Na Running Point 2ª temporada, o triângulo amoroso de Isla vai além da escolha entre Lev e Jay: revela um conflito de identidades. Analisamos como o verdadeiro romance da protagonista é com o basquete e sua própria legitimidade no esporte.
Triângulos amorosos costumam ser o recurso mais preguiço da TV. Coloca três pessoas atraentes numa roda, deixa o público escolher times no Twitter e tem engajamento garantido. Mas quando ‘Running Point’ estreou, a série parecia querer outra coisa. Agora, na Running Point 2ª temporada, o que poderia ser apenas a clichê ‘quem ela vai escolher?’ se revela algo mais doloroso e interessante: um espelho da identidade fragmentada da protagonista.
Isla não está tentando decidir qual homem a faz mais feliz. Ela está tentando decidir qual versão dela mesma ela consegue suportar ser. E a resposta, como o criador da série David Stassen deixa claro, não está nos braços de nenhum dos dois.
Por que o triângulo de Isla é sobre identidade, não romance
A força do triângulo amoroso da série está na forma como ele estrutura os dois lados da vida de Isla. De um lado, temos Jay, o ex-técnico do LA Waves. Com ele, a conexão é visceral: eles falam a mesma língua, a do basquete profissional, da adrenalina da quadra e da pressão por resultado. Jay é a encarnação da ambição esportiva de Isla. Do outro, há Lev, o ex-noivo interpretado por Max Greenfield. Lev oferece o que Jay não pode: uma vida doméstica, intimidade que não exige playbook, um refúgio longe do barulho das arquibancadas.
O conflito é que Isla não consegue ser inteira em nenhum desses mundos. Se ela escolhe Jay, ela corre o risco de perder sua autoridade profissional (além do óbvio problema de RH). Se ela escolhe Lev, ela abdica da parte dela que respira o jogo. É por isso que o final da primeira temporada, quando Lev cancela o casamento, funciona tão bem: não foi um abandono, foi um alívio. Isla finalmente tinha espaço para focar no império que havia herdado, sem precisar se dividir para agradar a ninguém.
Mas a série não ia deixá-la em paz para sempre. Stassen acerta a mão ao explicar o dilema da protagonista: ‘Em nossas mentes, o primeiro amor de Isla é o basquete’. Isso muda toda a dinâmica. A escolha não é entre dois homens, é entre uma carreira que a define e um conforto que a anestesia. A química evidente que Kate Hudson tem com ambos os atores só torna a divisão mais crível — nós queremos que ela fique com os dois porque ela mesma quer as duas versões de si mesma.
Jay no Seattle e a chegada de Norm: o basquete como parceiro ideal
A segunda temporada faz o movimento mais inteligente possível para desempatar essa disputa: tira Jay da posição de subordinado de Isla. Ele aceita o cargo de técnico no Seattle, o time rival. No papel, isso resolve o problema de RH. Na prática, cria uma tensão narrativa muito mais sofisticada. Agora, a conexão deles não pode mais ser justificada como ‘convivência de trabalho’ — qualquer faísca que sobrar é puramente pessoal. E o fato de ele estar do outro lado da quadra eleva a aposta. O romance não é mais apenas um risco interno; é uma ameaça competitiva.
Esse vazio deixado por Jay na organização traz à tona outro elemento fascinante: a contratação de Norm Stinson, o personagem de Ray Romano. Norm não é um interesse romântico, mas ele é exatamente o tipo de mente que Isla não consegue ignorar. Ele é um veterano de beiras ásperas, um cara que não tem o carisma Pat Riley dos anos 80, mas carrega um cérebro brilhante para o esporte. Isla o contrata porque, no fundo, sua verdadeira atração sempre foi pelo basquete. O pai ausente que ela tenta substituir era um técnico; o parceiro que ela entende é o jogo.
É aqui que o arco de Isla atinge seu pico de maturidade narrativa. A série entende que o verdadeiro romance da protagonista é com a sua própria legitimidade dentro do esporte. Os homens são catalisadores, reflexos de como ela lida com o poder e a vulnerabilidade. Enquanto a maioria das comédias românticas resolveria o triângulo com um grande gesto de amor na chuva, ‘Running Point’ prefere a quadra.
A segunda temporada prova que Isla não precisa de um vencedor nessa disputa. Ela precisa é de espaço. O espaço para errar, para comandar e, claro, para continuar apaixonada pela coisa que realmente a faz levantar da cama toda manhã. Se você curte narrativas que usam tropos românticos para falar sobre ambição profissional, essa temporada é um acerto cheio. Se você só quer saber quem Isla vai beijar no final… bom, você vai ter que lidar com o fato de que a bola de basquete sempre vai ter a prioridade.
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Perguntas Frequentes sobre Running Point 2ª temporada
Onde assistir a 2ª temporada de Running Point?
A série é uma produção original da Netflix, portanto a 2ª temporada está disponível exclusivamente nessa plataforma de streaming.
Com quem Isla fica na 2ª temporada de Running Point?
A série subverte a escolha romântica tradicional. O foco da temporada não é definir um vencedor do triângulo amoroso, mas mostrar que a verdadeira paixão e prioridade de Isla é sua carreira e o basquete, não Lev ou Jay.
Quem é o novo técnico na 2ª temporada de Running Point?
Jay aceita o cargo de técnico no Seattle, o time rival do LA Waves. Para preencher o vazio na equipe, Isla contrata o veterano Norm Stinson, interpretado por Ray Romano.
Ray Romano está em Running Point?
Sim, Ray Romano se junta ao elenco da 2ª temporada como Norm Stinson, um experiente e áspero técnico de basquete que traz uma nova dinâmica para a gestão do LA Waves.

