William Shatner quebra o silêncio e concorda com as críticas pesadas à nova série ‘Starfleet Academy’. Analisamos por que o eterno Capitão Kirk acredita que a franquia abandonou o protocolo militar de Roddenberry em favor de um drama adolescente que descaracteriza a Frota Estelar.
Quando Stephen Miller, ex-conselheiro da Casa Branca, postou no X que ‘Star Trek: Starfleet Academy’ era “trágica” e que a única salvação seria dar a William Shatner controle criativo total, o fandom esperava o silêncio diplomático. Mas Shatner, aos 93 anos, escolheu o caminho oposto: ele não apenas respondeu, como validou a crítica, escancarando uma ferida que a Paramount+ tenta ignorar há anos.
A resposta de Shatner, carregada de emojis e ironia sobre orçamentos inflados, não é apenas um desabafo de um veterano. É um diagnóstico técnico sobre por que a nova fase da franquia parece alienígena para quem cresceu com a Série Original. O problema central? A morte do protocolo militar em favor do melodrama interpessoal.
A ‘Bíblia’ de Roddenberry vs. o Drama Adolescente
Shatner não critica a nova série por ser moderna, mas por violar o que Gene Roddenberry considerava o alicerce de ‘Star Trek’: a disciplina. Em 2024, Shatner foi específico: “Eugene Roddenberry era muito rigoroso com o protocolo militar. Ter um relacionamento íntimo com alguém ao seu lado era verboten”.
Para o eterno Capitão Kirk, a tensão dramática de ‘Star Trek’ nascia justamente da repressão — do conflito entre o dever militar e os impulsos humanos. Quando ‘Starfleet Academy’ coloca cadetes em situações de romance e conflitos emocionais expostos, ela remove a estrutura que tornava a exploração espacial algo profissional e perigoso. Sem o protocolo, a Frota Estelar vira apenas um colégio interno com lasers.
O Abismo Estatístico: 87% vs. 43%
Os números de ‘Starfleet Academy’ contam uma história de desconexão profunda. Enquanto a crítica especializada conferiu 87% de aprovação no Rotten Tomatoes (celebrando a “inovação tonal”), o público respondeu com um brutal 43% no Popcornmeter. Essa discrepância de 44 pontos é um sinal vermelho para qualquer franquia.
O consenso crítico elogia a série como um “respiro de ar fresco”, mas a análise do ScreenRant toca no ponto que ressoa com Shatner: falta a perspicácia política e a gravidade dos predecessores. O público não quer apenas ver jovens no espaço; eles querem ver a meritocracia e a ética que definiram a Federação.
Holly Hunter e o Século 32: Evolução ou Traição?
Ambientada no século 32, a série coloca a USS Athena sob o comando da Capitã Nahla Ake (Holly Hunter). É um cenário de reconstrução da Federação que permitiria discussões profundas sobre geopolítica galáctica. No entanto, o material promocional e os primeiros episódios evocam mais o estilo visual de produções da CW do que o legado de ‘The Original Series’ ou ‘The Next Generation’.
Shatner, que viveu a era onde cada decisão no set passava pelo crivo obsessivo de Roddenberry, vê essa mudança como uma diluição da marca. Não é apenas nostalgia; é a defesa de um gênero que trocou a ficção científica filosófica pelo drama young adult.
Por que a voz de Shatner ainda define o rumo
Seria fácil rotular Shatner como um conservador da ficção científica, mas sua autoridade é única: ele é a última ponte viva com a intenção original do criador. Quando ele afirma que Roddenberry “se reviraria no túmulo”, ele o faz com a propriedade de quem ajudou a construir cada tijolo da ponte da Enterprise.
‘Star Trek’ sempre foi político — do primeiro beijo inter-racial à crítica à Guerra Fria. Mas essa política era entregue através de alegorias sofisticadas, não de conflitos de relacionamento que poderiam acontecer em um drama médico contemporâneo. A crítica de Shatner sugere que, ao tentar ser tudo para todos, a franquia corre o risco de não ser nada para ninguém.
O Veredito da Fronteira Final
A franquia está em uma encruzilhada. De um lado, o sucesso de ‘Strange New Worlds’ mostra que há espaço para o clássico modernizado. Do outro, ‘Starfleet Academy’ e ‘Discovery’ testam os limites da paciência do núcleo duro de fãs. Shatner já deu seu veredito: sem a espinha dorsal militar, ‘Star Trek’ perde sua bússola moral.
A Paramount pode continuar ignorando as notas do público em favor dos elogios da crítica, mas quando o homem que definiu o que é ser um Capitão da Frota Estelar concorda publicamente com as críticas mais duras, o sinal de alerta deveria estar em volume máximo.
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Perguntas Frequentes sobre William Shatner e Star Trek
O que William Shatner criticou em ‘Starfleet Academy’?
Shatner criticou a falta de protocolo militar e o excesso de dramas românticos/interpessoais entre os personagens, algo que Gene Roddenberry, o criador original, proibia estritamente para manter a seriedade da Frota Estelar.
Onde assistir à série ‘Star Trek: Starfleet Academy’?
A série é uma produção original da Paramount+ e está disponível exclusivamente na plataforma de streaming da Paramount.
William Shatner vai voltar a Star Trek como Capitão Kirk?
Aos 93 anos, Shatner afirmou que só voltaria se houvesse um roteiro genuinamente bom e que fizesse sentido para a idade atual do personagem, possivelmente através de tecnologia de rejuvenescimento digital, mas não há planos oficiais da Paramount para isso no momento.
Qual é a nota de ‘Starfleet Academy’ no Rotten Tomatoes?
A série apresenta uma grande divisão: possui cerca de 87% de aprovação dos críticos, mas apenas 43% de aprovação do público (Popcornmeter), refletindo a insatisfação dos fãs tradicionais mencionada por Shatner.

