Steven Spielberg desiste de fazer terror após ver ‘A Hora do Mal’

Steven Spielberg declarou que desistiu de fazer terror após assistir a ‘A Hora do Mal’, de Zach Cregger. O filme foi tão eficaz que “satisfez completamente” a vontade do cineasta de explorar o gênero — um caso raro de excelência que inibe em vez de inspirar.

Steven Spielberg declarou recentemente que desistiu de fazer um filme de terror — e o motivo é fascinante. Não foi falta de ideias, medo do gênero ou pressão de estúdio. Foi pura satisfação artística. Após assistir a ‘A Hora do Mal’, o cineasta de 79 anos simplesmente não sente mais a necessidade de arriscar nesse terreno. O filme de Zach Cregger foi tão eficaz que, nas palavras do próprio Spielberg, “satisfez completamente” qualquer vontade que ele tinha de dirigir terror.

Essa declaração carrega um peso que vai muito além de um elogio de cortesia entre colegas de profissão. Estamos falando de um dos maiores realizadores da história do cinema — alguém que construiu impérios criativos, definiu a gramática do blockbuster e tocou em praticamente todos os gêneros imagináveis. Spielberg dirigiu tudo, de aventura familiar em ‘E.T.: O Extraterrestre’ a dramas históricos como ‘A Lista de Schindler’. Mas terror puro? Nunca. E agora, aparentemente, nunca vai.

Por que Spielberg nunca fez terror (e isso importa)

Por que Spielberg nunca fez terror (e isso importa)

A ausência de um filme de terror na filmografia de Spielberg sempre foi uma curiosidade intrigante. O diretor flertou com o gênero diversas vezes — pense na tensão sufocante em ‘Tubarão’, nos elementos sobrenaturais de ‘Poltergeist’ (que ele produziu e, segundo rumores persistentes, co-dirigiu sem crédito), ou no horror de guerra de ‘O Resgate do Soldado Ryan’. Mas um terror “de verdade”, com toda a gramática e intenções do gênero, nunca saiu do papel.

Em entrevista à revista Empire, Spielberg explicou sua posição com uma clareza desarmante: “Eu não dirigi um filme de terror ainda, e sempre quis, e algum dia posso fazer. Mas já saíram alguns ótimos filmes de terror que coçam essa coceira”. A metáfora da “coceira” é reveladora. Spielberg não fala de competição ou comparação — fala de uma necessidade criativa que foi simplesmente preenchida.

Aqui está o que torna isso extraordinário: normalmente, quando um artista lendário vê algo brilhante, a reação é “eu preciso fazer algo assim” ou “eu posso fazer melhor”. Spielberg teve o oposto. Ele viu ‘A Hora do Mal’ e pensou: “pronto, está feito”. É uma forma rara de admiração profissional — o tipo que só existe quando alguém executa algo tão bem que elimina a necessidade de outra versão.

O filme que “satisfez completamente” o mestre

‘A Hora do Mal’, lançado em 2025, não é um filme qualquer. A trama acompanha o desaparecimento misterioso de 17 crianças em uma pequena cidade da Flórida — todas sumindo exatamente às 2h17 da madrugada. O pânico se instala, a paranóia corrói os moradores, e a professora Justine (interpretada por Julia Garner) se torna o alvo das suspeitas dos pais desesperados. O longa arrecadou US$ 270 milhões mundialmente e conquistou a crítica, inclusive levando Amy Madigan ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante pelo papel da tia Gladys.

Mas o que exatamente impressionou Spielberg? A declaração completa dá algumas pistas: “Quando vejo um grande filme de terror como ‘A Hora do Mal’, não tenho uma coceira que preciso coçar. Eu vejo ‘A Hora do Mal’, e não me faz querer fazer um filme de terror que seja tão assustador ou mais assustador que ‘A Hora do Mal’. Ele me satisfaz tão completamente que na verdade prende o meu desejo de, algum dia, fazer um filme realmente, realmente assustador.”

Note a escolha de palavras: “prende o meu desejo”. Spielberg não está dizendo que Cregger fez algo que ele não conseguiria igualar — está dizendo que Cregger fez algo que torna qualquer tentativa redundante. É como se ‘A Hora do Mal’ tivesse respondido uma pergunta que Spielberg carregava há décadas sobre o que um terror “perfeito” poderia ser.

Zach Cregger e o futuro do terror cinematográfico

Zach Cregger e o futuro do terror cinematográfico

O impacto dessa declaração se estende para além da carreira de Spielberg. Ela solidifica Zach Cregger como uma força criativa que merece ser levada a sério. O diretor já havia chamado atenção com ‘Barraca do Pesadelo’ (2022), um debut surpreendente que misturava humor absurdo com horror genuíno. Mas ‘A Hora do Mal’ é outro patamar — é o tipo de filme que faz um mestre de 50 anos de carreira repensar seus planos.

Isso não acontece com frequência. Pense em quantos diretores lendários continuam operando nos seus gêneros de conforto, ignorando o que os novos realizadores estão produzindo. Scorsese ainda faz seus filmes de crime e redenção. Tarantino permanece obcecado por sua cinefilia particular. Spielberg, curiosamente, demonstrou uma flexibilidade intelectual rara: a capacidade de dizer “isso aqui é tão bom que eu não preciso fazer”.

Para o gênero de terror como um todo, isso é um sinal encorajador. Significa que ainda há espaço para vozes que inovam o suficiente para impressionar até os gigantes estabelecidos. Cregger não fez “mais um terror competente” — ele fez algo que entrou no radar de alguém que viu tudo e fez tudo.

Quando a excelência inibe em vez de inspirar

Existe uma lição maior aqui sobre criatividade e influência. A narrativa convencional diz que grandes obras inspiram mais grandes obras — que ver algo brilhante deveria despertar o desejo de criar algo igualmente brilhante. Spielberg demonstra que, às vezes, o contrário acontece: a excelência pode ser tão completa que ela encerra um ciclo.

Isso não é derrotismo ou admiração passiva. É um reconhecimento de que certas obras realizam algo tão específico que tentar replicá-las seria, na melhor das hipóteses, redundância. Spielberg, aos 79 anos e com uma filmografia que dispensa defesa, claramente não sente necessidade de provar nada. Se ele diz que ‘A Hora do Mal’ satisfez sua vontade de fazer terror, é porque Cregger acertou em algo fundamental sobre o que o gênero pode alcançar.

Para o público, a mensagem é clara: se você se interessa por terror, ‘A Hora do Mal’ está disponível na HBO Max. E se o filme é bom o suficiente para fazer Steven Spielberg desistir de uma ideia que ele carregava há décadas, talvez valha a pena conferir.

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Perguntas Frequentes sobre Steven Spielberg e ‘A Hora do Mal’

Onde assistir ‘A Hora do Mal’?

‘A Hora do Mal’ está disponível na HBO Max. O filme foi lançado nos cinemas em 2025 e chegou à plataforma após o período de exibição nas salas.

Steven Spielberg já dirigiu algum filme de terror?

Não. Spielberg flertou com elementos de terror em filmes como ‘Tubarão’ e produziu ‘Poltergeist’, mas nunca dirigiu um terror puro. A declaração sobre ‘A Hora do Mal’ sugere que isso não deve mudar.

Quem dirigiu ‘A Hora do Mal’?

Zach Cregger dirigiu ‘A Hora do Mal’. Ele também foi responsável por ‘Barraca do Pesadelo’ (2022), seu debut no gênero que chamou atenção da crítica.

Qual é a trama de ‘A Hora do Mal’?

O filme acompanha o desaparecimento de 17 crianças em uma cidade da Flórida, todas sumindo às 2h17 da madrugada. A professora Justine (Julia Garner) se torna suspeita enquanto a paranóia toma conta da cidade.

‘A Hora do Mal’ ganhou algum Oscar?

Amy Madigan ganhou o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante pelo papel da tia Gladys. O filme também foi sucesso de bilheteira, arrecadando US$ 270 milhões mundialmente.

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Lucas Lobinco
Lucas Lobinco
Sou o Lucas, e minha paixão pelo cinema começou com as aventuras épicas e os clássicos de ficção científica que moldaram minha infância. Para mim, cada filme é uma nova oportunidade de explorar mundos e ideias, uma janela para a criatividade humana. Minha jornada não foi nos bastidores da produção, mas sim na arte de desvendar as camadas de uma boa história e compartilhar essa descoberta. Sou movido pela curiosidade de entender o que torna um filme inesquecível, seja a complexidade de um personagem, a inovação visual ou a mensagem atemporal. No Cinepoca, meu foco é trazer uma perspectiva única, mergulhando fundo nos detalhes que fazem um filme valer a pena, e incentivando você a ver a sétima arte com novos olhos.Tenho um apreço especial por filmes de ação e aventura, com suas narrativas grandiosas e sequências de tirar o fôlego. A comédia de humor negro e os thrillers psicológicos também me atraem, pela forma como subvertem expectativas e exploram o lado mais sombrio da psique humana. Além disso, estou sempre atento às novas vozes e tendências que surgem na indústria, buscando os próximos grandes talentos e as histórias que definirão o futuro do cinema.

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