguir a matriz de ‘Woman of Tomorrow’, história de Tom King e Bilquis Evely que reposicionou a personagem como uma figura marcada por trauma, viagem espacial e violência moralmente ambígua, o filme não pode tratá-la apenas como a prima feminina do Superman.

Craig Gillespie, diretor de ‘Supergirl’, costuma se interessar por personagens que se performam diante do mundo enquanto tentam esconder rachaduras internas. Isso aparece em ‘Eu, Tonya’ e em ‘Cruella’, cada um a seu modo. Por isso, a Kara vista em ‘Superman’ funciona como uma amostra de tom: ela é engraçada, mas a graça parece nascer de uma defesa, não de leveza pura.

‘Aquaman 2’ é menos sobre continuidade e mais sobre Jason Momoa

'Aquaman 2' é menos sobre continuidade e mais sobre Jason Momoa

‘Aquaman 2: O Reino Perdido’ pertence a outra fase da DC. Ele não é, em termos narrativos, uma peça essencial do novo DCU. Mas ignorá-lo seria perder o segundo motivo pelo qual a maratona no Prime Video faz sentido. O filme de James Wan é útil como estudo de presença de Jason Momoa.

Momoa passa boa parte de ‘Aquaman 2’ fazendo algo difícil: vender absurdo sem pedir desculpas por ele. Ele conversa com criaturas digitais, atravessa cenários submarinos exagerados, alterna drama familiar com piada física e ainda precisa manter Arthur Curry reconhecível como rei, pai, irmão e aventureiro. O filme nem sempre equilibra esses tons com elegância, mas Momoa segura a energia da obra porque entende que Aquaman, nessa versão, nunca foi um herói sisudo. Ele é grandioso justamente porque aceita o ridículo do próprio universo.

Essa habilidade é o elo com Lobo. No papel, a troca parece radical: de soberano atlante para mercenário alienígena, de herói de tridente para anti-herói brutal. Na prática, há uma continuidade de ferramenta cênica. Lobo exige fisicalidade, humor agressivo e uma autoconfiança quase ofensiva. Momoa já testou parte disso em Arthur Curry, especialmente nas cenas em que o personagem precisa transformar arrogância em simpatia antes que ela vire pose vazia.

A diferença é que Lobo deve permitir que essa energia seja menos domesticada. Aquaman ainda precisava ser herói de franquia, com responsabilidades familiares e arco de amadurecimento. Lobo pode operar em outra chave: excesso, caos, violência cartunesca e provocação. Rever ‘Aquaman 2’ agora não serve para procurar pistas escondidas de roteiro. Serve para enxergar por que a DC preferiu reaproveitar o carisma de Momoa em vez de fingir que ele desapareceu com o antigo universo.

A ponte real entre os dois filmes está no tom, não na cronologia

O erro seria assistir a ‘Superman’ e ‘Aquaman 2’ esperando uma linha reta de acontecimentos. Um pertence ao novo arranjo do DCU; o outro vem do encerramento da fase anterior. A ponte entre eles é mais interessante: ambos ajudam a entender o tipo de elasticidade que ‘Supergirl’ precisa ter para funcionar.

De um lado, ‘Superman’ estabelece um universo onde o fantástico já é cotidiano. A montagem não trata cada aparição heroica como evento isolado; ela empilha figuras, poderes e instituições com naturalidade. De outro, ‘Aquaman 2’ mostra como a DC pode sobreviver ao excesso visual quando há um ator capaz de ancorar o absurdo com presença física. ‘Supergirl’ vai precisar das duas coisas: naturalidade cósmica e atores que não pareçam constrangidos dentro dela.

Esse ponto é decisivo porque uma aventura espacial da Supergirl não pode parecer apenas um apêndice de Superman. Kara não é interessante quando funciona como variação de marca. Ela funciona quando o filme aceita que sua experiência kryptoniana é mais amarga, mais deslocada e menos conciliadora que a de Kal-El. Se Superman olha para a humanidade como lar, Kara pode olhar para o universo como cicatriz.

Vale fazer a maratona no Prime antes de ir ao cinema?

Vale, desde que você escolha a lente certa. Se tiver tempo para apenas um, priorize ‘Superman’. É ali que estão Kara, Krypto, o tom do novo DCU e a ideia de que esse universo já começou em movimento. Se puder ver os dois, use ‘Aquaman 2’ como complemento: não pela trama, mas pela performance de Momoa e pela forma como ele transforma exagero em personalidade.

O público cansou de universos compartilhados que exigem consumo compulsório. A vantagem aqui é que a maratona não funciona como prova de vestibular. Ela funciona como preparação de leitura. ‘Superman’ ajuda a entender de onde Kara entra. ‘Aquaman 2’ ajuda a entender por que Momoa, mesmo saindo de Arthur Curry, ainda é uma aposta estratégica para a DC.

No fim, o Prime Video não está apenas oferecendo dois blockbusters populares no momento certo. Está oferecendo um atalho de contexto. Para quem pretende assistir a ‘Supergirl’ nos cinemas, essa combinação explica o que está em jogo: uma heroína que não deve pedir licença ao legado do primo e um ator que troca o tridente pelo caos intergaláctico sem abandonar aquilo que sempre vendeu melhor em cena, a sensação de que ele nasceu para habitar mundos grandes demais.

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Perguntas Frequentes sobre ‘Supergirl DCU’

Preciso assistir a ‘Superman’ antes de ‘Supergirl’?

Não deve ser obrigatório, mas é altamente recomendado. ‘Superman’ apresenta a Kara Zor-El de Milly Alcock, mostra sua relação com Krypto e estabelece o tom do novo DCU.

‘Aquaman 2’ faz parte do novo DCU?

‘Aquaman 2’ pertence à fase anterior da DC nos cinemas. Ele não é essencial para a cronologia de ‘Supergirl’, mas ajuda a entender o carisma físico de Jason Momoa antes de sua transição para Lobo.

Jason Momoa será Aquaman ou Lobo em ‘Supergirl’?

Jason Momoa deve aparecer como Lobo, não como Aquaman. A ideia é reaproveitar o ator em um papel diferente dentro da nova fase comandada por James Gunn e Peter Safran.

Onde assistir a ‘Superman’ e ‘Aquaman 2’ antes de ‘Supergirl’?

No momento descrito pelo artigo, os dois filmes estão disponíveis no Prime Video. Vale conferir o catálogo da sua região, porque a disponibilidade em streaming pode mudar.

‘Supergirl’ é baseado em ‘Woman of Tomorrow’?

O filme tem relação direta com a fase moderna da personagem associada a ‘Supergirl: Woman of Tomorrow’, de Tom King e Bilquis Evely, que apresenta uma Kara mais marcada por trauma, viagem espacial e dilemas morais.

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Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

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