Analisamos o retorno de ‘The Following’ à Netflix e por que a performance exausta de Kevin Bacon e a premissa de cultos de serial killers parecem ainda mais proféticas em 2026. Um thriller visceral que redefine o conceito de vilão onipresente.
Existe um tipo de série que não pede licença para entrar na sua rotina; ela invade. ‘The Following’ Netflix é exatamente esse tipo de produção visceral que, treze anos após sua estreia original na Fox, retorna ao catálogo brasileiro em 2026 com uma relevância que beira o desconfortável. Se você busca um thriller policial que ignora as convenções de ‘segurança’ dos protagonistas, a caçada de Ryan Hardy é paragem obrigatória.
Kevin Bacon e a anatomia do herói quebrado
Kevin Bacon interpreta Ryan Hardy, um ex-agente do FBI que carrega as cicatrizes — literais e metafóricas — de ter capturado Joe Carroll (James Purefoy), um professor de literatura que transformou assassinatos em obras de arte inspiradas em Edgar Allan Poe. Quando Carroll escapa, Hardy é convocado de volta, mas não como o herói triunfante. Ele é um homem com um marca-passo, um vício em álcool mal escondido e uma exaustão que Bacon transmite em cada movimento pesado.
Uma das cenas mais emblemáticas do início da série — e que define o tom de Bacon — é quando ele confronta um seguidor de Carroll em um interrogatório. Não há o brilho nos olhos de um detetive de ‘CSI’; há um tremor nas mãos e uma hesitação física que nos faz temer pela saúde do protagonista tanto quanto pelos vilões. Bacon abdica do carisma de ‘Footloose’ para entregar uma performance física, onde o cansaço é quase um personagem secundário.
O culto como vírus: a genialidade de Kevin Williamson
Kevin Williamson, a mente por trás da franquia ‘Pânico’, transpõe o conceito de ‘metalinguagem do horror’ para o formato de série. Em ‘The Following’, o vilão não é apenas Carroll, mas o ‘culto’ que ele construiu. Pessoas comuns — babás, vizinhos, policiais — são reveladas como seguidores fanáticos dispostos a morrer por uma narrativa ficcional.
Reassistir a essa premissa hoje é perturbador. O que em 2013 parecia um exagero dramático, em 2026 ressoa como uma análise profética sobre radicalização em câmaras de eco digitais e cultos de personalidade. A série utiliza uma fotografia dessaturada, com tons frios e azulados, que acentua essa sensação de que o perigo está escondido na normalidade do cotidiano. A direção de arte abusa da iconografia de Poe (máscaras de corvo, citações em sangue), transformando o que poderia ser um procedural comum em um pesadelo gótico moderno.
Por que ‘The Following’ ainda supera os thrillers atuais da Netflix
Enquanto novas produções como ‘O Monstro em Mim’ apostam no choque visual imediato, ‘The Following’ constrói uma tensão de longo prazo. A estrutura narrativa bebe diretamente de clássicos como ‘O Silêncio dos Inocentes’, estabelecendo uma dinâmica de espelho entre Hardy e Carroll. Carroll precisa de Hardy para ser o herói de sua história, e Hardy, de certa forma, só se sente vivo quando está na órbita do monstro.
A série não tem medo de ser cruel com o espectador. Williamson aplica aqui a lógica dos slashers: ninguém está a salvo. Personagens secundários que servem como bússola moral são eliminados de forma súbita, o que gera uma paranoia constante. Você para de se perguntar ‘quem é o assassino’ e começa a questionar ‘quem não é’.
Para quem é (e para quem não é) a maratona
Se você é fã de thrillers psicológicos que exigem estômago, como ‘MINDHUNTER’ ou ‘Hannibal’, ‘The Following’ preenche esse vazio com mais adrenalina e menos filosofia. É uma série para quem aprecia o jogo psicológico, mas não se importa com explosões de violência gráfica — que, sejamos honestos, às vezes beiram o gratuito na transição para a segunda temporada.
Não é recomendada para quem busca realismo policial absoluto. Há conveniências de roteiro e uma onipresença dos vilões que exige certa suspensão de descrença. Mas, se você aceitar as regras do jogo de Williamson, encontrará um dos suspenses mais viciantes da última década, agora disponível para uma nova geração descobrir que o mal, às vezes, tem seguidores demais.
Para ficar por dentro de tudo que acontece no universo dos filmes, séries e streamings, acompanhe o Cinepoca também pelo Facebook e Instagram!
Perguntas Frequentes sobre ‘The Following’
Onde posso assistir ‘The Following’ em 2026?
A série ‘The Following’ está disponível no catálogo da Netflix Brasil, contando com as suas três temporadas completas.
Quantas temporadas tem ‘The Following’?
A série possui 3 temporadas, totalizando 45 episódios. A história de Ryan Hardy e Joe Carroll é concluída ao final da terceira temporada.
‘The Following’ é baseada em fatos reais?
Não, a série é uma obra de ficção criada por Kevin Williamson. No entanto, ela utiliza referências reais à obra do escritor Edgar Allan Poe e à psicologia de cultos históricos.
Vale a pena assistir ‘The Following’ hoje em dia?
Sim, especialmente para fãs de suspense policial e thrillers psicológicos. A série envelheceu bem devido ao seu tema de radicalização e pela atuação crua de Kevin Bacon.
Qual a classificação indicativa de ‘The Following’?
A série é recomendada para maiores de 18 anos devido à violência gráfica, temas perturbadores e situações de forte tensão psicológica.

