Na HBO Max: do clássico Ghibli à provocação de ‘Wuthering Heights’

Analisamos três propostas radicalmente diferentes entre os filmes na HBO Max: a provocação visual de ‘Wuthering Heights’, a comédia física anômala de ‘Que Horas Eu Te Pego?’ e o silêncio contemplativo de ‘A Viagem de Chihiro’. Três razões para parar de rolar o feed e pressionar play.

O paradoxo do streaming é cruel: quanto mais títulos, mais tempo gastamos rolando a interface antes de desistir e voltar ao seriado de sempre. Por isso, a curadoria importa. E quando se olha os filmes na HBO Max disponíveis para este fim de semana, uma coisa fica clara: a plataforma continua apostando que impacto e qualidade importam mais do que volume bruto. Pegue a seleção desta semana. Temos uma animação que transcende o meio, uma comédia que respira uma nostalgia afiada e um thriller provocador que vai dividir mesas de bar. Três propostas radicalmente diferentes que, juntas, justificam a assinatura.

‘Wuthering Heights’: a provocação calculada de Emerald Fennell

Se você acompanha o cinema contemporâneo, sabe que o lançamento de um filme da Emerald Fennell é sempre um evento. E hoje, 1º de maio, a plataforma recebe a adaptação de ‘Wuthering Heights’. Esqueça qualquer expectativa de fidelidade comportada ao romance de Emily Brontë. Fennell pega a tragédia gótica e a transforma em um espetáculo de exageros, visualmente opulento e abertamente erótico. Margot Robbie lidera o elenco com o tipo de magnetismo afiado que se consolidou como sua marca registrada pós-‘Barbie’.

O filme é divisivo por natureza — e essa é a sua maior virtude. Irrita puristas da literatura e exulta quem busca o escândalo. Mas há um método nessa loucura. Assim como fez em ‘Saltburn’, Fennell usa a eroticidade e o choque não como fins em si mesmos, mas como armas para desconstruir convenções sociais e a hipocrisia de classe. A câmera se arrasta lentamente pelos corredores da propriedade, sufocando o espectador com a mesma opulência que aprisiona os personagens. Em um cenário de blockbusters assépticos, a agressividade de Fennell funciona como um corretivo necessário.

‘Que Horas Eu Te Pego?’: o último suspiro da comédia de estúdio

Depois do peso e da provocação de Fennell, o catálogo oferece um contraponto cirúrgico com ‘Que Horas Eu Te Pego?’ (2023). A premissa é simples e eficaz: uma mulher à beira da falência aceita um acordo bizarro para ‘namorar’ o filho socialmente desajeitado de um casal rico, garantindo a salvação de sua casa. O que estamos vendo aqui é a comédia ‘cringe’ no seu melhor estado — aquele humor de constrangimento que faz você tampar os olhos e rir ao mesmo tempo.

O detalhe que poucos notam é que este filme é uma anomalia temporal. Se tivesse sido lançado em 2012, seria um sucesso estrondoso de bilheteria. Hoje, é uma relíquia de um tipo de comédia de estúdio de orçamento médio que simplesmente parou de existir no cinema de sala. Basta ver a sequência da praia, onde a direção de Gene Stupnitsky usa planos abertos para expor a desgraça física de Jennifer Lawrence com a crueldade cômica de um desenho animado. Lawrence assume o papel com um timing de comédia física surpreendente, entregando um personagem hediondo e carismático em partes iguais. É o tipo de entretenimento que pede pipoca e que você entregue ao prazer do constrangimento — sendo, ironemente, mais honesto do que muita comédia pretensiosa por aí.

A contemplação como espetáculo: por que ‘A Viagem de Chihiro’ é essencial na HBO Max

Se você precisa de um lembrete de por que o cinema existe, a resposta está a um clique de distância. ‘A Viagem de Chihiro’ (2001) não é apenas a obra-prima do Studio Ghibli; é um dos pilares da animação mundial. A história da menina que precisa trabalhar em um termas sobrenatural para salvar os pais transformados em porcos é um rito de passagem. Mas o que distingue Hayao Miyazaki de qualquer outro animador é sua capacidade de encontrar o sagrado no cotidiano.

Repare na cena em que Chihiro embarca no trem que atravessa as águas sob a luz do crepúsculo. A câmera se fixa. Não há diálogos, apenas o som metálico dos trilhos e a imensidão do silêncio. É um momento de pura contemplação, uma pausa respiratória que a maioria dos diretores não teria a coragem de manter. Miyazaki entende que a animação não precisa ser sinônimo de hiperatividade visual. O resultado é um filme que envelhece não apenas pela beleza artesanal de cada quadro pintado à mão, mas pela maturidade emocional com que trata o luto, a ganância e o crescimento.

O veredito: três filmes, três propósitos

O que esses três títulos têm em comum, além do endereço virtual? A convicção. A justaposição deles é o que define a curadoria da plataforma: não é um depósito aleatório de conteúdo, é uma sala de exposição. ‘Wuthering Heights’ provoca com intelecto e audácia; ‘Que Horas Eu Te Pego?’ faz rir sem pedir desculpas por ser brega; e ‘A Viagem de Chihiro’ emociona com uma certeza artística que pouquíssimos cineastas alcançam.

Se o seu fim de semana pede debate e incômodo, comece pela provocação de Fennell. Se a ideia é rir do absurdo com uma taça de vinho na mão, vá de Jennifer Lawrence. E se você quer lembrar por que passou a amar cinema no primeiro lugar, a porta de Miyazaki sempre esteve aberta. Qual dessas experiências chama mais a sua atenção agora?

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Perguntas Frequentes sobre os filmes na HBO Max

Onde assistir à nova adaptação de ‘Wuthering Heights’ com Margot Robbie?

O novo ‘Wuthering Heights’, dirigido por Emerald Fennell e estrelado por Margot Robbie, está disponível exclusivamente na HBO Max desde 1º de maio de 2026.

‘Que Horas Eu Te Pego?’ é uma comédia adequada para toda a família?

Não. O filme tem classificação indicativa de 16 anos por conter humor constrangedor (‘cringe’), situações de teor sexual e linguagem inadequada para crianças. É uma comédia voltada para o público adulto e jovem.

Precisa ver outros filmes do Studio Ghibli para entender ‘A Viagem de Chihiro’?

Não. ‘A Viagem de Chihiro’ funciona como uma obra totalmente independente. No entanto, o filme serve como a porta de entrada perfeita para o universo do Studio Ghibli e para a filmografia de Hayao Miyazaki.

Qual a duração de ‘A Viagem de Chihiro’?

O filme tem duração de 2 horas e 5 minutos (125 minutos). Apesar do ritmo contemplativo em algumas cenas, a narrativa é envolvente e não há tempos mortos.

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Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

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