O Homelander The Boys retorno só funciona se não for ressurreição. A melhor saída está nos quadrinhos: usar a ideia do clone para religar Stan Edgar, Vought e a promessa adiada de Marie em ‘Gen V’.
‘The Boys’ terminou depois de cinco temporadas de sangue, propaganda corporativa e uma desconstrução cirúrgica do capitalismo de super-heróis. A morte de Homelander precisava ser conclusiva: sem ela, o arco de Butcher, dos Boys e da própria Vought perderia peso. Mas existe uma verdade incômoda no universo pós-final: sem Antony Starr, a franquia perde seu centro gravitacional. Por isso, a discussão sobre Homelander The Boys retorno não é só saudade de fã. É uma questão de sobrevivência narrativa para os derivados que vêm depois.
O erro seria fazer o caminho preguiçoso: revelar que ele sobreviveu, inventar uma cura milagrosa ou transformar a morte em truque de montagem. Isso sabotaria cinco anos de construção. A saída mais limpa está justamente no material que a série decidiu não adaptar: a revelação dos quadrinhos de Garth Ennis e Darick Robertson em que Black Noir era um clone de Homelander, criado pela Vought como plano de contingência. A série fechou essa porta para Black Noir, mas não fechou a ideia. E, nas mãos de Stan Edgar, ela pode ser a única forma de trazer Homelander de volta sem trair o final.
O retorno só funciona se Homelander continuar morto
A regra número um para esse pós-final é simples: Homelander não pode simplesmente voltar. O personagem original precisa permanecer morto porque sua morte é o ponto final de uma doença que contaminou o mundo da série. Ele era celebridade, arma, messias fascista, produto defeituoso e criança abandonada dentro do mesmo corpo. Apagar isso seria transformar tragédia em manutenção de franquia.
Um clone, porém, muda a natureza do retorno. Não seria ressurreição. Seria reposição de estoque. E isso é muito mais fiel ao que ‘The Boys’ sempre disse sobre a Vought. A empresa nunca tratou seus supers como pessoas; tratou como propriedade intelectual, linha de produto, ativo político e ferramenta militar. Se Homelander foi o iPhone da Vought, a morte dele não encerraria a marca. Só abriria espaço para um modelo novo, mais obediente e menos emocionalmente instável.
O que os quadrinhos já ensinaram sobre o clone de Homelander
Nos quadrinhos, Black Noir não é apenas outro membro dos Seven. Ele é um clone de Homelander criado para matá-lo caso o original saísse do controle. A revelação é grotesca e cruel porque transforma a maior ameaça do mundo em algo ainda pior: uma ameaça fabricada pela própria empresa que fingia proteger a sociedade.
A série tomou outro caminho. O primeiro Black Noir ganhou uma história própria, marcada por trauma, silêncio e lealdade deformada. Depois, a Vought ainda reciclou o uniforme com outro ocupante, reforçando a piada mais amarga da série: nem a identidade de um super importa, desde que a marca continue vendendo. Por isso, copiar literalmente a virada dos quadrinhos não faria sentido. Mas reaproveitar o conceito do clone faria.
A diferença é importante. A TV não precisa revelar que Black Noir sempre foi um clone. Essa oportunidade passou. O que ela pode fazer é mostrar que a Vought aprendeu com a queda de Homelander e decidiu fabricar uma versão sem o defeito central do original: autonomia emocional. O horror não estaria em descobrir que Homelander nunca morreu, mas em perceber que a corporação considerou sua morte apenas um problema de produção.
Stan Edgar é o homem certo para apertar esse botão
Se existe alguém capaz de justificar essa jogada sem transformá-la em fan service, é Stan Edgar. Giancarlo Esposito sempre interpretou Edgar como o oposto de Homelander: controle contra impulso, silêncio contra exibicionismo, planilha contra culto de personalidade. Ele nunca pareceu impressionado com poderes porque entendia que poder real, em ‘The Boys’, não sai dos olhos. Sai de contratos, laboratórios, governos e ações na bolsa.
O retorno de Edgar ao centro da Vought cria a motivação perfeita. Ele não traria Homelander de volta por nostalgia, vingança ou apego. Traria porque a empresa perdeu seu produto mais valioso e precisa provar ao mercado que a crise foi administrada. A versão 2.0 teria o mesmo rosto, a mesma iconografia e os mesmos poderes, mas seria apresentada internamente como uma correção técnica: um Homelander com travas psicológicas, condicionamento corporativo e obediência programada.
Essa é a beleza sombria da ideia: o clone não salvaria Homelander; salvaria a Vought. Para o público dentro da série, ele poderia ser vendido como sucessor, projeto secreto ou até símbolo de estabilidade nacional. Para o espectador, seria a confirmação de que o verdadeiro monstro nunca foi só um super narcisista. Foi a máquina que o fabricou e, depois de destruída sua criação, decidiu fabricar outra.
A promessa de ‘Gen V’ que o final de ‘The Boys’ não pagou
O clone também resolveria uma frustração que ficou pendurada desde ‘Gen V’. O final da primeira temporada colocou Marie Moreau diante de Homelander em Godolkin University. Ele a atacou com seus raios laser, ela sobreviveu, e a série deixou no ar uma pergunta óbvia: até onde vai o poder de alguém que manipula sangue em um universo dominado por corpos quase invulneráveis?
Marie é uma das criações mais interessantes desse universo justamente porque sua habilidade não segue a lógica do soco mais forte. Ela não precisa atravessar a pele de um super se conseguir agir por dentro. Em teoria, sua manipulação sanguínea poderia contornar a invulnerabilidade externa de Homelander, afetando circulação, pressão interna, coagulação ou até a resposta biológica ao Composto V. É uma ameaça menos espetacular visualmente, mas muito mais perigosa conceitualmente.
O problema é que a quinta temporada de ‘The Boys’ não teve espaço para transformar essa promessa em confronto. A franquia abriu a porta, mostrou a arma e não disparou. Um clone de Homelander permitiria pagar essa dívida sem mexer no cadáver narrativo do original. Marie não enfrentaria o mesmo homem que morreu no final; enfrentaria a tecnologia, a arrogância e a repetição histórica da Vought.
Marie contra Homelander 2.0 seria mais que fan service
Uma luta entre Marie e o clone só teria valor se não fosse tratada como revanche vazia. O interesse está na mudança de dinâmica. O Homelander original podia ser manipulado por ego, carência e necessidade de adoração. Butcher, Maeve, Ryan e até Stan Edgar exploraram essas rachaduras em momentos diferentes. Um clone treinado para não desejar amor público tiraria esse atalho da mesa.
Isso obrigaria Marie a vencer de outro jeito. Não com discurso, não com apelo emocional, mas com leitura biológica e estratégia. A cena ideal não seria uma pancadaria aérea tentando imitar a escala de Homelander contra Soldier Boy. Seria algo mais clínico: Marie percebendo que o corpo do clone tem limites, padrões, falhas de fabricação. A batalha viraria uma autópsia em movimento, com ela testando até onde sua conexão com o sangue consegue desafiar o maior mito físico da Vought.
Há também um ganho temático. Marie é produto de Godolkin, de experimentos, de uma juventude usada como matéria-prima por instituições que prometem grandeza. Colocá-la contra um Homelander fabricado em laboratório faria o confronto deixar de ser apenas super contra super. Seria uma geração criada pela Vought tentando destruir o produto máximo da mesma fábrica.
Onde essa teoria pode dar errado
A ideia do clone é forte, mas perigosa. Se o roteiro usar Antony Starr apenas para recuperar a velha presença de Homelander, o truque vira covardia. O clone precisa ter função própria. Ele não pode ser uma cópia com as mesmas birras, os mesmos tiques e a mesma relação doentia com aplausos. Isso já foi feito, e foi concluído.
O caminho mais inteligente seria deixar Antony Starr interpretar algo desconfortavelmente diferente: o mesmo rosto sem a mesma alma. Um Homelander sem carência talvez seja menos teatral, menos imprevisível e até menos divertido, mas pode ser mais assustador. O original era um deus mimado. O clone poderia ser uma arma que não precisa ser amada para obedecer.
Também seria essencial limitar o uso. Um derivado pós-final não deve virar ‘The Boys: Homelander de Novo’. O clone funcionaria melhor como ameaça de arco, catalisador para Stan Edgar e teste definitivo para Marie, não como tentativa de recolocar a série no mesmo eixo de antes.
A melhor continuação é aquela que não desfaz o fim
‘The Boys’ terminou como precisava terminar: matando seu falso deus e expondo a máquina que o colocou no altar. Mas universos compartilhados raramente acabam quando seus personagens principais morrem. A pergunta é se a continuação vai respeitar o peso desse fim ou tratá-lo como obstáculo comercial.
O clone de Homelander é a solução mais viável porque conecta três pontas que ainda importam: a ideia não usada dos quadrinhos, o retorno de Stan Edgar ao poder e a promessa não cumprida de Marie Moreau contra a maior aberração biológica da Vought. Não é um jeito de trazer Homelander de volta. É um jeito de mostrar que a Vought nunca precisou dele como pessoa. Precisava apenas do produto.
Se a Prime Video tiver coragem, Antony Starr ainda pode voltar sem que Homelander ressuscite. E esse detalhe faz toda a diferença.
Para ficar por dentro de tudo que acontece no universo dos filmes, séries e streamings, acompanhe o Cinepoca também pelo Facebook e Instagram!
Perguntas Frequentes sobre Homelander em ‘The Boys’
Homelander morreu mesmo no final de ‘The Boys’?
Sim, dentro da lógica do final, a morte de Homelander deve ser tratada como definitiva. A melhor forma de trazer Antony Starr de volta seria por outro caminho narrativo, como um clone, sem desfazer o encerramento do personagem original.
Black Noir é clone de Homelander na série?
Não. Essa revelação acontece nos quadrinhos de Garth Ennis e Darick Robertson, mas a série mudou a origem de Black Noir. Ainda assim, a ideia de um clone de Homelander pode ser reaproveitada no universo da TV sem depender do personagem Black Noir.
Marie de ‘Gen V’ poderia derrotar Homelander?
Em teoria, sim. O poder de Marie é perigoso porque atua sobre o sangue, não apenas sobre força física externa. Isso poderia permitir que ela afetasse um corpo quase invulnerável por dentro, embora a série ainda precise estabelecer os limites exatos dessa habilidade.
Como Stan Edgar poderia justificar um novo Homelander?
Stan Edgar poderia justificar um novo Homelander como uma decisão corporativa da Vought: substituir seu produto mais valioso por uma versão mais controlável. Isso combina com a lógica da série, que sempre tratou supers como marcas, armas e ativos comerciais.
Antony Starr pode voltar a ‘The Boys’ sem estragar o final?
Pode, desde que ele não volte como o Homelander original sobrevivente. Um clone, uma gravação de arquivo ou uma versão fabricada pela Vought permitiriam o retorno do ator sem anular a morte que encerrou a série principal.

