‘We Bury the Dead’: por que este terror é o ‘esquenta’ ideal para ‘Extermínio 3’

Analisamos como ‘We Bury the Dead’, estrelado por Daisy Ridley, resgata o terror biológico e emocional que definiu a franquia ‘Extermínio’. Um guia sobre por que este thriller de luto na Tasmânia é a preparação obrigatória para ‘Extermínio: A Evolução’.

Enquanto o mundo aguarda o retorno de Danny Boyle e Cillian Murphy em ‘Extermínio: A Evolução’ (28 Years Later), um título menor, mas visceral, surgiu no radar para calibrar nossas expectativas sobre o terror biológico. ‘We Bury the Dead’ Daisy Ridley não é apenas mais um filme de ‘infectados’. É uma obra que entende que o verdadeiro horror não reside na mordida, mas no vazio que fica quando o mundo para de fazer sentido.

Dirigido por Zak Hilditch — que já provou sua maestria em lidar com o fim do mundo no excelente ‘These Final Hours’ — o filme utiliza o isolamento da Tasmânia para criar uma atmosfera de claustrofobia a céu aberto. Se você busca o DNA emocional que tornou a franquia ‘Extermínio’ um marco, este é o ponto de partida ideal.

A ciência do medo: O DNA compartilhado com a saga de Danny Boyle

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Diferente dos zumbis sobrenaturais de ‘The Walking Dead’, os antagonistas de ‘We Bury the Dead’ compartilham uma lógica científica perturbadora com o Vírus da Raiva de Boyle. Aqui, um acidente com armas experimentais não cria monstros imortais, mas seres em um estado de limbo biológico. Eles são vítimas de uma falha humana, não de uma maldição.

A tensão não vem de hordas correndo em alta velocidade, mas da incerteza. Hilditch foca no processo: voluntários recolhem corpos que, tecnicamente, deveriam estar mortos, mas que apresentam picos de atividade cerebral errática. A cena em que Ava (Ridley) precisa processar um caminhão repleto de corpos que começam a ‘respirar’ em uníssono é um exercício de design de som brilhante — um chiado mecânico e humano que gera mais desconforto do que qualquer jump scare barato.

A desconstrução de Daisy Ridley: O luto como performance física

Esqueça a agilidade de Rey ou o heroísmo épico. Em ‘We Bury the Dead’, Daisy Ridley entrega sua performance mais crua e exausta. Ela interpreta Ava, uma mulher que se voluntaria para a tarefa ingrata de coletora de cadáveres apenas para encontrar o corpo do marido desaparecido.

Ridley trabalha com o peso do corpo. Há uma materialidade em sua atuação: a sujeira sob as unhas, a coluna curvada pelo peso dos sacos de cadáveres, o olhar que alterna entre a esperança doentia e o desespero absoluto. É uma atuação que lembra o trabalho de Cillian Murphy no primeiro ‘Extermínio’ — um protagonista definido pela vulnerabilidade em um mundo que exige brutalidade. Ridley prova que sua força dramática reside no silêncio, sustentando planos longos onde o luto é a única trilha sonora.

O terror como linguagem para o ‘pós-apocalipse azul’

O terror como linguagem para o 'pós-apocalipse azul'

O gênero costuma focar no momento da queda. ‘We Bury the Dead’ foca na limpeza. É o que podemos chamar de ‘terror de colarinho azul’. O mundo não acabou totalmente; a burocracia do luto ainda existe. Essa abordagem aproxima o filme do tom que esperamos de ‘Extermínio: A Evolução’, que deve explorar como a sociedade se reconstruiu (ou falhou em se reconstruir) décadas após o surto inicial.

Hilditch usa a fotografia de cores lavadas e a paisagem árida da Tasmânia para reforçar que o horror é, acima de tudo, solitário. Quando o filme escala para a violência, ela é desajeitada, feia e triste. Não há glória em sobreviver quando o que você está combatendo é um reflexo distorcido de alguém que você amou.

Por que este é o ‘esquenta’ necessário para 2026

Assistir ‘We Bury the Dead’ antes de ‘Extermínio: A Evolução’ é uma escolha estratégica de tom. Enquanto o filme de Boyle promete escala e a ‘evolução’ do conceito de infecção, a obra de Hilditch nos lembra da escala humana da tragédia.

Ele prepara o espectador para um terror que não é descartável. É um filme que exige paciência, recompensando-a com uma reflexão amarga sobre a incapacidade humana de desapegar. Se ‘Extermínio’ nos ensinou a correr, ‘We Bury the Dead’ nos ensina a parar e encarar o que deixamos para trás.

Veredito: Para quem é este filme?

Se você aprecia o terror psicológico de ‘Hereditário’ ou a melancolia de ‘A Estrada’, este filme foi feito para você. Não é um filme de ação; é um estudo de personagem disfarçado de thriller de sobrevivência. Daisy Ridley finalmente encontrou um papel que desafia sua imagem de estrela de blockbuster, entregando uma das protagonistas mais humanas do gênero nos últimos anos.

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Perguntas Frequentes sobre ‘We Bury the Dead’

‘We Bury the Dead’ é uma sequência de ‘Extermínio’?

Não. ‘We Bury the Dead’ é um filme independente dirigido por Zak Hilditch. A conexão mencionada é temática e de tom, servindo como uma recomendação para fãs do estilo de terror biológico de ‘Extermínio’.

Onde posso assistir ‘We Bury the Dead’ com Daisy Ridley?

O filme teve sua estreia em festivais e está sendo distribuído globalmente pela Neon e plataformas de streaming parceiras. Verifique a disponibilidade no Prime Video ou Apple TV+ conforme a data de lançamento na sua região.

Qual é a classificação indicativa do filme?

O filme possui classificação para maiores de 16 anos devido a cenas de violência gráfica, horror corporal e temas intensos relacionados ao luto e trauma.

O filme é muito assustador ou foca mais no drama?

‘We Bury the Dead’ é um híbrido. Embora tenha momentos de tensão e horror biológico (corpos voltando à vida), o foco principal é o drama psicológico da protagonista vivida por Daisy Ridley.

Daisy Ridley interpreta uma heroína de ação neste filme?

Pelo contrário. Ridley interpreta Ava, uma mulher comum e vulnerável. O papel é focado em sua resistência emocional e física diante de uma tragédia, distanciando-se de seus papéis em franquias de ação como ‘Star Wars’.

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Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

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