‘The Magicians’: a série que entendeu o que ‘Harry Potter’ adulto deveria ser

Analisamos por que ‘The Magicians’ no Prime Video é a sucessora espiritual madura de ‘Harry Potter’. Descubra como a série usa o ‘finger tutting’ e roteiros corajosos para transformar a fantasia em um estudo profundo sobre depressão, vício e a vida adulta.

Durante anos, a indústria do entretenimento tentou vender a ideia de um ‘Harry Potter’ para adultos. Geralmente, essa promessa se traduzia em uma ‘adultização’ cosmética: mais sangue, palavrões e algumas cenas de sexo. Mas quem realmente entende de fantasia sabe que a maturidade de um gênero não passa por hormônios, mas por complexidade emocional e, principalmente, pela desilusão. É exatamente por isso que ‘The Magicians’ no Prime Video continua sendo a obra definitiva que entendeu o que significa crescer quando a magia não resolve seus problemas — ela apenas os amplifica.

Disponível no catálogo da Amazon, a série (conhecida no Brasil como ‘The Magicians: Escola de Magia’) ocupa um espaço único no cenário atual. Enquanto blockbusters como ‘A Casa do Dragão’ se perdem em orçamentos astronômicos e produções teen tentam replicar fórmulas de algoritmos, a história de Quentin Coldwater e seus colegas na Universidade Brakebills preserva a coragem de ser estranha, cínica e profundamente humana.

A magia como trauma e o fim do ‘Escolhido’

A magia como trauma e o fim do 'Escolhido'

A premissa parece um clichê: Quentin é um jovem obcecado por ‘Fillory and Further’ (uma paródia ácida de ‘Nárnia’) que descobre que o mundo mágico é real. No entanto, o brilho da série está na subversão do tropo do ‘escolhido’. Quentin não entra em Brakebills para salvar o mundo; ele entra para fugir de uma depressão clínica que a magia, ironicamente, não consegue curar.

Diferente de ‘Harry Potter’, onde um balançar de varinha resolve o cotidiano, em ‘The Magicians’ a magia é fisicamente exigente e mentalmente exaustiva. A técnica de finger tutting (coreografias complexas com os dedos) usada pelos atores para conjurar feitiços dá à série uma textura tátil. Você sente o esforço. A magia aqui funciona como um vício: traz momentos de euforia, mas exige um preço alto em sanidade e integridade física.

‘A Life in the Day’: quando a fantasia atinge a perfeição

Se você precisa de um motivo para dar o play em ‘The Magicians’ no Prime Video, esse motivo é o episódio ‘A Life in the Day’ (3ª temporada). Nele, dois personagens vivem uma vida inteira em uma dimensão alternativa para resolver um quebra-cabeça. Em apenas 40 minutos, a série entrega mais desenvolvimento emocional e peso narrativo do que muitas franquias de cinema entregam em trilogias inteiras.

É nesse ponto que a série supera suas influências. Ela usa o fantástico para explorar temas como luto, identidade sexual e a aceitação da mediocridade. Nem todo mundo em Brakebills é o herói da história; alguns são apenas coadjuvantes tentando não morrer em uma missão que sequer entendem.

O triunfo do roteiro sobre o CGI ostensivo

Existe uma ‘inflação do espetáculo’ na TV atual. Séries como ‘The Witcher’ parecem obcecadas em justificar orçamentos com monstros em CGI, muitas vezes sacrificando o roteiro. ‘The Magicians’ pertence à escola da inventividade: com um orçamento visivelmente menor, a série usa direção de arte criativa e diálogos afiados para construir seu universo.

A dinâmica entre Eliot e Margo, por exemplo, é o coração da série. Suas trocas de farpas e referências à cultura pop não são apenas ‘alívio cômico’, mas uma armadura emocional contra um mundo que tenta matá-los a cada esquina. É uma série que entende a estrutura episódica — cada capítulo tem uma identidade própria, culminando em ganchos que realmente alteram o status quo, sem medo de matar protagonistas ou destruir o próprio sistema de magia.

Vale a pena começar a assistir agora?

‘The Magicians’ é o antídoto para a fantasia higienizada. É uma série inteligente que não subestima o espectador. Ela nos lembra que a melhor fantasia não é aquela que nos leva para longe da realidade, mas a que nos ajuda a encarar as partes mais sombrias dela. Se você busca uma narrativa que equilibra o surrealismo de um musical inesperado com a crueza de um drama sobre saúde mental, Brakebills é o seu lugar.

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Perguntas Frequentes sobre ‘The Magicians’

Onde posso assistir ‘The Magicians’ no Brasil?

Atualmente, as cinco temporadas de ‘The Magicians’ (Escola de Magia) estão disponíveis no catálogo do Prime Video da Amazon.

A série é baseada em livros?

Sim, a série é baseada na trilogia best-seller de Lev Grossman: ‘Os Magos’, ‘O Rei Mago’ e ‘A Terra do Mago’. A série toma liberdades criativas, mas mantém a essência sombria das obras.

‘The Magicians’ foi cancelada ou teve um fim?

A série foi encerrada na 5ª temporada. Embora muitos fãs desejassem uma continuação, o episódio final foi escrito para servir como uma conclusão satisfatória para os arcos dos personagens principais.

Qual a classificação indicativa da série?

A série é recomendada para maiores de 16 ou 18 anos (dependendo da temporada), devido a temas adultos, violência, linguagem forte e conteúdo sexual.

Preciso ler os livros antes de ver a série no Prime Video?

Não é necessário. A série funciona de forma independente e, em muitos aspectos, expande personagens que eram secundários nos livros, como Margo e Julia.

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Lucas Lobinco
Lucas Lobinco
Sou o Lucas, e minha paixão pelo cinema começou com as aventuras épicas e os clássicos de ficção científica que moldaram minha infância. Para mim, cada filme é uma nova oportunidade de explorar mundos e ideias, uma janela para a criatividade humana. Minha jornada não foi nos bastidores da produção, mas sim na arte de desvendar as camadas de uma boa história e compartilhar essa descoberta. Sou movido pela curiosidade de entender o que torna um filme inesquecível, seja a complexidade de um personagem, a inovação visual ou a mensagem atemporal. No Cinepoca, meu foco é trazer uma perspectiva única, mergulhando fundo nos detalhes que fazem um filme valer a pena, e incentivando você a ver a sétima arte com novos olhos.Tenho um apreço especial por filmes de ação e aventura, com suas narrativas grandiosas e sequências de tirar o fôlego. A comédia de humor negro e os thrillers psicológicos também me atraem, pela forma como subvertem expectativas e exploram o lado mais sombrio da psique humana. Além disso, estou sempre atento às novas vozes e tendências que surgem na indústria, buscando os próximos grandes talentos e as histórias que definirão o futuro do cinema.

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