The Boroughs, nova série da Netflix produzida pelos Irmãos Duffer, inverte a equação de Stranger Things: idosos como protagonistas de uma história sobrenatural. Com elenco estelar e estreia em 21 de maio, analisamos por que essa premissa pode trazer o peso emocional que o streaming ignorava.
Hollywood tem um problema com envelhecimento. Não estou falando de Botox ou rejuvenescimento digital — falo da forma como o cinema trata personagens idosos: como alívio cômico, como obstáculos para jovens protagonistas, ou como figuras tristes esperando o fim. The Boroughs chega em maio com uma proposta que parece simples, mas é quase revolucionária: e se os heróis fossem realmente velhos?
A nova série da Netflix, produzida pelos Irmãos Duffer e criada por Jeffrey Addiss e Will Matthews, se passa em uma comunidade de aposentados cujos moradores precisam enfrentar uma ameaça sobrenatural de outra dimensão. Sim, isso soa como Stranger Things com cadeiras de rodas — mas a comparação é enganosa. Enquanto a série de 2016 se apoia na nostalgia dos anos 80 e no encanto de adolescentes salvando o mundo, The Boroughs inverte completamente a equação demográfica. E isso muda tudo.
O elenco de 350 anos de experiência que justifica o projeto
Os criadores brincaram que o elenco traz “cerca de 350 anos de ofício” para a produção. É piada, mas também é verdade: Alfred Molina, Geena Davis, Alfre Woodard, Clarke Peters, Denis O’Hare e Bill Pullman não são apenas nomes famosos — são atores que construíram carreiras inteiras em personagens complexos, e vê-los reunidos em um projeto que promete tratá-los como protagonistas de suas próprias histórias é o principal atrativo da produção.
Alfred Molina, especificamente, parece ser o coração da narrativa. Seu personagem, Sam Cooper, perdeu a esposa e tenta descobrir o que fazer com o tempo que lhe resta. Os showrunners acertaram na descrição: “é uma pergunta que todos nós enfrentamos, não importa a idade. Só que as apostas aumentam quanto mais anos você carrega nas costas”. Há algo universal nisso — uma densidade emocional que jovens protagonistas simplesmente não podem oferecer. A urgência da finitude, a perspectiva acumulada, as perdas já sofridas: ferramentas narrativas que o cinema mainstream ignora há tempo demais.
A promessa de tratar envelhecimento sem condescendência
Os Duffer foram diretos em sua declaração: “por anos, nos perguntamos por que ninguém fez um filme como Cocoon desde, bem, Cocoon“. A referência ao filme de 1985 de Ron Howard não é casual. Cocoon tratava idosos com dignidade, humor e admiração — algo que se tornou raro nas últimas quatro décadas. A maioria das produções hoje usa personagens mais velhos como piada ou como figuras decrescentes, não como protagonistas de suas próprias histórias.
A promessa de que The Boroughs não trataria envelhecimento como punchline foi o que atraiu os Duffer ao projeto. “Diferente de tantas histórias sobre personagens mais velhos, isso não trataria envelhecimento como piada”, afirmaram. “Em vez disso, trataria seus personagens como pessoas reais enfrentando desafios reais… junto com alguns sobrenaturais.” Isso interessa não por benevolência ou representação política — mas porque histórias sobre pessoas que já viveram muito têm um peso narrativo que raramente exploramos.
De ‘O Cristal Encantado’ a The Boroughs: os criadores por trás do projeto
Jeffrey Addiss e Will Matthews não são nomes aleatórios pegos para capitalizar o sucesso de Stranger Things. Eles são os responsáveis por O Cristal Encantado: A Era da Resistência, a série prequela do clássico de Jim Henson de 1982. Aquele projeto teve 89% no Tomatometer e 94% no Popcornmeter do Rotten Tomatoes — números que indicam aprovação tanto da crítica quanto do público.
Mais importante que os números é o que A Era da Resistência demonstrou: esses criadores sabem construir mundos fantásticos com peso emocional genuíno. A série não era apenas visualmente deslumbrante — ela tratava seus personagens de fantasia com seriedade e coração. Se eles trazem essa mesma abordagem para uma história sobre idosos enfrentando monstros, o potencial é real. A declaração dos criadores revela ambição: “desde o início, sabíamos que queríamos que The Boroughs parecesse igualmente assustador, misterioso, emocionante e emocional”.
Por que Stranger Things e The Boroughs são mais próximos do que parecem
À primeira vista, comparar uma série sobre adolescentes nos anos 80 com outra sobre aposentados em uma comunidade de luxo parece forçado. Mas os Duffer acertaram: “enquanto os personagens são um pouco mais velhos que as crianças de Stranger Things, o espírito é muito o mesmo. No núcleo, é uma história sobre pertencimento e crescimento — não importa sua idade.”
Stranger Things funcionou porque seus protagonistas eram outsiders encontrando força na amizade e enfrentando forças maiores que eles mesmos. A série nunca tratou suas crianças como infantis — elas tinham medo, coragem, complexidade. The Boroughs promete fazer o mesmo com personagens que a sociedade costuma descartar como “já viveram suas vidas”. Há algo subversivo nisso: ao colocar idosos no centro de uma narrativa de gênero, a série desafia não apenas convenções de Hollywood, mas também nossa própria tendência de subestimar pessoas mais velhas. Os monstros podem ser sobrenaturais, mas o verdadeiro antagonista implícito é o esquecimento social que comunidades de aposentados representam.
21 de maio: o que as primeiras imagens revelam
The Boroughs estreia globalmente em 21 de maio na Netflix. As imagens divulgadas mostram Molina, Davis, O’Hare, Peters e Pullman investigando e se reunindo em ambientes domésticos — sugerindo uma dinâmica de grupo que prioriza conversa e planejamento sobre ação frenética. O visual é limpo, quase documental, longe da estética saturada de Stranger Things.
Os criadores também revelaram uma ambição clara: “todo mundo fala sobre querer fazer uma série que adolescentes possam ver com seus pais. Nós queríamos fazer uma que adolescentes pudessem ver com seus pais E seus avós, e que todos pudessem aproveitar.” Há pouquíssimo conteúdo contemporâneo que funciona para três gerações simultaneamente — se The Boroughs conseguir isso, será um diferencial real.
Vale a pena esperar por The Boroughs?
Projetos que tratam envelhecimento com seriedade me interessam — não por piedade, mas porque narrativamente é território inexplorado. A maioria das histórias de gênero assume que heróis precisam ser jovens, como se coragem, inteligência ou capacidade de luta pertencessem exclusivamente aos que têm menos rugas.
The Boroughs tem elenco estelar, criadores com currículo sólido, produtores que provaram saber equilibrar coração e horror, e uma premissa que inverte expectativas. O risco é tornar-se piegas ou cair na armadilha de tratar seus personagens como “fofinhos” em vez de complexos. As declarações dos envolvidos sugerem consciência desse perigo. Resta ver se a execução corresponde à promessa.
Se você cresceu assistindo Cocoon e se perguntou por que Hollywood nunca revisitou aquele tipo de história, maio parece ser o mês da resposta. Para quem gosta de séries de gênero com peso emocional, The Boroughs merece estar no radar. Para quem procura algo diferente do habitual — idosos salvando o mundo de monstros interdimensionais pode ser exatamente isso.
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Perguntas Frequentes sobre The Boroughs
Quando estreia The Boroughs na Netflix?
The Boroughs estreia globalmente em 21 de maio de 2026 na Netflix.
Quem são os criadores de The Boroughs?
The Boroughs foi criada por Jeffrey Addiss e Will Matthews, responsáveis por O Cristal Encantado: A Era da Resistência. Os Irmãos Duffer (Stranger Things) são produtores executivos, não criadores diretos.
Qual é o elenco de The Boroughs?
O elenco principal inclui Alfred Molina, Geena Davis, Alfre Woodard, Clarke Peters, Denis O’Hare e Bill Pullman — um conjunto que os criadores brincam somar “350 anos de ofício”.
The Boroughs tem conexão com Stranger Things?
Não são conectadas narrativamente, mas compartilham produtores (Irmãos Duffer) e elementos de gênero: ameaças sobrenaturais, dinâmica de grupo e equilíbrio entre horror e emoção. Os Duffer afirmaram que o “espírito” de ambas é similar.
Para quem The Boroughs é recomendada?
Os criadores afirmam que a série foi pensada para três gerações assistirem juntas — adolescentes, pais e avós. Mistura sobrenatural com drama emocional sobre envelhecimento, inspirada no tom de Cocoon (1985).

