‘The Sandman’: a lição da Netflix para o final de ‘Game of Thrones’

Analisamos como ‘The Sandman’ evitou o desastre narrativo de ‘Game of Thrones’ ao priorizar a integridade do roteiro sobre o espetáculo vazio. Descubra por que a decisão da Netflix de encerrar a série no auge é a maior lição de adaptação da década.

O desfecho de uma série de fantasia épica não é apenas o fim de uma história; é o teste final de caráter para seus produtores. Em 2019, o mundo testemunhou o que acontece quando a pressa atropela a narrativa. Agora, com a conclusão da jornada de Morpheus, ‘The Sandman’ vs ‘Game of Thrones’ torna-se o estudo de caso definitivo sobre como a Netflix aprendeu com os erros monumentais da HBO.

A falácia do espetáculo: onde Westeros se perdeu

A falácia do espetáculo: onde Westeros se perdeu

A queda de ‘Game of Thrones’ não foi um acidente de percurso, mas uma escolha deliberada de priorizar o impacto visual sobre a coerência interna. Quando David Benioff e D.B. Weiss ultrapassaram os livros de George R.R. Martin, a série abandonou a política de causa e efeito — sua maior força — em favor de set pieces grandiosas, porém vazias.

A oitava temporada é o exemplo máximo dessa desconexão. A transformação de Daenerys Targaryen em uma tirana genocida, embora teoricamente possível, falhou porque careceu de ‘tempo de tela’ para respirar. Em contraste com as primeiras temporadas, onde cada diálogo no Pequeno Conselho alterava o destino do reino, o final de ‘GoT’ utilizou o ‘teletransporte’ de personagens para acelerar um roteiro que claramente não sabia como amarrar tantas pontas soltas.

‘The Sandman’ e a coragem da brevidade

Neil Gaiman e o showrunner Allan Heinberg tomaram o caminho oposto. Ao decidirem que a segunda temporada seria o encerramento da narrativa principal de Morpheus, eles evitaram a armadilha da ‘diluição narrativa’. Enquanto ‘GoT’ tentou esticar o pouco material que tinha (e falhou), ‘Sandman’ condensou sua vasta mitologia para garantir que cada batida emocional ressoasse.

A lição aqui é técnica: a Netflix entendeu que o valor de uma obra está na sua integridade, não na sua longevidade. Na segunda temporada, vemos um Morpheus interpretado por Tom Sturridge com uma vulnerabilidade contida que jamais sobreviveu em arcos de personagens tardios da HBO. A cena em que ele confronta suas falhas passadas com os outros Perpétuos não precisa de dragões em CGI para ser devastadora — ela se apoia inteiramente em texto e atuação.

Design de produção como ferramenta de roteiro

Design de produção como ferramenta de roteiro

Tecnicamente, a diferença de abordagem é gritante. Em ‘Game of Thrones’, a fotografia tornou-se progressivamente escura e confusa (quem esquece a Batalha de Winterfell?), tentando esconder a fragilidade narrativa sob uma camada de ‘realismo’ visual. Já ‘The Sandman’ utiliza sua estética onírica — com o uso de lentes anamórficas que distorcem levemente as bordas da tela — para reforçar a ideia de que estamos em um domínio onde as regras da lógica não se aplicam, mas as do coração sim.

Essa consistência visual ajuda a ancorar o espectador. Quando a série decide encerrar, ela o faz mantendo o mesmo padrão de qualidade estabelecido no episódio ‘The Sound of Her Wings’ da primeira temporada, considerado por muitos o auge da série. Não houve uma queda de orçamento ou de interesse; houve uma conclusão planejada.

O veredito: o respeito pelo cânone compensa

A comparação final entre ‘The Sandman’ e ‘Game of Thrones’ revela que o sucesso de uma adaptação depende de quão honesto o criador é com o material de origem. ‘GoT’ tratou os livros como um fardo a ser descartado assim que a fama permitiu. ‘Sandman’ tratou a obra de Gaiman como uma bússola inegociável.

Para quem busca uma maratona que não termine em frustração, ‘The Sandman’ oferece o que ‘Game of Thrones’ nos roubou: um adeus que faz jus à jornada. A Netflix provou que, no gênero da fantasia, saber quando as luzes devem se apagar é tão importante quanto saber como acendê-las.

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Perguntas Frequentes sobre ‘The Sandman’ e ‘Game of Thrones’

Por que ‘The Sandman’ terminou na 2ª temporada?

A decisão foi criativa: os produtores e Neil Gaiman optaram por adaptar os arcos principais da graphic novel de forma concisa, garantindo um final satisfatório sem esticar a trama desnecessariamente.

‘The Sandman’ é melhor que ‘Game of Thrones’?

Em termos de consistência de roteiro e fidelidade ao final da obra original, ‘The Sandman’ é considerada superior por evitar a queda de qualidade que marcou as últimas temporadas de ‘Game of Thrones’.

Neil Gaiman participou do final de ‘The Sandman’?

Sim, ao contrário de George R.R. Martin em ‘GoT’, Gaiman atuou como produtor executivo e consultor ativo em todos os episódios, garantindo que a essência dos quadrinhos fosse preservada até o fim.

Onde posso assistir ‘The Sandman’ completo?

Todas as temporadas de ‘The Sandman’, incluindo os episódios especiais, estão disponíveis exclusivamente na Netflix.

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Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

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