‘Wicked: Parte 2’: Por que a música inédita de Elphaba cortou um local icônico?

Descubra por que Stephen Schwartz cortou Munchkinland de ‘No Place Like Home’, a nova música de Cynthia Erivo em ‘Wicked: Parte 2’. Analisamos como essa escolha preservou o peso emocional da protagonista e evitou que a nostalgia distraísse do arco de sacrifício de Elphaba.

Decisões criativas em grandes franquias raramente são casuais. No caso de ‘Wicked: Parte 2’, a inclusão de uma música inédita para a Elphaba de Cynthia Erivo gerou uma das discussões mais interessantes sobre economia narrativa. A revelação de Stephen Schwartz sobre o corte de Munchkinland em ‘No Place Like Home’ não é apenas uma curiosidade de bastidores; é uma aula de como preservar a integridade emocional de uma protagonista.

A armadilha da nostalgia: Por que Munchkinland ficou de fora

A armadilha da nostalgia: Por que Munchkinland ficou de fora

A ideia original de ‘No Place Like Home’, concebida pela roteirista Winnie Holtzman, era visualmente ambiciosa. Elphaba retornaria à sua terra natal, Munchkinland, e confrontaria as memórias de sua infância enquanto tentava recrutar Animais para sua causa. No papel, parece o momento perfeito para um fan service emocional, mas Schwartz percebeu que isso diluiria a mensagem da canção.

Em entrevista ao Entertainment Weekly, o compositor detalhou que existia uma introdução inteira onde Elphaba reagia ao lugar onde cresceu. O problema? Munchkinland é o epicentro do trauma de Elphaba. Foi lá que sua pele verde a transformou em pária desde o nascimento. Ao remover essa sequência, Schwartz evitou que a música se tornasse um lamento sobre o passado, focando-a inteiramente no futuro e no sacrifício que está por vir.

Dorothy vs. Elphaba: O significado invertido de ‘Home’

O título da canção é uma referência direta e irônica à frase mais famosa de ‘O Mágico de Oz’. No entanto, o peso dramático aqui é invertido. Enquanto Dorothy Gale usa a frase para expressar o desejo de voltar à segurança do familiar, a Elphaba de Cynthia Erivo a utiliza para declarar sua lealdade a um lugar que a odeia.

Schwartz e Erivo — que colaborou ativamente na composição — entenderam que a força da música reside na contradição. Se Elphaba estivesse em Munchkinland, a música seria sobre rejeição. Ao situar a canção na solidão de sua caverna, focando nos Animais que ela tenta proteger, o foco muda para o altruísmo. Ela não está lutando contra quem a machucou; ela está lutando por aqueles que Oz ainda não destruiu.

Cynthia Erivo e a construção de uma nova ‘Defying Gravity’

Cynthia Erivo e a construção de uma nova 'Defying Gravity'

Não é fácil adicionar material novo a um musical tão amado quanto ‘Wicked’. ‘No Place Like Home’ precisava ter o mesmo DNA emocional de clássicos como ‘Defying Gravity’, mas com a maturidade de uma personagem que já perdeu quase tudo. A performance de Erivo, conhecida por sua precisão técnica e entrega visceral, ancora a música em um realismo melancólico que a versão teatral raramente explorava.

A escolha de Schwartz em manter a música contida, reduzindo falas e eliminando distrações geográficas, permitiu que a voz de Erivo se tornasse o cenário principal. É uma decisão que favorece o arco político da personagem: Elphaba aceita que seu ‘lar’ não é um local físico, mas a responsabilidade que ela assumiu.

O impacto no desfecho de ‘Wicked: Parte 2’

Sem a sequência de Munchkinland, o sacrifício final de Elphaba ganha uma nova camada de nobreza. Se ela tivesse voltado para casa e visto apenas dor, deixá-la seria fácil. Ao focar no amor que ela ainda sente por Oz, apesar de tudo, o filme transforma sua partida em uma renúncia genuína, e não em uma fuga de traumas passados.

Com ‘No Place Like Home’ já despontando como favorita em premiações como o Globo de Ouro, fica claro que Schwartz tomou a decisão correta. Às vezes, o que você escolhe não mostrar é o que dá força ao que permanece na tela. ‘Wicked: Parte 2’ já está disponível em plataformas digitais, oferecendo aos fãs a chance de analisar cada nota dessa nova e fundamental peça do quebra-cabeça de Oz.

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Perguntas Frequentes sobre ‘Wicked: Parte 2’

Qual é a nova música de Cynthia Erivo em ‘Wicked: Parte 2’?

A música inédita chama-se ‘No Place Like Home’. Ela foi escrita por Stephen Schwartz com colaboração de Cynthia Erivo especificamente para o segundo filme, não existindo na peça original da Broadway.

Por que a cena de Munchkinland foi cortada da música?

O compositor Stephen Schwartz sentiu que mostrar o retorno de Elphaba a Munchkinland focaria muito no seu trauma pessoal e rejeição, quando a música deveria destacar seu amor altruísta por Oz e seu desejo de salvar os Animais.

Onde posso assistir ‘Wicked: Parte 2’?

Atualmente, o filme está disponível para aluguel e compra em plataformas digitais como Apple TV, Google Play e Amazon Prime Video. O lançamento no streaming Peacock deve ocorrer em breve.

‘No Place Like Home’ foi indicada ao Oscar?

A música é uma forte candidata e já recebeu indicações em premiações precursoras como o Globo de Ouro. As indicações oficiais da Academia para 2026 serão anunciadas em breve.

A música inédita altera a história original de ‘Wicked’?

Não altera os eventos principais, mas aprofunda a motivação de Elphaba, explicando melhor por que ela decide lutar contra o Mago em vez de simplesmente fugir de Oz.

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Lucas Lobinco
Lucas Lobinco
Sou o Lucas, e minha paixão pelo cinema começou com as aventuras épicas e os clássicos de ficção científica que moldaram minha infância. Para mim, cada filme é uma nova oportunidade de explorar mundos e ideias, uma janela para a criatividade humana. Minha jornada não foi nos bastidores da produção, mas sim na arte de desvendar as camadas de uma boa história e compartilhar essa descoberta. Sou movido pela curiosidade de entender o que torna um filme inesquecível, seja a complexidade de um personagem, a inovação visual ou a mensagem atemporal. No Cinepoca, meu foco é trazer uma perspectiva única, mergulhando fundo nos detalhes que fazem um filme valer a pena, e incentivando você a ver a sétima arte com novos olhos.Tenho um apreço especial por filmes de ação e aventura, com suas narrativas grandiosas e sequências de tirar o fôlego. A comédia de humor negro e os thrillers psicológicos também me atraem, pela forma como subvertem expectativas e exploram o lado mais sombrio da psique humana. Além disso, estou sempre atento às novas vozes e tendências que surgem na indústria, buscando os próximos grandes talentos e as histórias que definirão o futuro do cinema.

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