The Legend of Lara Croft: a adaptação que finalmente respeita o cânone dos jogos

‘The Legend of Lara Croft’ na Netflix é a primeira adaptação que continua diretamente a história da Trilogia Survivor dos jogos. Analisamos como a série difere radicalmente dos filmes de Angelina Jolie e Alicia Vikander, e por que a continuidade com os games é seu maior trunfo.

Depois de duas tentativas cinematográficas que divergiram do material original, ‘The Legend of Lara Croft’ chega à Netflix com uma proposta que fãs esperavam há décadas: continuidade direta com os jogos. A série animada não é um reboot — é a sequência da Trilogia Survivor, pegando Lara Croft exatamente onde ‘Shadow of the Tomb Raider’ a deixou.

Continuidade que fãs aguardavam desde 2018

A decisão de manter o cânone dos jogos desenvolvidos pela Crystal Dynamics é a grande diferença aqui. Enquanto os filmes de Angelina Jolie criaram uma Lara genérica de ação e o reboot de 2018 com Alicia Vikander adaptou livremente o primeiro jogo da trilogia, a série da Netflix assume que você conhece a jornada da arqueóloga desde o naufrágio em Yamatai.

Isto significa que referências a Jonah, a morte de Sam, os eventos em Paititi e o trauma que moldou esta versão mais vulnerável de Lara estão todos incorporados na narrativa. Não há explicação didática para novos espectadores — a série respeita a inteligência do público.

Por que Angelina Jolie nunca foi a Lara dos jogos

Os filmes de 2001 e 2003 com Jolie são produtos de sua época. A Lara Croft de Jolie era uma milionária excêntrica com acrobacias exageradas e um humor pastelão que nunca existiu nos jogos clássicos da Core Design. Funcionaram como blockbusters de ação, mas falharam em capturar a solidão e a determinação da personagem.

A série da Netflix corrige isso ao manter a seriedade da Trilogia Survivor. Esta Lara não faz piadas durante combates. Ela sobrevive, não performa.

O filme de Alicia Vikander acertou no tom, errou no cânone

O filme de Alicia Vikander acertou no tom, errou no cânone

‘Tomb Raider’ (2018) foi mais fiel ao espírito do reboot de 2013. Vikander trouxe a vulnerabilidade necessária e a sequência inicial no naufrágio capturou bem o terror do jogo. Porém, o filme divergiu significativamente no terceiro ato, introduziu o pai de Lara como elemento central (algo que os jogos exploraram de forma diferente) e terminou de forma que impossibilitava continuidade com ‘Rise’ e ‘Shadow’.

A animação da Netflix ignora completamente os filmes e segue a cronologia estabelecida pela Crystal Dynamics. É uma Lara que já enfrentou a Trindade, já perdeu amigos, já questionou sua obsessão por descobertas arqueológicas.

Hayley Atwell e o desafio de substituir Camilla Luddington

Camilla Luddington deu voz e captura de movimento a Lara por três jogos, construindo uma interpretação que fãs reconhecem instantaneamente. Hayley Atwell, conhecida como Peggy Carter no MCU, assume o papel na série — e a transição é mais suave do que se esperava.

Atwell mantém a gravidade de Luddington mas adiciona uma aspereza que funciona para uma Lara mais experiente. Se nos jogos ela estava descobrindo quem era, na série ela já sabe — e carrega o peso dessa identidade.

Animação a serviço da ação, não do realismo

O estilo visual escolhido pela Powerhouse Animation (mesmo estúdio de ‘Castlevania’) prioriza fluidez de movimento sobre realismo facial. Isso serve à proposta: sequências de escalada, combate e exploração ganham uma dinâmica que seria cara ou impossadora em live-action.

A escolha também afasta comparações injustas com os filmes live-action. Esta é claramente uma extensão da experiência dos jogos, não uma tentativa de substituí-la.

Para quem é esta série

Se você completou a Trilogia Survivor, ‘The Legend of Lara Croft’ é obrigatória. Se sua referência são os filmes de Jolie ou o filme de Vikander, prepare-se para uma Lara diferente — mais sombria, mais determinada, menos interessada em ser heroína de ação do que em sobreviver às consequências de suas escolhas.

A série não faz concessões para explicar o passado da personagem. Isso pode alienar novos públicos, mas é o preço de finalmente respeitar o cânone que os fãs investiram horas construindo.

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Perguntas Frequentes sobre ‘The Legend of Lara Croft’

Preciso jogar a Trilogia Survivor para entender a série?

Não é obrigatório, mas recomendado. A série assume conhecimento dos eventos de Tomb Raider (2013), Rise of the Tomb Raider e Shadow of the Tomb Raider. Personagens e referências aparecem sem explicação prévia.

Onde assistir ‘The Legend of Lara Croft’?

A série está disponível exclusivamente na Netflix desde outubro de 2024. É uma produção original da plataforma.

Quantos episódios tem a primeira temporada?

A primeira temporada contém 8 episódios de aproximadamente 25 minutos cada, totalizando cerca de 3 horas e 20 minutos de conteúdo.

A série tem conexão com os filmes de Angelina Jolie ou Alicia Vikander?

Não. ‘The Legend of Lara Croft’ ignora completamente os filmes live-action e segue apenas a cronologia estabelecida nos jogos da Crystal Dynamics.

Quem dubla Lara Croft na série?

Hayley Atwell, conhecida por interpretar Peggy Carter no MCU, empresta sua voz para Lara Croft. Nos jogos, a personagem era dublada por Camilla Luddington.

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Lucas Lobinco
Lucas Lobinco
Sou o Lucas, e minha paixão pelo cinema começou com as aventuras épicas e os clássicos de ficção científica que moldaram minha infância. Para mim, cada filme é uma nova oportunidade de explorar mundos e ideias, uma janela para a criatividade humana. Minha jornada não foi nos bastidores da produção, mas sim na arte de desvendar as camadas de uma boa história e compartilhar essa descoberta. Sou movido pela curiosidade de entender o que torna um filme inesquecível, seja a complexidade de um personagem, a inovação visual ou a mensagem atemporal. No Cinepoca, meu foco é trazer uma perspectiva única, mergulhando fundo nos detalhes que fazem um filme valer a pena, e incentivando você a ver a sétima arte com novos olhos.Tenho um apreço especial por filmes de ação e aventura, com suas narrativas grandiosas e sequências de tirar o fôlego. A comédia de humor negro e os thrillers psicológicos também me atraem, pela forma como subvertem expectativas e exploram o lado mais sombrio da psique humana. Além disso, estou sempre atento às novas vozes e tendências que surgem na indústria, buscando os próximos grandes talentos e as histórias que definirão o futuro do cinema.

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