‘The Boys’: Antony Starr explica por que Homelander perdeu na estreia da 5ª temporada

Antony Starr explica como a morte de A-Train no 1º episódio de ‘The Boys’ temporada 5 representa uma derrota moral para Homelander — mesmo sendo uma vitória física. Análise do depoimento que revela a dicotomia central do personagem.

Existe um tipo específico de derrota que dói mais que qualquer ferimento físico: a derrota moral diante de alguém que você subestimou. É exatamente isso que Antony Starr identifica no primeiro episódio de The Boys temporada 5 — e sua análise revela mais sobre Homelander do que qualquer sequência de ação poderia.

A morte de A-Train na estreia poderia parecer, à primeira vista, mais uma vitória do psicopata mais perigoso da TV. Mas Starr discorda completamente dessa leitura — e sua explicação reconfigura tudo o que pensamos sobre a dinâmica de poder em ‘The Boys’.

Vitória física, derrota moral: o insight de Antony Starr

Vitória física, derrota moral: o insight de Antony Starr

Na entrevista à ScreenRant, Starr foi direto: ‘Eu acho que é uma derrota. É uma derrota. Ele não ganha nada. O momento é na verdade um momento de fraqueza, mesmo sendo um momento de força física, ele perde.’ A frase carrega uma camada de interpretação que só alguém que habitou o personagem por cinco temporadas poderia oferecer.

Homelander é construído desde o piloto como uma máquina de dominação. Cada movimento, cada palavra, cada olhar serve para estabelecer superioridade. Ele não mata apenas para eliminar ameaças — mata para reafirmar sua posição no topo da cadeia alimentar. Mas A-Train, no seu momento final, subverte esse script completamente.

O personagem que abriu a série atropelando Robin — uma morte acidental mas reveladora de sua indiferença moral — fecha sua jornada se sacrificando para salvar outros. A-Train usa seus poderes não para fugir ou contra-atacar, mas para proteger. E isso, segundo Starr, atinge Homelander em um ponto que nem toda sua força bruta consegue blindar.

Por que a redenção de A-Train é insuportável para Homelander

Ao longo de quatro temporadas, vimos Homelander construir sua identidade em torno de uma premissa: ele é o ápice, o inalcançável, o ser que todos deveriam temer e adorar. Qualquer desafio a essa narrativa é tratado com violência extrema. Mas existe algo que violência não consegue destruir: a autenticidade moral.

Quando Starr diz que ‘A-Train se torna um herói real’, ele está apontando para algo que Homelander nunca será, independentemente de quão forte ele seja. O arquétipo do herói em ‘The Boys’ é deliberadamente corrompido — a série existe para desconstruir a ideia de que superpoderes equivalem a superioridade moral. Mas A-Train, em seu último suspiro, faz exatamente o que um herói genuíno faria: coloca outros à frente de si mesmo.

Isso expõe o vazio que Homelander carrega. Como Starr observa: ‘Esse é um cara que nunca vai ser feliz. O cara não pode ser feliz. Ele é quebrado demais. Ele é danificado demais.’ A força física é irrelevante diante de uma fragilidade existencial que nenhum laser ocular pode resolver.

O arco de A-Train: de atropelador a mártir

O arco de A-Train: de atropelador a mártir

O percurso de A-Train é um dos mais subestimados de ‘The Boys’. Jessie T. Usher construiu um personagem que começou como antagonista funcional — o atropelador descuidado, o velocista egoísta obcecado em manter seu posto entre os Sete — e gradualmente revelou camadas de culpa, redenção e, finalmente, sacrifício genuíno.

Existe uma ironia estrutural aqui. A-Train matou Robin no piloto, um ato que definiu toda a trajetória de Hughie e, por extensão, a formação dos Boys. Se aquele momento foi o catalisador da resistência contra Vought, a morte de A-Train funciona como fechamento simbólico — não para Hughie, mas para a própria jornada moral do velocista.

Homelander, por outro lado, permanece congelado em seu narcisismo patológico. A série nunca permitiu que ele evoluísse, e isso é escolha consciente dos roteiristas. Enquanto outros personagens — incluindo antagonistas como A-Train e Queen Maeve — demonstram capacidade de crescimento moral, Homelander funciona como uma constante: um aviso sobre o que acontece quando poder absoluto encontra vazio absoluto.

Como ‘The Boys’ humaniza monstros sem absolvê-los

A série sempre se recusou a simplificar. Nem os ‘heróis’ são puramente bons, nem os vilões são monólitos de maldade sem motivação. Homelander é o exemplo extremo dessa complexidade: um sociopata que também é, de forma perturbadora, uma criança emocionalmente abandonada buscando aprovação.

A análise de Starr reforça essa leitura. Quando ele descreve Homelander como alguém que ‘revela uma vulnerabilidade e uma derrota’, está apontando para a humanidade doente que habita o personagem. Homelander não é um vilão cartunesco — é um estudo de caso sobre o que acontece quando traumas não processados encontram poder ilimitado.

A morte de A-Train funciona como um espelho deformado. Homelander olha para o velocista morrendo e vê algo que não consegue processar: alguém que escolheu ser melhor. Não por obrigação, não por cálculo de imagem pública, mas por uma transformação moral genuína. É por isso que, nas palavras de Starr, ‘ele perde’ — a vitória física é pálida comparada à derrota simbólica.

5ª temporada: fechamento que honra 5 anos de desconstrução

Com aclamação crítica consolidada, The Boys temporada 5 parece estar cumprindo a promessa de encerrar a série com a mesma ambição narrativa que a definiu desde 2019. A morte de A-Train no primeiro episódio estabelece o tom: não haverá despedidas fáceis, nem conclus que respeitem a fragilidade do público.

O depoimento de Starr sugere que os roteiristas estão conscientes do que fazem. Não basta matar personagens para gerar choque — cada morte precisa carregar peso narrativo, precisa significar algo dentro da arquitetura moral da série. A forma como A-Train morre, e como Homelander falha em processar essa morte, é um microcosmo de tudo o que ‘The Boys’ tem a dizer sobre poder, corrupção e a possibilidade — ou impossibilidade — de redenção.

Starr encerra sua reflexão com uma verdade brutal: ‘Esse é um cara que nunca vai ser feliz.’ É uma linha que poderia servir como epígrafe para toda a série. Em um universo onde superpoderes são commodities corporativas e heroísmo é performance de marketing, a felicidade genuína — aquela que vem de integridade moral — permanece inalcançável para quem construiu sua identidade sobre mentiras.

A-Train encontrou sua redenção no final. Homelander, mesmo vencendo fisicamente, permanece preso em seu próprio inferno particular. E essa, talvez, seja a derrota mais definitiva que um vilão pode sofrer: viver sabendo que outros conseguiram o que ele nunca terá.

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Perguntas Frequentes sobre The Boys temporada 5

Quando estreia a 5ª temporada de The Boys?

A 5ª temporada de ‘The Boys’ estreia em 2026 na Amazon Prime Video. A data exata ainda não foi confirmada pela Amazon, mas a produção está em andamento desde 2025.

A 5ª temporada é a última de The Boys?

Sim. A 5ª temporada será a última da série principal. Eric Kripke, showrunner, confirmou que a história estava planejada para cinco temporadas desde o início.

Quantos episódios terá a 5ª temporada de The Boys?

A 5ª temporada terá 8 episódios, mantendo o padrão das temporadas anteriores. Cada episódio deve ter entre 50 minutos e 1 hora de duração.

Onde assistir The Boys?

‘The Boys’ está disponível exclusivamente na Amazon Prime Video. Todas as 4 temporadas completas estão na plataforma, e a 5ª será lançada lá também.

Preciso assistir as temporadas anteriores para entender a 5ª?

Sim. ‘The Boys’ tem uma narrativa contínua com muitos arcos de personagens que se desenvolvem ao longo das temporadas. A 5ª temporada é o fechamento de uma história que começou no piloto — assistir sem o contexto anterior vai prejudicar significativamente a compreensão.

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Lucas Lobinco
Lucas Lobinco
Sou o Lucas, e minha paixão pelo cinema começou com as aventuras épicas e os clássicos de ficção científica que moldaram minha infância. Para mim, cada filme é uma nova oportunidade de explorar mundos e ideias, uma janela para a criatividade humana. Minha jornada não foi nos bastidores da produção, mas sim na arte de desvendar as camadas de uma boa história e compartilhar essa descoberta. Sou movido pela curiosidade de entender o que torna um filme inesquecível, seja a complexidade de um personagem, a inovação visual ou a mensagem atemporal. No Cinepoca, meu foco é trazer uma perspectiva única, mergulhando fundo nos detalhes que fazem um filme valer a pena, e incentivando você a ver a sétima arte com novos olhos.Tenho um apreço especial por filmes de ação e aventura, com suas narrativas grandiosas e sequências de tirar o fôlego. A comédia de humor negro e os thrillers psicológicos também me atraem, pela forma como subvertem expectativas e exploram o lado mais sombrio da psique humana. Além disso, estou sempre atento às novas vozes e tendências que surgem na indústria, buscando os próximos grandes talentos e as histórias que definirão o futuro do cinema.

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