‘Velozes e Furiosos 5’: o equilíbrio perfeito que a franquia nunca recuperou

Analisamos por que ‘Velozes e Furiosos 5: Operação Rio’ permanece como o melhor filme da franquia. Entenda como o equilíbrio entre efeitos práticos, a introdução de Hobbs e a mudança para o gênero de assalto criou um ápice que as sequências mirabolantes nunca conseguiram repetir.

Existe um momento exato na história de qualquer franquia de ação em que todas as engrenagens se alinham. O elenco atinge o ápice da química, o diretor domina a linguagem do espetáculo e o roteiro ainda respeita as leis da física o suficiente para manter a tensão. Para a saga da Universal, esse ápice atende pelo nome de ‘Velozes e Furiosos 5: Operação Rio’. Lançado em 2011, o longa não foi apenas um sucesso de bilheteria; foi o ponto de equilíbrio que a franquia, em sua busca desenfreada pelo ‘maior e mais absurdo’, nunca mais conseguiu recuperar.

Reassistir ao filme hoje, sob a ótica de uma saga que já enviou carros ao espaço, é uma experiência reveladora. Percebe-se que o segredo de Justin Lin não foi apenas aumentar a escala, mas mudar o gênero: ele transformou uma franquia de rachas de rua em um heist movie (filme de assalto) de primeira linha, bebendo diretamente da fonte de clássicos como ‘Onze Homens e um Segredo’.

O triunfo da fisicalidade sobre o CGI

O triunfo da fisicalidade sobre o CGI

O que separa ‘Operação Rio’ de seus sucessores é a sensação de peso. Quando Dom (Vin Diesel) e Brian (Paul Walker) saltam do trem em movimento no deserto, ou quando arrastam um cofre de dez toneladas pelas ruas do Rio, o espectador sente o impacto. Justin Lin optou por efeitos práticos sempre que possível — o cofre destruindo carros na Avenida Presidente Vargas era real, uma peça de aço maciço que exigiu engenharia pesada para ser manobrada.

Essa fisicalidade cria um perigo que desapareceu nos filmes recentes. Em ‘Velozes 5’, os personagens ainda sangram. Quando Brian e Mia saltam de uma ponte, há uma hesitação humana. Nos filmes atuais, a equipe de Toretto se tornou um grupo de semideuses imortais; em 2011, eles eram apenas criminosos excepcionalmente habilidosos encurralados em uma cidade estrangeira. A tensão vinha da vulnerabilidade.

Hobbs: o antagonista que a franquia desaprendeu a criar

A entrada de Dwayne Johnson como Luke Hobbs foi o último grande acerto de casting da saga. Hobbs não era um vilão de desenho animado com planos de dominação global; ele era um cão de caça. A simplicidade de sua motivação — ‘eu sou a lei e você é o alvo’ — funcionava como o contraponto perfeito para a ética de ‘família’ de Toretto.

A luta corporal entre Diesel e Johnson em uma garagem do Rio é um dos momentos mais viscerais da franquia. Não há superpoderes, apenas dois blocos de músculos colidindo em uma coreografia bruta. Compare isso com os vilões posteriores, como a Cipher (Charlize Theron) ou o Dante (Jason Momoa), que dependem de monólogos teatrais e tecnologias impossíveis. Hobbs era uma força da natureza que não precisava de um satélite para ser assustador.

O Rio de Janeiro: entre o cenário e a funcionalidade

O Rio de Janeiro: entre o cenário e a funcionalidade

Embora boa parte das filmagens tenha ocorrido em Porto Rico por questões logísticas, a representação do Rio de Janeiro em ‘Velozes e Furiosos 5’ é fundamental para a narrativa. O filme usa a geografia da cidade — o contraste entre o luxo da zona sul e a verticalidade das favelas — para ditar o ritmo das perseguições. A sequência de perseguição a pé pelos telhados da comunidade é um exercício de montagem impecável, focada em movimento e urgência.

Diferente de ‘Velozes 7’ ou ‘Velozes 8’, onde as cidades são apenas cartões-postais para explosões, o Rio aqui molda o plano do assalto. A corrupção sistêmica personificada pelo vilão Reyes (Joaquim de Almeida) justifica por que o grupo precisa agir fora das margens, dando um peso político — ainda que superficial — que a franquia abandonou em favor do espionagem internacional genérica.

A armadilha do ‘maior é melhor’

A ironia de ‘Operação Rio’ é que ele foi tão bem-sucedido que condenou a própria franquia. Ao provar que o público aceitava uma escala maior, os produtores entraram em uma espiral de autoindulgência. Se um cofre nas ruas era bom, um tanque em uma rodovia seria melhor. Se um tanque era bom, um submarino no gelo seria épico.

Nessa escalada, perdeu-se o que ‘Velozes e Furiosos 5’ tinha de sobra: o foco nos personagens como grupo. Na cena do churrasco ao final do filme, a interação entre Tyrese, Ludacris, Sung Kang e Gal Gadot parece orgânica. Eles não eram apenas peças em um tabuleiro de efeitos visuais; eram uma equipe com dinâmicas internas claras. Hoje, com contratos que exigem tempo de tela milimetrado e egos que impedem atores de dividirem o mesmo set, essa naturalidade se tornou uma relíquia do passado.

Veredito: o ápice insuperável

‘Velozes e Furiosos 5: Operação Rio’ continua sendo o filme mais equilibrado, técnico e emocionante da saga. É o ponto onde a franquia encontrou sua identidade adulta antes de se tornar uma paródia de si mesma. Para quem busca ação de qualidade que ainda mantém um pé na realidade, este continua sendo o quilômetro final de excelência de Toretto e sua equipe.

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Perguntas Frequentes sobre Velozes e Furiosos 5

Onde foi gravado ‘Velozes e Furiosos 5: Operação Rio’?

Apesar de ser ambientado no Rio de Janeiro, a maior parte das cenas de ação foi filmada em Porto Rico (San Juan). A produção escolheu o local devido a incentivos fiscais e maior controle sobre as ruas para as perseguições complexas.

‘Velozes e Furiosos 5’ tem cena pós-créditos?

Sim. A cena pós-créditos mostra Monica Fuentes (Eva Mendes) entregando um arquivo a Hobbs que revela que Letty (Michelle Rodriguez), que todos acreditavam estar morta, ainda está viva.

Qual é a ordem de ‘Velozes e Furiosos 5’ na cronologia?

Na ordem de lançamento, é o quinto filme. Na cronologia da história, ele ocorre após ‘Velozes e Furiosos 4’ e antes de ‘Velozes e Furiosos 6’. Importante notar que o terceiro filme (Desafio em Tóquio) acontece cronologicamente após o sexto.

Onde assistir ‘Velozes e Furiosos 5’?

Atualmente, o filme está disponível para streaming em plataformas como Telecine e disponível para aluguel/compra no Prime Video, Apple TV e Google Play Movies. A disponibilidade pode variar conforme a região.

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Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

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