Analisamos por que ‘The Future is Ours Netflix’ é a sucessora espiritual de ‘Na Hora da Zona Morta’. Entenda como a nova adaptação de Philip K. Dick troca o espetáculo alienígena por um thriller psicológico sobre o peso de prever o futuro e o fim do livre-arbítrio.
Há uma linhagem específica de ficção científica que não se sustenta em efeitos visuais, mas no desconforto psicológico de uma ideia mal resolvida. ‘The Future is Ours Netflix’, a nova aposta do streaming para 2026, mergulha nessa tradição ao adaptar ‘The World Jones Made’, de Philip K. Dick. O que torna o projeto instigante, contudo, não é apenas o DNA de Dick, mas como ele resgata o peso existencial de uma obra-prima de Stephen King: ‘Na Hora da Zona Morta’.
O fardo da visão: Por que Floyd Jones é o oposto sombrio de Johnny Smith
Stephen King e Philip K. Dick operam em frequências diferentes, mas convergem no terror da precognição. Em ‘Na Hora da Zona Morta’ (1983), Johnny Smith (Christopher Walken) encara o futuro como uma maldição fragmentada. Suas visões são furos na realidade — a tal “zona morta” — que exigem um sacrifício moral insuportável. É o herói esmagado pelo destino.
Já em ‘The Future is Ours’, a Netflix nos apresenta Floyd Jones, um homem que vê o futuro com uma clareza absoluta de um ano de antecedência. Diferente do personagem de King, Jones não é uma vítima; ele é um aproveitador. Onde Johnny Smith sentia medo, Jones encontra poder. A série promete ser um estudo de personagem fascinante sobre como a certeza absoluta do amanhã corrói a ética do hoje, transformando um dom em uma ferramenta de controle ditatorial.
A polêmica remoção dos Drifters: Um risco necessário?
A produção, liderada pela equipe de ‘O Eternauta’, tomou uma decisão que já divide os leitores de Dick: a exclusão total dos alienígenas (os Drifters). No livro original, esses seres errantes serviam como um espelho para a xenofobia da humanidade. Ao cortá-los, a Netflix sinaliza que o foco de ‘The Future is Ours’ será puramente o thriller político e psicológico.
Essa escolha aproxima a série do tom seco e claustrofóbico de David Cronenberg na adaptação de King. Sem o espetáculo visual das criaturas, o peso da narrativa recai sobre as atuações e o roteiro. Se por um lado perdemos a estranheza lisérgica típica de Dick, por outro, ganhamos um drama humano mais denso e focado na paranoia de uma sociedade que desistiu do livre-arbítrio em troca da segurança de saber o que virá.
A estética do amanhã: O que esperar da produção
Considerando o histórico da equipe com ‘Cem Anos de Solidão’, podemos esperar uma fotografia que foge do “sci-fi higienizado” da maioria das produções atuais. A expectativa é de uma estética mais tátil e analógica, refletindo o mundo de 1956 imaginado por Dick, mas com a sensibilidade de 2026. A precognição aqui não deve ser mostrada com hologramas azuis, mas como algo visceral, talvez através de montagens rápidas e sombras carregadas, ecoando a performance febril de Walken no clássico de 83.
Veredito antecipado: Para quem é esta série?
Se você busca a ação frenética de ‘John Wick’ ou o otimismo de ‘Star Trek’, passe longe. ‘The Future is Ours’ é para quem entende que o tempo é o maior vilão da ficção científica. É para o espectador que ainda se lembra da angústia de Johnny Smith ao apertar a mão de um político e ver o fim do mundo.
A Netflix tem em mãos a chance de provar que adaptações de Philip K. Dick podem ir além da estética cyberpunk de ‘Blade Runner’. Ao mirar na profundidade psicológica que King mestreou, a série pode finalmente preencher o vazio deixado por thrillers cerebrais que respeitam a inteligência — e a ansiedade — do público.
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Perguntas Frequentes sobre ‘The Future is Ours’
Qual é a data de lançamento de ‘The Future is Ours’ na Netflix?
A série está prevista para estrear no primeiro semestre de 2026, embora a Netflix ainda não tenha confirmado o dia exato.
A série é baseada em qual livro de Philip K. Dick?
‘The Future is Ours’ é uma adaptação do romance ‘The World Jones Made’ (O Mundo que Jones Criou), publicado originalmente em 1956.
Preciso ler Stephen King para entender a série?
Não. A conexão com Stephen King é temática, baseada na similaridade de conceitos sobre precognição encontrados em ‘A Hora da Zona Morta’, mas as histórias não são interligadas.
Por que os alienígenas foram cortados da adaptação?
Segundo a produção, o corte visa focar no drama psicológico e no thriller político, tornando a história mais realista e centrada no conflito humano sobre o destino.
Quem são os produtores de ‘The Future is Ours’?
A série conta com a mesma equipe criativa responsável pelas adaptações de ‘O Eternauta’ e ‘Cem Anos de Solidão’ da Netflix.

