Analisamos se ‘Tron: Ares’ consegue superar o fracasso das bilheterias em sua estreia no Disney+. Com uma trilha visceral do Nine Inch Nails e o retorno de Jeff Bridges, o filme entrega um espetáculo técnico impecável, mesmo que a narrativa ainda lute para sair da sombra do original de 1982.
A franquia ‘Tron’ sempre foi movida mais por promessa do que por entrega. Em 1982, o original revolucionou os efeitos visuais enquanto tropeçava em uma narrativa densa e confusa. Em 2010, ‘Tron: O Legado’ repetiu o padrão: um espetáculo estético deslumbrante ancorado em uma história que muitos consideraram esquecível. Agora, com a chegada de ‘Tron: Ares’ no Disney+, o ciclo se fecha com uma pergunta incômoda: a beleza técnica é o suficiente para sustentar um legado de quatro décadas?
O contexto: do fracasso nas bilheterias à sobrevivência no streaming
Lançado nos cinemas no final de 2025, ‘Tron: Ares’ enfrentou um cenário hostil. Com uma arrecadação global de apenas 142 milhões de dólares frente a um orçamento massivo, o filme carregou o estigma de “fracasso comercial”. No entanto, a estratégia da Disney para 2026 é clara: o streaming é o hospital de campanha para suas propriedades intelectuais mais valiosas.
No Disney+, o custo de barreira para o espectador desaparece. O filme não precisa mais vender ingressos; ele precisa de watch time e retenção. Para a Disney, ter um espetáculo visual desse calibre no catálogo justifica a assinatura de quem busca testar o HDR da TV nova, mesmo que a trama não seja digna de um Oscar.
Onde o filme acerta: a agressividade industrial do Nine Inch Nails
Se ‘O Legado’ foi definido pelo sintetizador limpo e heróico do Daft Punk, ‘Tron: Ares’ segue um caminho oposto e fascinante. A trilha sonora de Trent Reznor e Atticus Ross (Nine Inch Nails) é o coração pulsante da obra. É um som industrial, sujo e atmosférico que combina perfeitamente com a direção de Joachim Rønning.
Há uma sequência de perseguição no primeiro ato onde o design de som se funde com a montagem de forma orgânica: cada aceleração das motos de luz emite um ruído metálico que reverbera na trilha. É cinema sensorial puro. Visualmente, a tecnologia de 2025 permite uma profundidade de campo no Grid que torna as linhas de neon menos artificiais e mais integradas ao ambiente. A transição estética quando o programa Ares (Jared Leto) interage com o mundo real é tecnicamente impecável, criando um contraste de texturas que é o ponto alto do filme.
Jeff Bridges e o peso da nostalgia cansada
O retorno de Jeff Bridges como Kevin Flynn é o grande chamariz emocional, mas o roteiro parece hesitar em como usá-lo. Bridges, aos 76 anos, entrega uma performance digna, mas seu personagem funciona mais como um guia expositivo do que como uma força motriz. Ele é o elo com o passado para validar a existência de Ares, mas sua presença ressalta um problema crônico da franquia: a dependência de ícones antigos para sustentar novos protagonistas.
Greta Lee (Eve Kim) e Jared Leto tentam trazer humanidade e mistério, respectivamente, mas são frequentemente sufocados por diálogos que priorizam a explicação do mundo em vez do desenvolvimento de personagens. Ares, como programa, tem momentos de estranheza interessantes, mas que se perdem em um terceiro ato previsível.
Veredito: ‘Tron: Ares’ vale o seu tempo no Disney+?
A resposta depende do que você busca. Se você espera uma revolução narrativa como ‘Duna: Parte Dois’, sairá decepcionado. ‘Tron: Ares’ continua sendo um filme de superfície. No entanto, se o seu interesse é o estado da arte dos efeitos visuais e uma experiência sonora imersiva, o filme é obrigatório.
Assistir a ‘Tron: Ares’ no streaming, com um bom sistema de som e em 4K, é a forma ideal de consumir esta obra. Sem a pressão do valor do ingresso, os defeitos do roteiro tornam-se mais toleráveis diante da beleza plástica do Grid. Não é a redenção que a franquia buscava para se tornar um pilar da cultura pop, mas é um testamento técnico que prova que, visualmente, ‘Tron’ ainda não tem concorrentes à altura.
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Perguntas Frequentes sobre ‘Tron: Ares’
‘Tron: Ares’ já está disponível no Disney+?
Sim, o filme estreou no catálogo do Disney+ em janeiro de 2026, após sua passagem pelos cinemas no final de 2025.
Preciso assistir aos filmes anteriores para entender ‘Tron: Ares’?
Embora o filme tente ser uma porta de entrada para novos fãs, assistir a ‘Tron: O Legado’ (2010) ajuda muito a entender quem é Kevin Flynn (Jeff Bridges) e o funcionamento das regras do Grid.
Quem faz a trilha sonora de ‘Tron: Ares’?
A trilha sonora é composta por Trent Reznor e Atticus Ross, conhecidos pela banda Nine Inch Nails e por trilhas premiadas como ‘A Rede Social’. Eles substituem o Daft Punk, que assinou o filme anterior.
Jeff Bridges aparece no filme?
Sim, o ator retorna ao papel icônico de Kevin Flynn, servindo como uma figura mentora para os novos personagens da trama.
Qual é a duração de ‘Tron: Ares’?
O filme tem aproximadamente 2 horas e 10 minutos de duração, mantendo o padrão de duração dos blockbusters de ficção científica atuais.

