‘The Following’ na Netflix: o thriller que preenche o vazio de ‘Mindhunter’

Com o retorno de ‘The Following’ à Netflix, analisamos como a obsessão de Ryan Hardy preenche o vazio deixado por ‘Mindhunter’. Descubra por que o duelo psicológico entre Kevin Bacon e James Purefoy continua sendo um dos mais perturbadores e atuais do gênero thriller.

Existe um vazio específico que ‘Mindhunter’ deixou no catálogo da Netflix. Não é apenas a ausência de novos episódios — é a falta daquela tensão clínica que vem de observar mentes brilhantes se aproximarem demais do abismo. Holden Ford olhando nos olhos de Ed Kemper ou Bill Tench carregando o peso de cada entrevista para casa definiram um padrão de thriller psicológico difícil de replicar. A série de David Fincher entendeu que o verdadeiro horror não reside no crime em si, mas na erosão de quem precisa compreendê-lo.

‘The Following’ na Netflix surge como a resposta mais visceral para esse hiato. Com as três temporadas disponíveis, a série protagonizada por Kevin Bacon oferece 45 episódios de uma descida psicológica sem filtros. Se você busca a mesma inquietação intelectual de Fincher, mas com um ritmo que não permite desviar o olhar, esta é a recomendação definitiva.

Kevin Bacon e o fim do estigma da TV

Kevin Bacon e o fim do estigma da TV

É preciso lembrar o peso de Kevin Bacon aceitar um papel na TV em 2013. Hoje, ver estrelas de cinema no streaming é o padrão, mas Bacon foi um dos pioneiros a quebrar essa barreira. Ryan Hardy, seu personagem, não é o herói inabalável dos filmes de ação; ele é um homem fisicamente e mentalmente fragmentado. O uso de um marcapasso — consequência direta de seu primeiro confronto com o vilão — serve como uma metáfora constante para sua vulnerabilidade.

Bacon entrega uma performance desprovida de vaidade. O alcoolismo de Hardy não é um detalhe de roteiro para gerar empatia barata; é uma força autodestrutiva que nubla seu julgamento. Ao lado de James Purefoy, que interpreta o carismático serial killer Joe Carroll, Bacon estabelece um duelo onde a linha entre a justiça e a vingança pessoal desaparece logo nos primeiros episódios.

O culto como arma: a radicalização antes do algoritmo

Enquanto ‘Mindhunter’ disseca assassinos já capturados, ‘The Following’ explora um medo mais contemporâneo: o assassino que opera através de terceiros. Joe Carroll não precisa estar livre para ser perigoso; ele construiu uma rede de seguidores dispostos a morrer e matar em seu nome, unidos por uma obsessão distorcida pela obra de Edgar Allan Poe.

Essa premissa, que parecia puramente ficcional na década passada, ganha contornos proféticos em 2026. A série antecipou discussões sobre radicalização e cultos de personalidade muito antes de o termo se tornar comum no debate público. Carroll não recruta psicopatas; ele recruta pessoas solitárias e sem propósito, oferecendo-lhes uma narrativa onde a violência é uma forma de arte. É esse o ponto onde a série mais se aproxima da profundidade de ‘Mindhunter’: na análise de como uma mente brilhante pode corromper o tecido social ao seu redor.

A estética do desconforto: som e imagem

A estética do desconforto: som e imagem

Tecnicamente, ‘The Following’ opta por uma paleta de cores fria e uma cinematografia que enfatiza o isolamento. Ao contrário do visual asséptico e simétrico de Fincher, aqui temos uma câmera mais nervosa, que reflete a paranoia de Hardy. O design de som é particularmente eficaz nas sequências de perseguição, onde o silêncio é frequentemente interrompido por respirações pesadas ou ruídos metálicos, criando uma atmosfera claustrofóbica.

A série não economiza no impacto visual. Se ‘Mindhunter’ é sobre a conversa pós-crime, ‘The Following’ é sobre o crime em andamento. No entanto, ela evita o gore gratuito, focando na coreografia da tensão — como na icônica cena do metrô na primeira temporada, onde a percepção de que qualquer pessoa na multidão pode ser um seguidor de Carroll transforma o cotidiano em um campo de batalha psicológico.

Vale a pena o investimento de tempo?

Diferente de muitas produções atuais que são canceladas sem um desfecho, ‘The Following’ entrega um arco completo. Três temporadas que escalonam a obsessão até um final definitivo. Para quem apreciou a lentidão deliberada de ‘Mindhunter’, o ritmo aqui pode parecer acelerado demais no início, mas a recompensa está na construção de mundo e na evolução moral dos personagens.

A série não é para quem busca um procedural leve de ‘crime da semana’. É para quem quer ver o custo humano de encarar o mal de frente. Ryan Hardy e Joe Carroll são dois lados da mesma moeda, e assistir a essa moeda girar por 45 episódios é uma das experiências mais intensas que a Netflix resgatou para seu catálogo.

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Perguntas Frequentes sobre ‘The Following’ na Netflix

Quantas temporadas de ‘The Following’ estão disponíveis na Netflix?

Todas as três temporadas da série estão disponíveis, totalizando 45 episódios. A série tem um início, meio e fim bem definidos, sem ganchos não resolvidos.

‘The Following’ é parecida com ‘Mindhunter’?

Sim, no que diz respeito à análise psicológica de serial killers e ao impacto mental nos investigadores. No entanto, ‘The Following’ possui um ritmo mais acelerado e foca mais na ação e na paranoia de cultos do que no estudo clínico de ‘Mindhunter’.

Qual é a classificação indicativa da série?

A série é recomendada para maiores de 16 ou 18 anos (dependendo da região), devido a cenas de violência gráfica, temas perturbadores e consumo de substâncias.

Quem é o vilão de ‘The Following’?

O antagonista principal é Joe Carroll (James Purefoy), um professor de literatura e serial killer que utiliza a obra de Edgar Allan Poe para inspirar um culto de seguidores assassinos.

A série foi cancelada ou finalizada?

Embora tenha sido encerrada após a terceira temporada, os produtores conseguiram dar um fechamento satisfatório para a jornada de Ryan Hardy, tornando-a uma experiência completa para maratonar.

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Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

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