Peter Jackson planeja um documentário definitivo sobre ‘O Senhor dos Anéis’, utilizando arquivos inéditos e takes alternativos nunca vistos. Analisamos por que este projeto, inspirado no estilo de ‘Get Back’, é essencial para entender a mecânica por trás da trilogia mais premiada do cinema.
Vinte e cinco anos após ‘O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel’ redefinir o conceito de épico no cinema, Peter Jackson sinaliza que sua jornada pela Terra-média ainda não terminou. O diretor neozelandês revelou planos para um projeto que faria os lendários ‘Apêndices’ das edições estendidas parecerem apenas um aperitivo: um documentário monumental focado na mecânica bruta e nos arquivos nunca antes vistos da trilogia original.
A ‘caixa de Pandora’ da WingNut Films
Diferente do que muitos fãs especulam, o objetivo de Jackson não é lançar um novo corte dos filmes. Em entrevista à Empire, ele foi categórico ao desmentir o mito de um ‘corte secreto’ de quatro horas escondido em algum cofre. O que existe, no entanto, é algo tecnicamente mais fascinante: centenas de horas de material bruto que capturam o caos criativo da produção.
Jackson quer expor a mecânica do fazer cinematográfico. Isso inclui takes alternativos onde a atuação tomou rumos diferentes, erros de gravação que humanizam o elenco e, principalmente, a evolução de tecnologias que hoje são padrão, mas que em 1999 eram experimentais. Ver as tentativas e erros de Andy Serkis antes de o Gollum se tornar o marco da performance capture seria, por si só, uma aula de história do cinema.
Onde o documentário supera os extras tradicionais
Os ‘Apêndices’ originais são considerados o padrão ouro de materiais de bastidores, mas eles são produtos de sua época — editados para construir uma narrativa de sucesso. O novo projeto de Jackson parece herdar a filosofia de ‘The Beatles: Get Back’, onde o diretor utilizou inteligência artificial e restauração para nos colocar como ‘moscas na parede’ durante o processo de criação.
Para os aficionados pela obra de Tolkien, a promessa de ver cenas que foram filmadas e descartadas é o maior atrativo. Estamos falando de fragmentos como Arwen lutando no Abismo de Helm (uma subtrama filmada e depois removida para manter a fidelidade ao livro) e flashbacks do jovem Aragorn. Ver esse material em alta definição, mesmo fora de contexto narrativo, preencheria lacunas que os fãs debatem há duas décadas.
O entrave financeiro: por que o estúdio hesita?
Apesar do entusiasmo de Jackson, o projeto ainda não recebeu o sinal verde da Warner Bros. Discovery. O motivo é puramente orçamentário. ‘Obviamente é um grande empreendimento’, admitiu o diretor. Em termos de indústria, restaurar e editar milhares de horas de filme de 35mm para um formato documental exige um investimento que muitos executivos relutam em aprovar para uma obra que já foi ‘concluída’.
Entretanto, o histórico recente de Jackson joga a seu favor. Após ‘Eles Não Envelhecerão’ e o aclamado documentário dos Beatles, ele provou que consegue transformar ‘arquivos mortos’ em eventos culturais globais. O momento também é estrategicamente perfeito: com a franquia em expansão através de ‘A Guerra dos Rohirrim’ e o futuro ‘The Hunt for Gollum’, o interesse pela Terra-média está em um novo pico de audiência.
O valor da imperfeição
O apelo deste documentário não reside na perfeição técnica que vemos nos filmes, mas na sua ausência. Ver Viggo Mortensen quebrar o dedo do pé em tempo real em ‘As Duas Torres’ ou observar a equipe de maquiagem lidando com próteses derretendo no calor da Nova Zelândia oferece uma perspectiva que nenhum CGI moderno consegue replicar. É um tributo ao cinema tátil e artesanal que definiu o início dos anos 2000.
Se aprovado, este projeto não será apenas mais um ‘making of’. Será o testamento final de uma produção que mudou a indústria para sempre. Jackson tem o material e a expertise; resta saber se o estúdio terá a visão de que preservar essa história é tão lucrativo quanto criar uma nova.
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Perguntas Frequentes sobre o novo documentário de Peter Jackson
O documentário de ‘O Senhor dos Anéis’ já tem data de lançamento?
Ainda não. Peter Jackson confirmou o desejo de realizar o projeto, mas admitiu que o estúdio ainda não aprovou o orçamento necessário para a restauração e edição do material.
O projeto terá cenas inéditas dos filmes?
Sim. O foco são takes alternativos, erros de gravação e cenas que foram filmadas mas cortadas na montagem final, como a participação de Arwen na batalha do Abismo de Helm.
Haverá uma nova ‘Versão Estendida’ da trilogia?
Não. Peter Jackson esclareceu que o objetivo é um documentário sobre os bastidores e a mecânica da produção, e não uma nova edição narrativa dos filmes originais.
Onde o documentário será exibido?
Caso seja aprovado, o destino mais provável é a plataforma Max (antiga HBO Max), devido aos direitos da Warner Bros. sobre a franquia, ou um lançamento especial em cinemas IMAX.

