As reações da estreia de Londres exaltam a ousadia de Maggie Gyllenhaal em ‘The Bride!’ ao centrar a história na Noiva, não no monstro. Analisamos por que críticos chamam o filme de “big swing” e o que diferencia esta reimaginação gótica das dezenas de adaptações de Frankenstein.
Há algo poeticamente apropriado em Maggie Gyllenhaal escolher justamente a história de uma mulher construída por outros para fazer seu segundo filme como diretora. The Bride! Maggie Gyllenhaal chegou à estreia mundial em Londres no último 26 de fevereiro com uma proposta que poderia soar pretensiosa no papel: reimaginar um dos clássicos mais adaptados da história do cinema. Mas as primeiras reações sugerem que ela fez o que grandes diretores fazem quando revisitam território conhecido — transformou limitação em liberdade.
O consenso pós-estreia converge em três frentes: performances que misturam fúria e vulnerabilidade, uma abordagem estética que flerta com o gótico sem cair em pastiche, e uma postura criativa que Kristen Lopez, editora-chefe do The Film Maven, resumiu com precisão: o filme é “selvagem, audacioso e não liga se você vai gostar”. Essa indiferença a aprovação, rara em produções com orçamento de estúdio, é o que dá ao filme sua tensão elétrica.
De ‘A Filha Perdida’ ao gótico: a evolução de Maggie Gyllenhaal como diretora
Quando ‘A Filha Perdida’ estreou em 2021, Gyllenhaal demonstrou domínio incomum para uma diretora estreante: sabia exatamente que história queria contar e como contá-la. O filme rendeu indicações ao Oscar para Olivia Colman e Jessie Buckley — esta última repetindo a parceria em ‘The Bride!’. A transição de um drama íntimo sobre maternidade e identidade para um romance gótico ambientado na Chicago da Depressão poderia parecer salto temático abrupto. Mas não é.
A obsessão de Gyllenhaal por mulheres em processo de (re)descoberta de si mesmas permanece intacta. A diferença é que agora a protagonista foi literalmente ressuscitada dos mortos. O monstro de Frankenstein — interpretado por Christian Bale com aquela intensidade física que ele domina desde ‘O Operário’ — viaja até Chicago para pedir à Dr. Euphronious (Annette Bening) que crie uma companheira para ele. O que eles não esperavam é que essa mulher teria vontade própria.
Por que críticos chamam ‘The Bride!’ de “big swing” de Gyllenhaal
Erik Davis, da Fandango e Rotten Tomatoes, usou uma expressão que captura algo essencial: “big swing” — Gyllenhaal “deu uma tacada grande”. Não é elogio comum em estreias de estúdio, onde o seguro frequentemente supera o ambicioso. Davis destacou a “intensidade crua e imprevisibilidade” que Bale e Buckley trazem para a tela — algo que, segundo ele, faz essa versão funcionar onde tantas outras falharam.
O detalhe crucial que distingue ‘The Bride!’ das inúmeras adaptações anteriores de Frankenstein está no foco narrativo. Enquanto a versão de 2025 de Guillermo del Toro centrava-se no cientista e no monstro (com Oscar Isaac e Jacob Elordi), Gyllenhaal desloca o eixo para a Noiva. Buckley, indicada ao Oscar 2026 por ‘Hamnet: A Vida Antes de Hamlet’, é apontada como o coração emocional do filme. Tessa Smith, crítica de cinema, resumiu: “cinematografia, figurinos, cabelo e maquiagem merecem elogios, assim como as atuações de Jessie Buckley e Christian Bale. É repleto de vibes de ‘Bonnie e Clyde’ e mensagens poderosas.”
Christian Bale e Jessie Buckley: a química de um “romance fora da lei”
A descrição do The Credits — “ferocious outlaw romance” — é provavelmente a mais evocativa que saiu até agora. Romance fora da lei, feroz. Sugere que Bale e Buckley construíram algo que transcende o arco típico de “monstro e sua criadora”. A referência a ‘Bonnie e Clyde’ que aparece em múltiplas reações faz sentido: dois párias contra um mundo que não os quer.
Bale, que passou décadas interpretando homens obcecados e fisualmente transformados (de ‘O Operário’ a ‘Vice’), encontra em Frankenstein um veículo perfeito para suas tendências métodicas. Buckley, por sua vez, construiu carreira personificando mulheres à beira de colapso emocional — de ‘A Filha Perdida’ à série ‘Chernobyl’. A combinação de dois atores que se recusam a fazer anything halfway promete cenas de volatilidade genuína.
O elenco de apoio reforça a aposta em qualidade: Annette Bening como a cientista que cria a Noiva, Penélope Cruz em papel ainda não revelado, Peter Sarsgaard — marido de Gyllenhaal na vida real — e Jake Gyllenhaal, irmão da diretora. É casting que prioriza peso dramático sobre nome de marquise.
Como ‘The Bride!’ homenageia e subverte a herança de James Whale
A descrição do Nerdist — “um romance gótico exuberante com um pé na realidade e outro no mundo do arcano” — aponta para algo que adaptações recentes de Frankenstein frequentemente negligenciam: o terror gótico precisa de beleza para funcionar. ‘A Noiva de Frankenstein’ de 1935, dirigida por James Whale, permanece a referência máxima não por seus sustos, mas porque Whale entendia que o horror precisa ser sedutor antes de ser assustador. A fotografia expressionista, a maquiagem icônica de Jack Pierce, a ambiguidade sexual do monstro — tudo isso criou um filme que é ao mesmo tempo terror e tragédia romântica.
Rachel Leishman, do The Mary Sue, foi ainda mais longe: chamou o filme de “uma carta de amor à narrativa, ficção científica, cinema e muito mais”. É o tipo de declaração que sugere que Gyllenhaal fez mais do que adaptar um clássico — construiu uma reflexão sobre o próprio ato de contar histórias. Se soar grandioso, lembre-se que ‘A Filha Perdida’ já demonstrava essa capacidade de transformar material literário em cinema que pensa sobre cinema.
O que as reações de Londres preveem para o lançamento comercial
Reações de estreia exigem cautela. O entusiasmo inicial frequentemente vem de expectativa baixa ou acesso privilegiado ao material. Mas a consistência dos temas — performances intensas, ambição narrativa, estética trabalhada — sugere convergência genuína, não hype fabricado. Múltiplos críticos independentes destacando os mesmos elementos é sinal de que há algo concreto para elogiar.
O lançamento nos cinemas em 6 de março de 2026 coloca ‘The Bride!’ em posição estratégica: longe da temporada de premiações de fim de ano, mas próximo o suficiente para construir boca a boca antes do verão norte-americano. Se as reações se mantiverem quando o embargo de reviews completos cair, Gyllenhaal pode ter em mãos não apenas um sucesso de crítica, mas um filme que expande a percepção do que ela é capaz como diretora.
Para quem é ‘The Bride!’ — e para quem não é
Reimaginar ‘A Noiva de Frankenstein’ em 2026 exige coragem. Fazer isso centrando a perspectiva da mulher que foi criada para ser “companheira” — e não do cientista ou do monstro — demonstra que Gyllenhaal entendeu algo fundamental sobre o material original que a maioria das adaptações ignora: o verdadeiro horror de Frankenstein nunca foi o monstro, foi a mulher tratada como objeto.
As reações de Londres sugerem que ela traduziu isso intelectualmente em cinema que funciona emocionalmente. Buckley e Bale parecem ter entregue performances que justificam o ingresso. A estética gótica promete deleite visual. E a postura “não ligo se você vai gostar” que críticos detectaram pode ser exatamente o que diferencia ‘The Bride!’ de dezenas de adaptações esquecíveis.
Quem deve assistir: fãs de terror gótico que valorizam atmosfera sobre sustos baratos, admiradores do trabalho de Bale e Buckley, e qualquer um interessado em ver uma diretora em pleno domínio de sua voz autoral.
Quem deve evitar: expectadores que procuram action-horror ou adaptações literais do material de Shelley. Gyllenhaal não está interessada em fidelidade — está interessada em releitura.
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Perguntas Frequentes sobre ‘The Bride!’
Quando estreia ‘The Bride!’ nos cinemas?
‘The Bride!’ estreia nos cinemas em 6 de março de 2026. O filme teve sua estreia mundial em Londres no dia 26 de fevereiro de 2026.
‘The Bride!’ é um remake de ‘A Noiva de Frankenstein’?
Não é um remake direto. ‘The Bride!’ é uma reimaginação que se inspira no universo de Frankenstein, mas centra a perspectiva na Noiva — algo que o filme de 1935 de James Whale fazia apenas parcialmente. Maggie Gyllenhaal cria uma narrativa original ambientada na Chicago dos anos 1930.
Quem está no elenco de ‘The Bride!’?
O elenco é liderado por Christian Bale como Frankenstein e Jessie Buckley como a Noiva. O filme conta ainda com Annette Bening, Penélope Cruz, Peter Sarsgaard e Jake Gyllenhaal.
Quem dirigiu ‘The Bride!’?
‘The Bride!’ é dirigido por Maggie Gyllenhaal em seu segundo filme como diretora, após o aclamado ‘A Filha Perdida’ (2021), que rendeu indicações ao Oscar.
Qual é a diferença entre ‘The Bride!’ e a adaptação de Frankenstein de Guillermo del Toro?
A adaptação de 2025 de Guillermo del Toro centrava-se no cientista (Oscar Isaac) e no monstro (Jacob Elordi). ‘The Bride!’ de Maggie Gyllenhaal desloca o foco narrativo para a Noiva (Jessie Buckley), mudando radicalmente a perspectiva da história.

