Analisamos como ‘The Good Doctor’ se tornou um fenômeno global na Netflix após seu cancelamento na TV tradicional. Entenda por que o drama médico de David Shore superou as críticas para se tornar a ‘comfort TV’ definitiva e o papel fundamental de Freddie Highmore nesse sucesso.
Existe uma elite crítica que costuma torcer o nariz para séries procedurais, rotulando-as como ‘fórmulas repetitivas’. No entanto, o público ignora solenemente essas métricas de prestígio em favor de algo mais valioso: a conexão emocional constante. ‘The Good Doctor’ Netflix é o caso de estudo definitivo dessa desconexão entre crítica e audiência. Após ser cancelada pela ABC em 2024, a série não apenas migrou para o streaming; ela foi catapultada para o Top 10 de mais de 70 países simultaneamente, provando que o drama médico ainda é a moeda mais forte da televisão global.
O erro de cálculo da TV linear e o trunfo do streaming
Para entender o fenômeno, é preciso olhar para as planilhas. ‘The Good Doctor’ não morreu por falta de audiência — ela liderava seu horário. O cancelamento foi uma decisão puramente corporativa: séries veteranas tornam-se caras. Salários renegociados de nomes como Freddie Highmore e Richard Schiff pesam no orçamento da TV aberta, que vive de publicidade em queda.
A ironia é que, enquanto a ABC via um custo, a Netflix enxergou um ativo. No streaming, o volume de episódios (126, no total) é um diferencial competitivo. Para o algoritmo, uma série com sete temporadas é infinitamente mais valiosa do que uma minissérie premiada de seis episódios, pois ela retém o usuário na plataforma por semanas, não horas.
David Shore: do cinismo de ‘House’ à empatia de Shaun Murphy
Não se pode falar do sucesso de ‘The Good Doctor’ sem mencionar seu arquiteto, David Shore. Se em ‘House M.D.’ Shore explorou o brilhantismo através do cinismo e da misantropia, aqui ele inverte a polaridade. Shaun Murphy é o anti-House.
A série utiliza recursos visuais que lembram a estética de ‘Sherlock’ da BBC — diagramas médicos flutuando na tela durante os momentos de insight de Shaun — para traduzir o pensamento neurodivergente em narrativa visual. Essa escolha técnica não é apenas perfumaria; ela coloca o espectador dentro da mente do protagonista, transformando o diagnóstico médico em um thriller de raciocínio lógico que cativa qualquer cultura.
Freddie Highmore e o peso da representação
A transição de Freddie Highmore de Norman Bates (‘Bates Motel’) para Shaun Murphy é um dos arcos de carreira mais interessantes da última década. Sua atuação é a âncora que impede a série de derivar para o melodrama barato. Embora a representação do autismo na série tenha gerado debates — com críticas sobre a ‘Sindrome de Savant’ ser um tropo limitante — a discussão em si alimentou a longevidade da obra.
Em episódios cruciais, como o piloto onde Shaun utiliza itens improvisados em um aeroporto para salvar uma criança, a série estabelece sua tese: o valor do indivíduo está na sua perspectiva única, não na sua conformidade. Essa mensagem de ‘underdog’ (o azarão que vence o sistema) é universal e explica por que a série ressoa tanto em Seul quanto em São Paulo.
A ‘Comfort TV’ como novo padrão de consumo
O ressurgimento de ‘The Good Doctor’ Netflix aponta para uma fadiga do público com a ‘TV de prestígio’ excessivamente densa e sombria. Estamos vivendo a era da comfort food televisiva. O espectador quer séries que funcionem tanto como uma maratona atenta quanto como uma companhia familiar enquanto realiza outras tarefas.
Com suas raízes em um K-drama sul-coreano, a série já nasceu com um DNA de exportação. Ela combina a estrutura procedural americana com a carga emocional dos dramas asiáticos. O resultado é um produto híbrido perfeito para o mercado global da Netflix: episódios autoconclusivos que oferecem uma resolução satisfatória a cada 45 minutos, mas que constroem, tijolo por tijolo, uma relação de confiança com o espectador que poucas séries originais de streaming conseguem replicar.
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Perguntas Frequentes sobre ‘The Good Doctor’
Onde assistir a todas as temporadas de ‘The Good Doctor’?
Atualmente, as sete temporadas de ‘The Good Doctor’ estão disponíveis na Netflix em diversos países, incluindo o Brasil. Nos EUA, a série é distribuída principalmente pelo Hulu.
Freddie Highmore, o protagonista, é autista na vida real?
Não, o ator Freddie Highmore não é autista. Para interpretar Shaun Murphy, ele contou com a consultoria de especialistas e pesquisou extensivamente sobre o transtorno do espectro autista (TEA) para trazer autenticidade ao personagem.
Por que ‘The Good Doctor’ foi cancelada na 7ª temporada?
O cancelamento não foi por baixa audiência, mas por uma decisão estratégica da ABC devido ao aumento dos custos de produção de uma série veterana e mudanças no modelo de receita da TV aberta.
A série é baseada em uma história real?
Não diretamente. ‘The Good Doctor’ é um remake de uma série sul-coreana homônima de 2013. Embora não seja baseada em uma pessoa específica, muitos dos casos médicos apresentados são inspirados em situações reais da medicina.
Quantos episódios tem ‘The Good Doctor’ no total?
A série completa possui 126 episódios divididos em sete temporadas, todas focadas na jornada de Shaun Murphy no hospital San Jose St. Bonaventure.

