Enquanto a 3ª temporada de ‘Percy Jackson’ não chega em 2026, selecionamos 9 séries de mitologia grega que capturam a essência dos heróis e deuses. De ‘KAOS’ a ‘Xena’, analisamos como essas produções humanizam o divino e modernizam os mitos clássicos.
A espera por uma nova temporada de ‘Percy Jackson e os Olimpianos’ exige uma paciência digna de Penélope. Com o terceiro ano previsto apenas para 2026, o vazio deixado pelo Acampamento Meio-Sangue no Disney+ pode parecer um abismo. No entanto, a fascinação pelas séries de mitologia grega é uma herança de dois milênios que a televisão aprendeu a explorar com diferentes graus de reverência e subversão.
O que torna a obra de Rick Riordan especial não é apenas a presença de monstros, mas a humanização do divino: transformar deuses em pais ausentes e heróis em adolescentes deslocados. Se você busca essa mistura de épico e pessoal, selecionei nove produções que atacam o mito por ângulos distintos — do camp nostálgico ao suspense visceral.
9. ‘KAOS’: O Zeus neurótico de Jeff Goldblum
Se em ‘Percy Jackson’ os deuses são burocráticos, em ‘KAOS’ (Netflix) eles são celebridades disfuncionais em um presente alternativo. Jeff Goldblum entrega um Zeus paranoico, usando agasalhos de grife enquanto surta por causa de uma ruga na testa — que ele interpreta como o início de uma profecia de queda. É uma sátira ácida sobre poder e controle.
A conexão com Percy aqui é a modernização estética. Enquanto Riordan coloca o Olimpo no Empire State, ‘KAOS’ cria um mundo onde a devoção é parte do cotidiano cruel dos mortais. A narrativa entrelaça figuras como Eurídice e Prometeu de forma a desafiar o espectador a reconhecer o mito sob a estética contemporânea e fria da produção.
8. ‘O Sangue de Zeus’: O amadurecimento visceral
Muitas vezes descrita como a versão adulta de ‘Percy Jackson’, esta animação da Netflix utiliza a liberdade do traço para entregar a escala colossal das batalhas divinas. O foco é Heron, um plebeu que descobre ser filho de Zeus e precisa sobreviver à fúria de Hera. O estilo do estúdio Powerhouse (o mesmo de ‘Castlevania’) dá aos deuses uma imponência física intimidante.
O paralelo com Percy é direto: ambos são filhos ilegítimos escondidos por mães mortais, atormentados por sonhos proféticos. A diferença reside no tom: ‘O Sangue de Zeus’ não economiza no sangue ou na tragédia clássica, tratando o Olimpo como um ninho de víboras perigoso.
7. ‘Jasão e os Argonautas’ (Minissérie de 2000)
Ao chegar na segunda temporada de ‘Percy Jackson’, você esbarra na busca pelo Velocino de Ouro. Para entender a gênese dessa demanda, esta minissérie é fundamental. Embora os efeitos visuais de 2000 tenham envelhecido, o roteiro captura a essência da impertinência heroica.
Jasão é o protótipo do herói que precisa provar seu valor diante de deuses que jogam xadrez com a vida humana. A sequência contra as Harpias ainda guarda uma tensão genuína, servindo como uma aula de estrutura narrativa para quem quer entender como os mitos clássicos se transformaram em roteiros de aventura modernos.
6. ‘Olympus’: O prazer culposo do baixo orçamento
É necessário um aviso: ‘Olympus’ (Syfy) não tem o orçamento da Disney. A tela verde é evidente, mas há algo de magnético em sua narrativa operística. O protagonista, Hero, busca sua linhagem em um mundo onde os deuses são entidades sombrias e os humanos são peças de um jogo político violento.
Se você gosta do peso do destino em ‘Percy Jackson’, ‘Olympus’ oferece uma visão mais cínica. É uma série para quem aprecia tramas de traição e mistério e não se importa com uma estética low-budget, focando puramente nos tropos da séries de mitologia grega.
5. ‘Great Greek Myths’: A beleza da tradição oral
Esta indicação foge da dramatização convencional, mas é indispensável. A série documental francesa utiliza uma técnica de animação baseada em silhuetas e artes que remetem a vasos antigos. É a base teórica perfeita que transforma a experiência de assistir a outras ficções em algo muito mais rico.
Ver a história de Cronos contada aqui dá um peso dramático maior às ameaças que Percy enfrenta. A narração hipnótica e o rigor histórico fazem desta obra uma peça de worldbuilding real para qualquer fã da saga literária.
4. ‘Academia de Titãs’: O primo esquecido dos anos 2000
Lançada quase junto ao primeiro livro de Riordan, esta animação canadense compartilha um DNA idêntico. Adolescentes descendentes de heróis originais (como Hércules e Ulisses) são convocados para impedir que Cronos destrua o mundo. A dinâmica de grupo entre os jovens é o que mais se aproxima do trio Percy, Annabeth e Grover.
Embora visualmente datada com o estilo angular do início do milênio, a série entende o fardo do legado heroico sobre ombros jovens. É uma cápsula do tempo fascinante sobre como a mitologia foi adaptada para o público infanto-juvenil pré-MCU.
3. ‘Atlântida’ (Atlantis): A aventura britânica da BBC
Produzida pela equipe de ‘Merlin’, ‘Atlântida’ traz Jasão para o centro da narrativa com um toque de ficção científica: ele viaja no tempo e acaba na lendária ilha. É uma aventura episódica que mistura figuras como Pitágoras e um Hércules fanfarrão, interpretado por Mark Addy.
O prazer aqui está em ver personagens como Medusa e o Oráculo sendo reimaginados com o charme britânico de aventura para toda a família. O tom é leve, equilibrando perigo e humor de forma muito similar ao que o Disney+ tenta fazer com a série atual de Percy.
2. ‘Helena de Troia’ (2003): O divino no centro do conflito
Diferente do filme ‘Troia’ de Brad Pitt, que removeu os deuses para tentar realismo, esta minissérie abraça o divino. Os deuses são peças fundamentais, movendo Helena e Páris como marionetes. A agência feminina é o ponto forte aqui.
Assim como a série de Percy Jackson dá camadas a Medusa e Circe, ‘Helena de Troia’ transforma sua protagonista de um objeto de disputa em uma mulher complexa lidando com as consequências de ser filha de Zeus em um mundo de homens violentos. É uma análise sobre destino e livre-arbítrio.
1. ‘Xena: A Princesa Guerreira’: O pilar do gênero
Não existe lista de séries de mitologia grega sem prestar reverência à ‘Xena’. A série de Lucy Lawless pavimentou o caminho para o tom irreverente que Rick Riordan adotaria anos depois. Xena e Gabrielle viajam por uma Grécia mítica enfrentando deuses que são tão mesquinhos quanto poderosos.
A influência de ‘Xena’ é visível na construção de personagens como Annabeth e Clarisse. A série provou que heroínas podem ser brutais e vulneráveis simultaneamente. É camp, é feminista e, acima de tudo, é o padrão ouro de como transformar mitologia em entretenimento de massa sem perder a alma dos contos originais.
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Perguntas Frequentes sobre Séries de Mitologia Grega
Onde assistir à série ‘KAOS’?
‘KAOS’, estrelada por Jeff Goldblum, é uma produção original da Netflix e está disponível exclusivamente na plataforma de streaming.
‘O Sangue de Zeus’ é recomendado para crianças?
Qual dessas séries é a mais fiel aos mitos gregos originais?
‘Great Greek Myths’ (Grandes Mitos Gregos) é a mais fiel, pois utiliza uma abordagem documental e artística para narrar as histórias conforme os textos clássicos de Homero e Hesíodo.
Quando estreia a 3ª temporada de ‘Percy Jackson’?
A terceira temporada de ‘Percy Jackson e os Olimpianos’, que adaptará o livro ‘A Maldição do Titã’, tem previsão de lançamento para o início de 2026 no Disney+.
Preciso ler os livros para entender ‘Academia de Titãs’ ou ‘KAOS’?
Não. Embora o conhecimento prévio dos mitos ajude a identificar referências (easter eggs), todas as séries citadas são obras independentes que explicam seus próprios universos.

